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A VOLTA

Sete anos após o Joesley Day, irmãos Batista retornam à JBS (JBSS3); ação reage em queda ao resultado do 4T23

A volta de Joesley e Wesley, que foram delatores da Lava Jato, acontece após uma série de vitórias judiciais da JBS e dos empresários

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27 de março de 2024
10:19 - atualizado às 10:30
O empresário Joesley Batista durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS
O empresário Joesley Batista durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS - Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os irmãos Joesley e Wesley Batista vão voltar ao conselho de administração da JBS (JBSS3) quase sete anos depois do fatídico "Joesley Day". A expressão é uma referência ao vazamento de trechos de gravações entre o empresário e o então presidente Michel Temer que provocou estragos no mercado.

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O retorno dos irmãos faz parte da pauta da próxima assembleia de acionistas da gigante de alimentos, que acontece no dia 26 de abril. O grupo vai aumentar o número de membros do conselho de nove para 11 para incluir os controladores.

A volta de Joesley e Wesley acontece após uma série de vitórias judiciais da companhia e dos empresários. Em dezembro, por exemplo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli suspendeu a multa de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência da J&F, a holding que controla a JBS e outras empresas dos irmãos Batista.

Hoje nenhum dos dois possui condenação em processo administrativo ou sentença judicial transitada em julgado, de acordo com a JBS. A empresa vale hoje aproximadamente R$ 50 bilhões na B3 e está em processo de migração da base acionária para Nova York.

O que foi o Joesley Day

Na época da Lava Jato, os empresários fizeram acordo de delação premiada com o Ministério Público, que incluiu a gravação de conversas entre Joesley Batista — que na época era CEO da JBS — e o ex-presidente Michel Temer.

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Na noite do dia 17 de maio de 2017, a gravação veio à tona por meio da imprensa, com a revelação de que Temer supostamente dava aval para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

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O escândalo político pegou o mercado financeiro de surpresa e trouxe temores de que Temer pudesse sofrer um impeachment. Como resultado, o Ibovespa chegou a despencar mais de 10% no pregão do dia seguinte, com direito a circuit breaker na B3.

Posteriormente, os irmãos Batista foram acusados de "insider trading" a partir da notícia de que o grupo teria vendido dólar e ações dias antes da divulgação das gravações. Mas no ano passado a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) absolveu os empresários.

JBS (JBSS3): resultado do 4T23

A divulgação da volta dos irmãos Batista ocorreu junto com o balanço da JBS. O grupo registrou lucro líquido de R$ 82,6 milhões no quarto trimestre de 2023, o que representa uma queda de 96,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

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O Ebitda — medida que o mercado usa como medida da capacidade de geração de caixa de uma empresa — foi de R$ 5,1 bilhões. Apesar do crescimento de 11,6%, o número ficou próximo do piso das estimativas do mercado.

O desempenho mais fraco das divisões de carne bovina dos EUA e Seara foram as principais responsáveis pelo resultado, de acordo com o Itaú BBA.

No pregão da B3, a primeira reação das ações da JBS (JBSS3) aos números é negativa. Por volta das 10h20, os papéis recuavam 3,26%, a R$ 21,66.

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