🔴 TOUROS E URSOS: LULA 3 FAZ 3 ANOS, OS DADOS ECONÔMICOS E A POPULARIDADE DO GOVERNO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: Histerese ou apenas um ciclo — desta vez é diferente?

Olhando para os ativos brasileiros hoje não há como precisar se teremos a continuidade do momento negativo por mais 18 meses ou se entraremos num ciclo mais positivo

9 de dezembro de 2024
20:00 - atualizado às 11:05
bolsa brasileira ações ibovespa investimentos small caps
Imagem: Shutterstock

A provocação “então, você acha que desta vez é diferente?” é usual em conversas entre financistas quando se propõem ideias inovadoras ou alterações em padrões históricos. Ela soa como um atestado de inteligência de quem pergunta e de ingenuidade de seu interlocutor, como se a sugestão de distinção daquele momento revelasse falta de conhecimento histórico.

Se você acha que desta vez é diferente, apenas não estudou o suficiente. Não haveria muito espaço para originalidade alguma. Os padrões se repetiriam ao longo do tempo, bem como os ciclos de mercado, a euforia e a depressão, as bolhas e seus subsequentes estouros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A ideia acaba sintetizada no jargão “as quatro palavras mais perigosas do mercado financeiro são ‘desta vez é diferente’”.

Não sou propriamente simpático à expressão. Sob sua tutela, bloqueamos qualquer espaço para mudanças, inovações, superação de problemas históricos. Mesmo um conservador entende que, em certos momentos, precisamos mudar, ainda que seja para permanecermos os mesmos ou evitarmos o pior. Edmund Burke era a favor da revolução americana.

A verdade é que, na maior parte do tempo, os padrões de fato se repetem, não têm nada muito extraordinário. Mas é igualmente verdade que há, sim, situações em que “desta vez é mesmo diferente”.

Gente que estuda o assunto já identificou que a frase é válida para 20% do tempo. No best-seller “Psicologia Financeira”, Morgan Housel brinca que "as 13 palavras mais perigosas do mercado financeiro são ‘as quatro palavras mais perigosas do mercado financeiro são ‘dessa vez é diferente’”.

Obviamente, ex-ante, é sempre difícil definir quando estamos diante de uma quebra de paradigma ou de uma simples repetição de um padrão histórico. Depois do fato, ficará óbvio (só depois do fato). E todos aqueles que apontaram na outra direção serão percebidos como idiotas, embora houvesse bons argumentos para eles também.

A economia brasileira e seus ciclos viciosos

Olhando para os ativos brasileiros hoje não há como precisar se teremos a continuidade do momento negativo por mais 18 meses ou se entraremos num ciclo mais positivo. Parece consensual, no entanto, um sentimento extremamente negativo sobre nossos mercados e valuations, numa perspectiva histórica, muito descontados.

O câmbio está quase 15% acima de seu valor justo e na sua máxima histórica, o juro real de longo prazo visita o patamar da era Dilma, e o Ibovespa negocia a 7x lucros.

Pesquisa de sentimento do banco BTG Pactual junto a investidores institucionais aponta um ânimo nas mínimas em vários anos. A alocação da indústria de fundos em ações toca valores históricos. A participação do Brasil nos índices de mercados emergentes também. Estamos há mais de três anos sem IPO na B3, o que nunca aconteceu desde 2004. Todo o sell side aumenta a exposição a dólar e a utilities em suas sugestões.

Tente puxar uma conversa sobre compra de ações no Brasil na macarronada de domingo. Aposto uma boa doação para a Neo Química Arena que, em menos de 10 segundos, seu cunhado vai rir da sua cara, dizendo que a Bolsa brasileira está morta. Ele está altamente concentrado em bitcoins e ações norte-americanas, vangloriando da sua sagacidade, enquanto destila argumentos em prol do excepcionalismo dos EUA.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sua pseudointeligência tenta convencer alguém na mesa do almoço de que se trata de uma visão particular e não-consensual. Ninguém dá muita bola, claro. Exceção feita à esposa do sujeito, que, embora tenha sacado tudo, aproveita a deixa para, fingindo-se de ingênua, prontamente identificar um espaço para pedir sua tão desejada bolsa Birkin de Natal, acompanhada da riviera da Cartier, que ela chama de “lembrancinhas" para celebrar o bom ano.

Leia Também

Todos mataram a renda variável brasileira. Assim como já mataram a renda fixa nacional, o ouro, o bitcoin… Talvez ela morra mesmo desta vez. Não podemos subestimar o risco de histerese. Antes de o ciclo voltar, esticamos a corda a tal ponto que ela rompe.

Sem sinal fiscal mais contundente, com a narrativa idiota de que a “Faria Lima especula no dólar e nos juros”, o câmbio continua subindo, o Copom fica atrás da curva. Ainda não estamos em dominância fiscal, mas, se não acordarmos, corremos o risco de logo chegarmos lá, embora o conceito seja mais fácil de expor do ponto de vista teórico do que de ser identificado empiricamente.

Estamos num daqueles clusters adversos de volatilidade de Mandelbrot. Os traders vão empurrando as cotações na direção negativa; sem comprador, os ativos seguem se deteriorando. Todos percebem a fraqueza e o movimento continua, num ciclo vicioso.

Visto de outra maneira, os modelos de alocação baseados em Value at Risk associam risco a volatilidade. O aumento do risco percebido cospe a necessidade de redirecionar as carteiras na direção da segurança. Novas vendas de ativos de risco são geradas. O modelo cospe nova alocação mais conservadora. A dinâmica perversa se repete.

No entanto, acreditar que as ações brasileiras estão condenadas ao fracasso ignora o caráter cíclico da economia e dos mercados locais. Seria análogo a dizer que desta vez é diferente. O Brasil contrariaria sua tendência histórica de reversão à média, de flertes com o precipício seguidos de uma arrumação da casa, tipicamente associada a alterações do pêndulo de economia política.

É possível, sim, que estejamos diante daqueles 20% das vezes em que, de fato, “desta vez é diferente”. Mas 80 ainda me parece maior do que 20.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

SELIC ALTA e AJUSTE FISCAL podem AFETAR ações PAGADORAS de DIVIDENDOS? ENTENDA

Algumas prescrições

Não se trata de uma postura do tipo “all in”. Há limites importantes a serem respeitados. Entre o “compre qualquer coisa” e o “evite a bolsa a qualquer custo”, a virtude costuma mesmo estar no meio. Algumas prescrições para atravessarmos a baixa do ciclo sem que percamos oportunidades reais de multiplicação patrimonial lá na frente, típicas de momentos de stress e risco de ruptura.

  • Dilatação do horizonte temporal: há uma completa falta de confiança na política econômica brasileira no momento, bem como faltam triggers claros de curto prazo e não há comprador marginal relevante. Estão todos preocupados com o newsflow, sem muito vínculo a valuations e fundamentos de longo prazo. Aqueles que puderem se aproveitar desse descasamento podem surfar o que tenho chamado de arbitragem temporal. Todos estão sob a ideia de que “vai piorar antes de melhorar”. O ponto é que, diante disso, muitos já venderam. E fica a certeza (ou algo perto disso) da melhora na frente. De forma meio curta e grossa, se a política econômica não for arrumada, a oposição vai ganhar a próxima eleição. Teremos contratado um superciclo, que vai se iniciar, claro, antes de 2027. Note como, enquanto o sell side de grandes bancos recomenda cautela, a tesouraria desses mesmos bancos recompra suas ações. A rigor, os “insiders" (aqui no sentido construtivo) estão comprando. Há lote de recompras de ações e compras por diretores, enquanto a janela está totalmente fechada para IPOs.
  • Cuidado com a alavancagem. Aqui o risco de histerese é mais alto. A primeira coisa necessária para um longo prazo lucrativo é que o longo prazo precisa existir. Se a empresa entrar em recuperação judicial ou tiver que fazer um aumento de capital com muita diluição, o valuation que parece descontado fica caro rapidinho. São poucas as empresas que conseguem gerar valor com um custo de capital superior a 15%.
  • Atenção à liquidez. Um dos erros clássicos ao se fazer conta de valor justo é negligenciar o risco de liquidez. É natural. O exercício de valuation é, por definição, teórico — por isso, muitos chamam o preço-alvo de valor justo teórico. Ocorre que você não come nem lucra com preço teórico. Se o preço teórico é R$ 20 e a ação não tem liquidez, dificilmente você vai conseguir sair a R$ 20 depois. Se o mercado está ilíquido e sem comprador, o desconto aumenta. Em paralelo, a primeira pernada tipicamente acontece nos mercados mais líquidos e considerados mais eficientes. É a aplicação do overshooting de Rudi Dornbusch, inicialmente para o câmbio, para qualquer situação em que há dois mercados com velocidades de ajustamento diferentes.
  • Inflação é ponto de atenção. Embora a mediana do relatório Focus aponte uma inflação oficial de 4,59% para 2025, quase todo mundo está revisando seus números para cima. Já há gente boa sugerindo algo mais perto de 6%. Em tese, isso deveria ser pior para a renda fixa do que para as ações, que são ativos reais (pedaços de empresas). Contudo, não é todo mundo que tem pricing power (poder de remarcar preços para endereçar pressões de custo). Com efeito, muitos orçamentos corporativos para 2025 foram feitos antes do stress financeiro causado pelo pacote fiscal e da disparada do câmbio. Para quem não tem poder de preço, os lucros podem ser bem menores do que o estimado. Parece fazer sentido focar nos tais generais, com marca, balanço forte e poder de mercado.

Respeitadas as condições, ao ver o juro real longo brasileiro acima de 7% e uma série desses generais negociando a 8x lucros, faz sentido enfrentar a manada, dilatar o horizonte temporal e expor-se a um provável superciclo brasileiro ali na frente.

As bicadas diárias do pássaro no fígado de Prometeu desafiam a resiliência. A vontade é correr para o conforto do CDI, comprar a esticada Bolsa norte-americana e expor-se a cripto com alavancagem.

A história real, no entanto, não é tanto afeita aos mitos. A sabedoria de Buffett é mais pragmática, convidativa e lucrativa: compre ao som dos canhões, venda ao som dos violinos. Todos adoram repetir o clichê. Poucos o executam na prática.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
SEXTOU COM O RUY

Venezuela e Petrobras: ainda vale a pena reservar um espaço na carteira de dividendos para PETR4?

9 de janeiro de 2026 - 6:12

No atual cenário, 2 milhões de barris extras por dia na oferta global exerceriam uma pressão para baixo nos preços de petróleo, mas algumas considerações precisam ser feitas — e podem ajudar a Petrobras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os riscos e as oportunidades com Trump na Venezuela e Groenlândia: veja como investir hoje

8 de janeiro de 2026 - 8:24

Descubra oito empresas que podem ganhar com a reconstrução da Venezuela; veja o que mais move o tabuleiro político e os mercados

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: medindo a volatilidade implícita do trade eleitoral

7 de janeiro de 2026 - 19:48

O jogo político de 2026 vai além de Lula e Bolsonaro; entenda como o trade eleitoral redefine papéis e cenários

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empresas brasileiras fazem fila em Wall Street, e investidores aguardam dados dos EUA e do Brasil

7 de janeiro de 2026 - 8:25

Veja por que companhias brasileiras estão interessadas em abrir capital nos Estados Unidos e o que mais move os mercados hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Venezuela e a Doutrina Monroe 2.0: Trump cruza o Rubicão

6 de janeiro de 2026 - 9:33

As expectativas do norte-americano Rubio para a presidente venezuelana interina são claras, da reformulação da indústria petrolífera ao realinhamento geopolítico

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A janela para o mundo invertido nos investimentos, e o que mais move o mercado hoje

6 de janeiro de 2026 - 8:16

Assim como na última temporada de Stranger Things, encontrar a abertura certa pode fazer toda a diferença; veja o FII que ainda é uma oportunidade e é o mais recomendado por especialistas

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Notas sobre a Venezuela

5 de janeiro de 2026 - 14:01

Crise na Venezuela e captura de Maduro expõem a fragilidade da ordem mundial pós-1945, com EUA e China disputando influência na América Latina

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação do mês, o impacto do ataque dos EUA à Venezuela no petróleo, e o que mais move os mercados hoje

5 de janeiro de 2026 - 7:58

A construtora Direcional (DIRR3) recebeu três recomendações e é a ação mais indicada para investir em janeiro; acompanhe também os efeitos do ataque no preço da commodity

TRILHAS DE CARREIRA

O ano novo começa onde você parou de fugir. E se você parasse de ignorar seus arrependimentos em 2026?

4 de janeiro de 2026 - 8:00

O ano novo bate mais uma vez à porta. E qual foi o saldo das metas? E a lista de desejos para o ano vindouro?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

FIIs de logística agitaram o ano, e mercado digere as notícias econômicas dos últimos dias

2 de janeiro de 2026 - 8:28

China irá taxar importação de carne, o que pode afetar as exportações brasileiras, mercado aguarda divulgação de dados dos EUA, e o que mais você precisa saber para começar o ano bem-informado

RETROSPECTIVA

As ações que se destacaram e as que foram um desastre na bolsa em 2025: veja o que deu certo e o que derrubou o valor dessas empresas

31 de dezembro de 2025 - 8:51

Da Cogna (COGN3) , que disparou quase 240%, à Raízen (RAIZ4), que perdeu 64% do seu valor, veja as maiores altas e piores quedas do Ibovespa no ano de 2025

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empreendedora já impactou 15 milhões de pessoas, mercado aguarda dados de emprego, e Trump ameaça Powell novamente

30 de dezembro de 2025 - 8:43

Conheça a história da Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), e quais são seus planos para ajudar ainda mais mulheres

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: 10 surpresas para 2026

29 de dezembro de 2025 - 20:34

A definição de “surpresa”, neste escopo, se refere a um evento para o qual o consenso de mercado atribui uma probabilidade igual ou inferior a 33%, enquanto, na nossa opinião, ele goza de uma chance superior a 50% de ocorrência

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como cada um dos maiores bancos do Brasil se saiu em 2025, e como foram os encontros de Trump com Putin e Zelensky

29 de dezembro de 2025 - 8:13

Itaú Unibanco (ITUB4) manteve-se na liderança, e o Banco do Brasil (BBAS3). Veja como se saíram também Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11)

DÉCIMO ANDAR

FIIs em 2026: gatilhos, riscos e um setor em destaque

28 de dezembro de 2025 - 8:00

Mesmo em um cenário adverso, não surpreende que o segmento em destaque tenha encerrado 2025 como o segundo que mais se valorizou dentro do universo de FIIs

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Mirassol das criptomoedas, a volta dos mercados após o Natal e outros destaques do dia

26 de dezembro de 2025 - 9:01

Em um ano em que os “grandes times”, como o bitcoin e o ethereum, decepcionaram, foram os “Mirassóis” que fizeram a alegria dos investidores

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

De Volta para o Futuro 2026: previsões, apostas e prováveis surpresas na economia, na bolsa e no dólar

23 de dezembro de 2025 - 8:33

Como fazer previsões é tão inevitável quanto o próprio futuro, vale a pena saber o que os principais nomes do mercado esperam para 2026

EXILE ON WALL STREET

Tony Volpon: Uma economia global de opostos

22 de dezembro de 2025 - 19:41

De Trump ao dólar em queda, passando pela bolha da IA: veja como o ano de 2025 mexeu com os mercados e o que esperar de 2026

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Esquenta dos mercados: Investidores ajustam posições antes do Natal; saiba o que esperar da semana na bolsa

22 de dezembro de 2025 - 8:44

A movimentação das bolsas na semana do Natal, uma reportagem especial sobre como pagar menos imposto com a previdência privada e mais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O dado que pode fazer a Vale (VALE3) brilhar nos próximos dez anos, eleições no Brasil e o que mais move seu bolso hoje

19 de dezembro de 2025 - 8:31

O mercado não está olhando para a exaustão das minas de minério de ferro — esse dado pode impulsionar o preço da commodity e os ganhos da mineradora

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar