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Giovanna Figueredo

Giovanna Figueredo

Formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP), já trabalhou com marketing e redes sociais em uma consultoria financeira e é redatora dos portais Seu Dinheiro e Money Times.

VOLATILIDADE INTENSA

Azul (AZUL4) tem ‘dilema de diluição’ na negociação de dívidas com credores – XP calcula qual pode ser a perda para o acionista

Ações da aérea têm alta volatilidade nos últimos meses com rumores sobre recuperação judicial e recente acordo com credores; como fica o investidor?

Giovanna Figueredo
Giovanna Figueredo
20 de setembro de 2024
14:45 - atualizado às 14:50
Azul Linhas Aéreas AZUL4
Imagem: Shutterstock

Em meio a um ano turbulento para as ações da Azul (AZUL4), a empresa de aviação tem conseguido animar os investidores nesta semana após rumores de um novo acordo com credores para quitar uma dívida de US$ 600 milhões – equivalente a R$ 3,27 bilhões no câmbio atual.

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A companhia segue em negociação com os arrendadores e este pagamento seria feito por meio de ações AZUL4, segundo informações da Reuters.

Mas essa não seria a primeira tentativa de acordo de dívidas da companhia.

Em 2023, a Azul fechou uma operação extrajudicial com arrendadores e fabricantes de equipamentos que daria US$ 570 milhões em ações preferenciais para o pagamento de dívidas.

Na época, os papéis eram avaliados em R$ 36. No entanto, com um cenário extremamente conturbado para as ações neste ano – pressionado por dólar nas alturas e enchentes no Rio Grande do Sul, por exemplo –, a cotação atual é de R$ 5,58.

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Na visão dos analistas Pedro Bruno e Matheus Sant’Anna, da XP, esse acordo de 2023 somado à despencada das ações nos últimos meses pode gerar um “dilema da diluição” para a Azul.

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Embora considerem o acordo extrajudicial de 2023 bem-sucedido, os analistas calculam que a conversão da dívida em ações no preço atual implica uma diluição severa de 56% para os acionistas de AZUL4.

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Novo acordo pode ser a ‘salvação’ dos investidores

Desde os rumores sobre o novo acordo com credores no valor de US$ 600 milhões, publicados pela Reuters na última sexta-feira (13), as ações da Azul saltaram 12,7% na bolsa.

Essa nova operação poderia limitar a diluição dos acionistas em 20%, o que, na visão de Bruno e Sant’Anna, seria uma boa notícia para os investidores.

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“Se confirmado [o acordo], isso seria um grande ponto positivo, pois implicaria R$ 1,8 bilhão em corte de dívida (120% do valor de mercado da Azul antes da notícia da renegociação)”, afirmaram em relatório.

Os analistas definiram o preço-alvo dos papéis para 2025 em R$ 6,60, o que abre espaço para uma valorização de 18%, considerando o preço atual de R$ 5,58.

Mesmo com o potencial de alta das ações, os analistas da XP mantêm recomendação neutra para a companhia de aviação devido ao “cenário de diluição altamente incerto e um perfil de alavancagem atualmente alto”.

Ações da Azul sofrem volatilidade intensa nos últimos meses – o que está acontecendo?

Os investidores das ações da Azul acumulam meses de pânico com a performance dos papéis na bolsa.

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O setor aéreo é sensível a cenários macroeconômicos mais conturbados e, em períodos de renda pressionada, as companhias do segmento tendem a ter uma diminuição da demanda por passagens aéreas.

Outro fator prejudicial para as empresas de aviação foi a forte oscilação cambial neste ano. Por terem parte dos custos em dólar, períodos de alta da moeda americana podem impactar as companhias.

Além disso, com a tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul entre abril e maio, a Azul foi afetada operacionalmente e sofreu perdas de R$ 200 milhões.

Mas o que gerou a grande despencada de AZUL4 recentemente foi o receio do mercado sobre um possível pedido de recuperação judicial da companhia, considerando as dívidas da aérea.

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Os ânimos foram amenizados pela empresa no fim de agosto, quando informou à Reuters que não estava considerando entrar com o pedido de RJ nos Estados Unidos – processo chamado de Chapter 11 e que foi feito pela Gol (GOLL4) no início de 2024.

O atual acordo com credores ainda está em andamento pela empresa e aguarda confirmação. Após dias de forte volatilidade, as ações têm tímida alta de 0,8% nesta sexta-feira (20).

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