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A linha que contabiliza as projeções de créditos e o guidance para o crescimento de despesas foram alteradas, enquanto as demais perspectivas foram mantidas
Dando sequência à semana de balanços dos grandes bancos brasileiros, o Banco do Brasil (BBAS3) era um dos resultados mais aguardados desta temporada e registrou lucro líquido recorrente de R$ 9,515 bilhões no terceiro trimestre de 2024.
Isso representa uma alta de 8,3% em relação ao mesmo período do ano passado, com um leve aumento de 0,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O resultado ficou acima da média das projeções compiladas pelo Seu Dinheiro, que apontava para um lucro líquido recorrente de R$ 9,463 bilhões.
Apesar do resultado, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio (ROE, na sigla em inglês) do Banco do Brasil registrou queda de 0,14 ponto percentual neste trimestre e atingiu a marca de 21,1% — abaixo da média compilada pelo Seu Dinheiro, de 21,20%.
A redução foi maior na comparação com o trimestre imediatamente anterior: na passagem, o recuo do ROE foi de 0,46 p.p. — ficando abaixo daquele registrado pelo Itaú Unibanco (22,7%), porém superando o ROE do Santander (17,0%) e do Bradesco (12,4%).
Antes da publicação dos resultados, os analistas estavam de olho no setor em que o Banco do Brasil é mais atuante: o agronegócio. Isso porque, além da queda no preço das commodities e fenômenos climáticos extremos, as empresas do agro estão em maus lençóis.
Um dos exemplos dessa crise é a AgroGalaxy, que entrou com um pedido de recuperação judicial, com cerca de R$ 3,8 bilhões em dívidas com seus principais credores — e é um dos maiores tomadores de crédito do Banco do Brasil. Só com o banco público, são cerca de R$ 391 milhões e outros US$ 600 mil a receber.
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Assim, a linha do balanço que contabiliza as provisões no crédito cresceu 34,2% na comparação com os últimos 12 meses e 29,2% na base trimestral, somando R$ 10,086 bilhões.
Ainda que não tenha dito diretamente que a linha de provisões foi afetada pelo AgroGalaxy, o comunicado anexo com a divulgação dos resultados diz que as provisões do trimestre foram impactadas pela “resolução de caso de cliente em recuperação judicial que impactou as linhas de recuperação de crédito e imparidade.”
Além dos resultados, o Banco do Brasil também ajustou as projeções (guidance) para o fim de 2024. Assim, a expectativa de provisões foi ajustada da faixa de R$ 31 bilhões a R$ 34 bilhões para R$ 34 bilhões a R$ 37 bilhões.
Já a projeção de crescimento das despesas administrativas foi revisada para baixo, saindo da faixa de 6% a 10% para 5% a 7%. As demais linhas do guidance foram mantidas.
A margem financeira do Banco do Brasil cresceu 9,3% em relação ao terceiro trimestre de 2023, atingindo os R$ 25,870 bilhões. Na comparação com os três meses imediatamente anteriores, o crescimento foi de 1,3%.
Vale destacar que na linha de comparação dos primeiros nove meses de 2024 com o mesmo período do ano passado, a margem com o mercado do Banco do Brasil cresceu 112,7% — desempenho impulsionado pelo resultado da tesouraria e maior margem financeira bruta do Banco da Patagônia no primeiro trimestre.
Além disso, a receita com prestação de serviços do Banco do Brasil aumentou 4,9% em relação ao mesmo período de 2023, atingindo os R$ 9,096 bilhões.
Por último, mas não menos importante, o índice de inadimplência do Banco do Brasil atingiu o patamar de 3,3%, superior ao trimestre imediatamente anterior (3,0%) e acima do mesmo período de 2023 (2,81%).
Mesmo com o banco sendo impactado pelos efeitos da recuperação judicial de seu cliente do agro, o Banco do Brasil anunciou também uma distribuição de proventos na forma de juros sobre capital próprio.
Dessa forma, a instituição pretende pagar R$ 0,48330421704 por ação relativos ao resultado do terceiro trimestre deste ano.
Os valores serão pagos no dia 06 de dezembro, tendo como base a posição acionária até o dia 25 de novembro deste ano. Assim, as ações serão negociadas ex-dividendos a partir da terça-feira (26).
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