Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: Por que a bolsa brasileira performa tão mal?

Uma dúvida me persegue: por que a Bolsa brasileira performa tão mal? Não falo deste ano ou dos últimos 24 meses… me refiro a intervalos longos

11 de março de 2024
20:01 - atualizado às 19:37
bolsa brasileira ações ibovespa investimentos small caps
Imagem: Shutterstock

Existe um grande debate sobre a eficiência dos mercados, tanto sobre sua definição quanto sobre a verossimilhança da ideia. Felizmente, ainda gozo de faculdades mentais razoáveis e, portanto, tenho mais dúvidas do que respostas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Estou certo de que afirmar o constante apreçamento correto dos ativos financeiros, como se eles descontassem a todo momento toda a informação relevante de maneira adequada, sem qualquer tipo de fricção, não encontra respaldo empírico.

Mas também desconfio que isso não invalide o cerne da ideia. A hipótese de mercados eficientes pertence ao campo teórico, servindo de um modelo geral e exigindo capacidade de abstração. 

Há várias situações em que os preços se descolam dos fundamentos estritos, seja por assimetria informacional, seja por restrições de liquidez, seja pelo carácter ciclotímico dos mercados e dos investidores.

Isso não quer dizer — e talvez esse seja o ponto essencial da história — que você possa dispor de uma regra para sistematicamente bater o mercado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Eficiências e ineficiências do mercado

A discussão está insuportavelmente polarizada também sobre esse tema. Ou o mercado é eficiente em 100% do tempo e em todos os aspectos, ou é completamente ineficiente. Onde perdemos as nuances? 

Leia Também

O mercado pode ter suas ineficiências, muitas vezes anedóticas, e ainda assim não sermos capazes de nos apropriarmos delas de maneira consistente.

Em resumo, o mercado me parece eficiente na maior parte das vezes e, quando ele fica ineficiente, não há uma lógica estrita para seu retorno à normalidade — talvez isso até seja um corolário lógico: se ele se afasta da eficiência, saímos do campo da total racionalidade; então, por que haveríamos de supor que ele retornaria ao normal seguindo um padrão estritamente racional?

“Onde você está vendo uma arbitragem normalmente existe um prêmio de risco”. Cansei de ouvir do meu orientador…

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O que está por trás da performance da bolsa brasileira

Não sei se pela trajetória acadêmica ou pelo histórico familiar (pouco importa), uma dúvida me persegue: por que a Bolsa brasileira performa tão mal?

Veja: não estou falando deste mês, do ano ou dos últimos 24 meses… me refiro a intervalos longos mesmo.

Olha só: a Empiricus vai completar 15 anos de vida em 2024. Quando criamos nossa empresa, o Ibovespa estava em torno de 66 mil pontos. Dobrou num intervalo de 15 anos. Ele perde do CDI de goleada.

Contra as NTN-Bs, a comparação é uma covardia. Se olharmos frente ao IFIX, no período de análise relativa possível, o índice de ações também fica bem atrás. O Ibovespa perde até da poupança!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Estamos falando de um intervalo de 15 anos. É longo prazo sob qualquer ótica.

Chance de ser o Warren Buffett da bolsa brasileira

Alguns poderiam argumentar que o Ibovespa é uma medição ruim, muito concentrado em poucos nomes, como commodities e bancos ou telecomunicações no passado.

Refaça o exercício para outros índices e, no geral, vai chegar à mesma conclusão.

“Ah, mas tem alguns fundos de ações com retorno espetacular nesse intervalo.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Claro que tem. São os sobreviventes, a cauda direita de uma distribuição de probabilidade. A Bolsa é uma média. Alguns vão ter retorno excepcional.

A probabilidade de você ser o Warren Buffett é baixíssima. Mas a probabilidade de existir um Warren Buffett no mundo (e até mesmo que ele tenha desfrutado de uma boa ajuda da aleatoriedade, o que não atesta contra sua competência) é bastante grande.

Risco e retorno na bolsa brasileira

Quando você começa a estudar Finanças, logo nas primeiras aulas se depara com uma linha ascendente que relaciona retorno e risco. Faz sentido, não é mesmo?

Se há um ativo de maior retorno e menor risco, todo mundo corre para comprá-lo. Seu preço aumenta e, rapidamente, seu retorno prospectivo diminui.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A relação entre risco e retorno é uma decorrência da eficiência dos mercados.

Quando você vê a Bolsa brasileira com performance inferior à renda fixa, estamos desafiando uma questão elementar. Temos um ativo de maior risco e menor retorno. No longo prazo! Estamos numa situação de confronto à prescrição teórica clássica.

Então, há três possibilidades:

  1. Os livros-texto de Finanças deverão ser reescritos, passando a conter um asterisco. “Um ativo de maior risco deve carregar maior retorno esperado, com exceção das ações brasileiras”.
  2. Os mercados brasileiros são estruturalmente ineficientes no apreçamento das ações. Elas são sistematicamente mais arriscadas do que a renda fixa mas rendem menos.
  3. Esse foi, embora longo, um período extraordinário, uma exceção para, à frente, recuperarmos toda essa performance negativa anterior.

Há várias hipóteses explicativas, mas nenhum consenso na literatura. 

A aposta da Verde em ações da bolsa brasileira

Na semana passada, participei do podcast Market Makers com Luiz Parreiras, gestor da Verde Asset.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em determinado momento, saí brevemente da posição de entrevistado para assumir como entrevistador.

Perguntei a Parreiras por que, nos últimos anos, o fundo Verde tem rodado com uma posição em ações brasileiras inferior às suas origens, quando tinha cerca de 1/3 em Bolsa local. 

Embora não tenha ficado claro ali, era minha curiosidade em torno do comportamento do Prêmio de Risco de Mercado (justamente quanto a Bolsa paga ou deveria pagar acima da Renda Fixa) se manifestando.

Estava implícito pra mim que, se a Verde reduziu por anos sua posição em ações, tinha percebido, tácita ou formalmente, essa performance mais negativa da classe frente a alternativas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A pergunta também poderia ter sido: “por que a Bolsa deixou de ser tão interessante para vocês?” Ou, “o que vocês viram de pior nas ações brasileiras?”

Três razões para a nova dinâmica da Verde

Com mais didática e inteligência, Parreiras respondeu algo mais ou menos assim, encontrando três razões para a nova dinâmica: 

I. No passado, o PIB nominal brasileiro crescia cerca de 10% ao ano.

Como o PIB acaba, mesmo grosseiramente, sendo uma proxy para o crescimento das receitas das empresas e as companhias listadas representam uma “nata" do capitalismo local, o faturamento das firmas na Bolsa crescia bem, quase por osmose.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Assim, se fizesse seu dever de casa e controlasse as despesas, o lucro de uma companhia listada crescia, nominalmente, cerca de 20% com alguma facilidade. Estava praticamente contratada uma alta das ações. 

II. Os juros no Brasil sempre foram muito altos.

Só conseguia rodar acima do seu custo de capital uma companhia extremamente eficiente (ou, e isso está na minha conta: aquela pertencente ao núcleo dos amigos do rei; no país do incentivo, um subsídio aqui ou ali garante o retorno do acionista). Isso criava monopólios ou oligopólios.

A Selic veio caindo, o capital ficou mais acessível, a capacidade de competir, no geral, aumentou (embora as condições de negócio ainda sejam sofríveis).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os monopólios e os grandes conglomerados econômicos, a maior parte listada em Bolsa, agora enfrentavam concorrência. Isso reduz sua lucratividade e derruba as ações do incumbente, cujo peso nos índices de ações é grande.

III. Foi percebido que o crédito no Brasil tinha um desempenho melhor em termos de risco e retorno.

A classe rendia basicamente tão bem (ou até melhor) do que as ações e com uma fração da sua volatilidade. Então, cerca de 15% anteriormente destinado à renda variável passou a ir para o crédito.

Hoje, as ações brasileiras representam cerca de 15% do portfólio. Se somarmos os 15% do crédito, chegamos basicamente nos 30% anteriores destinados à Bolsa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essa foi só uma palhinha do episódio. Vale a pena ouvi-lo na íntegra. Todos nós devemos deferências à Verde, que ajudou a moldar o mercado de capitais brasileiro. Por isso, foi uma honra dividir aquela bancada.

Num mercado dominado por sábios formados em cursos de trading de final de semana, será muito difícil ensinar truques velhos a cães novos. Ainda assim, nunca cansaremos de tentar. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A normalização da inflação e dos juros, o recorde de pedidos de RJ, mudanças na Petrobras (PETR4), e o que mais afeta a bolsa hoje

7 de abril de 2026 - 8:53

Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Entre a crise geopolítica e a rigidez inflacionária: volta ao normal no Brasil é adiada em um mundo fragmentado

7 de abril de 2026 - 7:17

Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A verdadeira diversificação nos FIIs, a proposta de cessar-fogo no Irã, e o que mais move as bolsas hoje

6 de abril de 2026 - 8:09

O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo

TRILHAS DE CARREIRA

Entre o que você faz e onde você está: quanto peso dar à cultura organizacional nas suas escolhas de carreira?

5 de abril de 2026 - 8:00

Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder elétrico na sua carteira, as novas ameaças de Trump, e o que mais move os mercados

2 de abril de 2026 - 8:30

Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Volta da inflação? Aprenda a falar a língua do determinismo estocástico 

1 de abril de 2026 - 19:45

Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O novo momento da Boa Safra (SOJA3), o fim da guerra no Irã e o que mais você precisa ler hoje

1 de abril de 2026 - 8:28

A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os terremotos nos mercados com a guerra, a reestruturação da Natura (NATU3) e o que mais mexe com seu bolso hoje

31 de março de 2026 - 8:37

Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Da escalada militar à inflação global: o preço da guerra entre EUA e Irã não é só o petróleo

31 de março de 2026 - 7:24

Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia