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A companhia brasileira fez uma proposta de US$ 15 bilhões pela International Paper
A temporada de resultados é marcada pela alta volatilidade das ações, com a reação dos investidores aos números e ao que se espera da companhia em um futuro próximo. Mas a Suzano (SUZB3) não precisou dos números do balanço.
Na antevéspera da divulgação dos resultados do primeiro trimestre, os papéis da companhia de celulose e papel renovaram a mínima intraday na B3 com recuo de mais de 12% na B3, o que resultou na perda de quase R$ 10 bilhões em valor de mercado. Os ativos terminaram o dia com baixa de 12,24%, a R$ 52,20.
Mas a forte queda deve-se a outro evento. Segundo a Reuters, a Suzano abordou a empresa norte-americana International Paper (IP) com a uma proposta de aquisição de quase US$ 15 bilhões (R$ 76,08 bilhões no câmbio atual), o que equivale a cerca de US$ 42 por ação.
Ontem (6), as ações da International Paper encerraram as negociações em Nova York a US$ 36,92. Sendo assim, a oferta da Suzano prevê uma valorização de quase 14% dos papéis.
Contudo, a International Paper deve rejeitar a oferta da Suzano como inadequada, ainda segundo a agência.
A proposta acontece um mês após a International Paper firmar acordo de compra da DS Smith por US$ 7,1 bilhões. Essa operação tem foco na expansão da presença da empresa norte-americana na Europa e deve ser concluída até o fim de 2024 — mas pode ser interrompida agora com a proposta da companhia brasileira.
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Procurada pelo Seu Dinheiro, a Suzano não quis comentar a notícia. Enquanto isso, o mercado aguarda o balanço do primeiro trimestre, que será divulgado na próxima quinta-feira (9) depois do fechamento dos mercados.
O negócio pode ser vantajoso para a expansão dos negócios da Suzano, que já é a maior fabricante de celulose do mundo e tem cerca de US$ 70 bilhões em valor de mercado. De todo modo, a notícia não foi bem recebida pelo mercado.
Isso porque a possível aquisição consumiria um investimento considerável, além de pesar sobre o endividamento da empresa, que vem em queda.
Na visão da Ativa Investimentos, o eventual negócio também reduz a perspectiva de pagamento de dividendos aos acionistas.
Para a XP, porém, o movimento da Suzano está em linha com a estratégia da companhia em diversificar o modelo de negócio, além de ter uma exposição maior a América do Norte e Europa.
Na mesma linha, o BTG Pactual diz que, apesar da possível aquisição "inesperada", a Suzano já havia informado planos de internacionalizar a companhia — "mas sempre esperamos movimentos menores e consolidados". Para o banco, a eventual operação com a IP é considerada uma 'fusão de iguais'.
A Suzano divulgará os números do desempenho de janeiro a março em 9 de maio depois do fechamento dos mercados.
A expectativa, assim como no trimestre anterior, é que os números ainda sejam fracos. Segundo estimativas da Genial, o lucro líquido deve apresentar uma queda de 98,4% na base anual, a US$ 86 milhões.
Entre os motivos estão a variação cambial da dívida, além da redução dos volumes de celulose por sazonalidade e necessidade de reestocagem.
"Esperamos ligeiros aumento no volume, mais insuficiente para compensar o efeito negativo do preço da celulose", escrevem os analistas Igor Guedes, Lucas Bonveti e Rafael Chamadoira, que assinam o relatório da Genial.
No trimestre anterior, a Suzano reportou uma queda de 39% no lucro líquido entre setembro e dezembro de 2023, na comparação com o mesmo período do ano anterior, pressionado pela queda nos preços de celulose.
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