Streaming e sucessos de bilheteria salvam o ‘cofre do Tio Patinhas’ e garantem lucro no balanço da Disney
Para CFO da empresa, investidores precisam entender “não apenas os resultados atuais do negócio, mas também o retorno dos investimentos”

Os parques de diversões estabelecidos fora dos Estados Unidos vinham se projetando como os “Irmãos Metralha” do balanço da Disney no quarto trimestre fiscal de 2024. Mas o streaming e dois sucessos de bilheteria se aliaram para salvar o “cofre do Tio Patinhas” no último instante.
A Disney reportou lucro ajustado por ação de US$ 1,14, acima dos US$ 1,10 esperados, e uma receita de US$ 22,57 bilhões, também acima dos US$ 22,45 bilhões projetados por analistas.
Com isso, o lucro líquido da empresa aumentou para US$ 460 milhões, ou 25 centavos por ação, em comparação com US$ 264 milhões (14 centavos por ação) no mesmo trimestre do ano anterior.
Nos Estados Unidos, o ano fiscal começa em 1º de outubro e termina em 20 de setembro. O balanço do quarto trimestre fiscal refere-se, portanto, ao período entre julho e setembro.
Filmes e Streaming
O segmento de entretenimento da Disney, que inclui TV, filmes e streaming, registrou um crescimento de 14% na receita, alcançando US$ 10,83 bilhões.
"Divertida Mente 2", da Pixar, e "Deadpool & Wolverine" foram os principais responsáveis pelo bom resultado: juntos, trouxeram um aumento de US$ 316 milhões ao lucro do segmento, que totalizou quase US$ 1,1 bilhão.
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No streaming, a Disney viu seu negócio prosperar com Disney+, Hulu e ESPN+ gerando lucro operacional de US$ 321 milhões. Os assinantes do Disney+ Core aumentaram 4% para 122,7 milhões, enquanto o Hulu cresceu 2%, totalizando 52 milhões de assinantes.
No entanto, a receita média por usuário caiu levemente devido ao maior número de assinantes no plano com anúncios.
Experiências e Parques
A área de experiências, que inclui parques e produtos de consumo, teve um crescimento modesto de 1% na receita, alcançando US$ 8,24 bilhões.
Os parques da Disney nos EUA registraram alta de 5% no lucro, impulsionada por um aumento no gasto dos visitantes.
Entretanto, os parques internacionais enfrentaram uma queda de 32% no lucro operacional devido a uma redução na frequência e no gasto dos visitantes, além de custos operacionais elevados.
Projeções para os Próximos Anos
A Disney se mantém otimista quanto ao futuro e prevê um crescimento consistente.
A empresa espera um aumento de dois dígitos na lucratividade de seu segmento de entretenimento para o ano fiscal de 2025, enquanto a área de experiências deve crescer entre 6% e 8%.
Para o streaming, a Disney projeta um aumento significativo, com lucro ajustado esperado de US$ 875 milhões em 2025, e crescimento anual de dois dígitos em 2026.
Por outro lado, a empresa estima que o próximo trimestre fiscal possa registrar uma leve redução nos assinantes da Disney+ Core e prevê que o impacto dos furacões Helene e Milton e os custos de pré-lançamento da Disney Cruise Line possam gerar um impacto de US$ 130 milhões e US$ 90 milhões, respectivamente, em sua receita.
"É preciso fazer suposições sobre o comportamento do consumidor", diz CFO da Disney
Em entrevista ao canal CNBC, Hugh Johnston, CFO da Disney, enfatizou os principais fatores que impulsionaram os números gerais de 2024: grandes iniciativas que colocaram a criatividade no centro da empresa; foco na melhora da lucratividade; investimento nos parques temáticos, cruzeiros e produtos de consumo.
“Se você juntar todos esses elementos, acredito que 2024 foi, de muitas maneiras, o ponto de virada para a Walt Disney Company. Agora temos confiança suficiente nos resultados que estamos vendo para podermos orientar os próximos anos”, afirmou.
Ao ser questionado sobre eventuais flutuações no consumo ou uma retração econômica que possam impactar a orientação de longo prazo da empresa, Hugh disse enxergar uma melhora lenta, mas constante no comportamento do consumidor – em especial no negócio de streaming direto ao consumidor (DTC). Criado há apenas cinco anos, o segmento já conta com 175 milhões de assinantes e começou a gerar lucro no último ano.
“Além disso, com os investimentos que estamos fazendo nos parques, sentimos que é necessário que os investidores entendam não apenas os resultados atuais do negócio, mas também o retorno desses investimentos”, resumiu o CFO.
*Com informações da CNBC
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