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Uma postura construtiva em relação à Vale valeu a pena durante vários anos, mas tem sido muito dolorosa há mais de um ano, segundo os analistas do banco
Um dos poucos consensos no mercado de ações hoje é o de que as ações da Vale (VALE3) estão baratas. De fato, os papéis da mineradora perderam quase a metade do valor na B3 em relação ao pico, em maio de 2021.
A grande dúvida é se essa queda representa uma oportunidade ou se trata de uma "armadilha de valor" (value trap). O BTG Pactual foi um dos que jogou "jogou a toalha" e passou a acreditar na segunda hipótese.
O banco decidiu rebaixar a recomendação das ações de compra para neutra e cortou o preço-alvo para os ADRs (recibos de ações em Nova York) de US$ 19 para US$ 16.
"Uma postura construtiva em relação à Vale valeu a pena durante vários anos desde 2017, mas tem sido muito dolorosa há mais de um ano", escreveram os analistas, em relatório.
O pregão desta terça-feira confirma essa tendência negativa. Por volta do meio dia, os papéis da mineradora (VALE3) recuavam 1,05% na B3, a R$ 66,03.
A Vale vem sofrendo na bolsa em meio a uma série de incertezas sobre o futuro da companhia. A mais ruidosa delas é a discussão em torno do novo CEO da companhia.
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Mas essa não é a única pendência que a Vale enfrenta. Entre os fatores que podem influenciar os resultados da companhia, os analistas do BTG destacam as provisões para a Samarco, em razão do rompimento da barragem de Mariana (MG).
"A empresa reconheceu provisões adicionais (até US$ 4,2 bilhões, contra US$ 3 bilhões), mas os números podem ser materialmente maiores (em bilhões) e uma resolução final ainda pode levar meses", escreveram os analistas.
Como se não bastasse, a Vale ainda sofreu recentemente com uma série de interrupções nas operações no Pará por determinação das autoridades locais, o que um sinal de "animosidade" com relação à empresa, de acordo com o BTG.
"Com tantas pendências iminentes e a nossa capacidade limitada de prever os resultados, a nossa confiança no case de investimento diminuiu materialmente."
Em consequência, os analistas esperam uma maior pressão sobre a geração de caixa e dividendos potenciais da Vale. Aliás, a empresa evitou anunciar dividendos extraordinários junto com o balanço do quarto trimestre, uma decisão "prudente" diante dos ruídos recentes, na visão do BTG.
Pelos cálculos dos analistas, a mineradora negocia hoje com um desconto de 15 a 20% em relação às concorrentes australianas. Mas esse preço menor seria justificado diante dos riscos envolvendo a companhia.
"Assim, em suma, há mais valor em outras partes da indústria de mineração global e em outras histórias nacionais com um 'carrego' muito melhor (rendimentos de dividendos projetados para 2024 de 10% ou mais)."
O BTG avalia que o desfecho favorável de algumas das pendências em relação à Vale pode ajudar as ações da companhia. Entre elas, a escolha no curto prazo de um novo CEO com uma visão pró-mercado.
A possibilidade de uma nova rodada de estímulos econômicos na China também pode dar um gás às ações da mineradora. Nesta semana, aliás, acontece o Congresso Nacional do Povo da China, crucial para o governo de Xi Jinping apresentar estratégias econômicas para 2024.
Por fim, uma solução "rápida e indolor" nas indenizações para a Samarco — abaixo do patamar de US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões, de acordo com o BTG — também seria algo positivo para a Vale. De todo modo, os analistas avaliam que uma resposta ainda deve levar meses para acontecer.
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