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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

HORA DE COMPRAR?

Braskem (BRKM5) sobe forte na B3 — e o balanço do 4T23 não é o único “culpado” pelo otimismo dos investidores

O Santander elevou a recomendação das ações BRKM5 para compra — e aqui estão os três principais motivos que podem fazer a ação subir, segundo os analistas

Camille Lima
Camille Lima
20 de março de 2024
12:30
Vista da então nova unidade da Braskem Petroquímica em Paulínia, São Paulo | Braskem Dividendos
Vista da então nova unidade da Braskem Petroquímica em Paulínia, São Paulo. - Imagem: Estadão Conteúdo/Alex Silva

O otimismo que tomou conta das ações da Braskem (BRKM5) nesta semana parece não estar preparado para desacelerar. Pelo contrário, aliás.

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As ações disparavam 10,33% por volta das 12h05, negociadas a R$ 25,52, ampliando os ganhos dos últimos cinco dias para 22%. No ano, os papéis acumulam alta de 17%.

Os ganhos das ações no dia acompanham a notícia de que um bancão de investimentos elevou as apostas na Braskem após a divulgação do balanço da companhia no quarto trimestre de 2023.

O Santander elevou a recomendação das ações BRKM5 para “outperform” — equivalente a “compra” —, com preço-alvo de R$ 27 para o fim de 2024, implicando em um potencial de valorização de 16% em relação ao último fechamento.

Mas o resultado trimestral não é o único “culpado” pela revisão para cima da recomendação. A visão mais otimista dos analistas segue uma tríade de fatores.

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Além dos números mais positivos no 4T23, a expectativa de menor fluxo de notícias sobre o afundamento de Alagoas e novas discussões sobre fusões e aquisições são os outros dois pilares que sustentam a tese de investimentos do banco em BRKM5.

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O que esperar da Braskem (BRKM5) em 2024

Depois de uma redução do prejuízo líquido no quarto trimestre de 2023 no comparativo anual, o Santander espera resultados melhores da Braskem em 2024.

Para os analistas, os números da companhia devem registrar uma “melhora significativa” neste ano, ainda que os spreads de resina — isto é, a diferença entre o preço de venda da resina e o custo da matéria-prima — continuem pressionados devido a um mercado bem abastecido.

“Acreditamos que o mercado de resinas deverá permanecer relativamente bem abastecido em 2024, mas com menos excesso de oferta do que em 2023, apoiando nossa visão de estabilidade nos spreads no curto prazo e o início de recuperação cíclica até o fim de 2025 ou início de 2026.” 

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Na visão do Santander, o balanço da Braskem ainda deve ser impulsionado por melhores resultados no México, além de maiores volumes de polímero verde, que apresentam margens acima da média e menos voláteis.

Além disso, os analistas projetam eficiências operacionais que podem levar a um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) maior em 2024, incluindo cortes de custos, otimização de capital de giro e redução no capex (investimentos).

Para além do balanço, o Santander avalia que a quantidade de notícias sobre o rompimento de uma das minas da Braskem em Alagoas deve ser limitada nos próximos meses.

Relembrando, em 10 de dezembro, diversos bairros da capital alagoana sofreram um forte desgaste do solo e afundamentos provocados ao longo dos anos pela exploração de sal-gema, em jazidas no subsolo abertas pela Braskem.

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“Como resultado de uma situação mais estável em Alagoas, notamos que a Braskem retomou as atividades planejadas no estado, que incluem preenchimento de cavidades, monitoramento de solo e realocação de moradores”, escreveram os analistas. 

A venda da Braskem (BRKM5)

A visão otimista do Santander ainda considera os próximos capítulos da venda da participação da Novonor, ex-Odebrecht, na Braskem (BRKM5).

A Novonor controla a Braskem, com 50,1% do capital ordinário na petroquímica, enquanto a Petrobras detém 47% da companhia.

Segundo reportagem do Estadão, a Adnoc (Abu Dhabi National Oil Company) está perto de finalizar o processo de due diligence — etapa fundamental para fusões ou aquisições — e poderá em breve discutir os detalhes finais para uma oferta vinculante com a Novonor.

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Além disso, o banco destaca a notícia do Pipeline de que um novo interessado na fatia da Novonor na Braskem iniciou o processo de due diligence.

“Esperamos que o fluxo de notícias sobre fusões e aquisições aumente nos próximos meses, o que poderia até acelerar o processo de oferta da Adnoc, em nossa opinião”, disse o Santander.

Os riscos da tese

A expectativa dos analistas é que a Braskem (BRKM5) poderia negociar a um múltiplo de 8 vezes a 9 vezes a relação valor de firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) durante os ciclos de baixa do setor.

Para o Santander, porém, atualmente existem alguns “riscos” que podem fazer a tese de investimento em Braskem (BRKM5) ruir — ou superando as estimativas ou frustrando-as. 

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Segundo os analistas, há três possibilidades na mira que podem destravar ainda mais valor para as ações: 

  1. Ofertas adicionais não vinculantes para a participação da Novonor na Braskem e ofertas vinculantes que forneçam o exercício de tag along direito de o outro sócio vender a sua participação nas mesmas condições — a acionistas minoritários; 
  2. Melhorias mais rápidas do que o esperado nos spreads; e
  3. Desvalorização do real. 

Por sua vez, há uma trinca de questões que podem levar a uma queda dos papéis BRKM5 daqui para frente: a Novonor não conseguir seguir em frente com a venda da participação na Braskem; uma demanda de resina mais fraca que o esperado e spreads mais baixos; e a valorização do real.

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