EUA: a história que o dado de emprego de junho conta e que pode mudar o rumo dos juros na maior economia do mundo
Logo depois da divulgação do relatório, os investidores aumentaram as apostas no corte de juros em setembro; entenda o que está por trás desse otimismo

A economia norte-americana criou 206 mil vagas em junho contra o consenso de 190 mil, mas a história por trás do payroll divulgado nesta sexta-feira (5) é contada dessa vez pelos dados que foram revisados nos meses anteriores e que deixam o primeiro corte de juros nos EUA mais perto das apostas do mercado.
A abertura de postos de trabalho de abril foi revista em baixa (-57 mil), passando de 165 mil para 108 mil. Maio também caiu de 272 mil para 218 mil, uma diferença de 54 mil que, combinada com abril, significa 111 mil empregos a menos do que o inicialmente informado.
Para completar o quadro, a taxa de desemprego ultrapassou os 4%, para 4,1% em junho. Vale lembrar que em abril a taxa de desemprego foi de apenas 3,4% — um sinal de que pode estar havendo uma folga no mercado de trabalho, que limita o avanço dos salários.
O ganho médio por hora em junho subiu 0,3% ao mês e 3,9% ao ano — o ritmo de aumento anual mais lento desde o segundo trimestre de 2021.
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Os juros baixos vêm aí?
Quando Jerome Powell concedeu a coletiva após a última decisão de manter os juros entre 5,25% e 5,50% ao ano, ele disse que dados inesperados do enfraquecimento do mercado de trabalho poderiam dar a confiança necessária para o Fed iniciar o ciclo de afrouxamento monetário nos EUA.
O mercado lembrou disso hoje. O monitoramento realizado pelo CME Group mostrava um aumento na chance de que o Fed reduza juros até setembro após a publicação do payroll de junho, com crescimento do salário abaixo do previsto e alta na taxa de desemprego.
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A possibilidade de um corte até setembro subiu a 77,6% assim q o relatório foi liberado. Antes do dado, estava em 72,6%.
Até dezembro, o quadro que continua mais provável é de um corte de 50 pontos-base, com 47,2% agora, de 45,3% pouco antes do indicador.
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O que dizem os especialistas
O combo inflação arrefecendo e emprego enfraquecendo abre caminho para o início do ciclo de corte de juros em setembro.
“A criação de vagas está abrandando, especialmente no setor privado, e a taxa de desemprego ultrapassou agora os 4%, o que ajuda a manter os salários sob controle. Com a inflação também parecendo comportada, as chances de um corte nos juros em setembro por parte são cada vez maiores”, disse James Knightley, economista chefe internacional do ING.
Para André Valério, economista sênior do Inter, o payroll de junho dá novos indícios de desaceleração do mercado de trabalho, o que será a variável determinante para o início do ciclo de cortes nos juros nos EUA.
“Mantida essa tendência, esperamos que o Fed dê início ao ciclo de cortes na reunião de setembro, condicionada à não reaceleração da inflação, o que não é o cenário base”, afirma.
Andrew Foran, economista da TD Economics, diz que a desaceleração dos salários em junho será vista com bons olhos pelo Fed, já que ajuda a abrandar a inflação.
“O relatório de emprego de junho deve reforçar a confiança do Fed enquanto aguardamos os dados de inflação de junho na próxima semana”, afirma.
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