Por que o Fiagro da BB Asset despenca quase 20% na bolsa? Gestão explica o que faz as cotas sangrarem
A BB Asset relembrou que divulgou em setembro um fato relevante informando que o fiagro possuía ativos financeiros lastreados em títulos devidos pela Agrogalaxy, empresa em recuperação judicial

Os últimos 30 dias não têm sido fáceis para o BB Fundo de Investimento de Crédito (BBGO11). Apesar de operar em alta nesta sexta-feira (25), o fiagro acumula perdas de 19,5% no mês.
Além da oscilação brusca, o aumento no número de negócios e da quantidade de cotas negociadas chamou a atenção da B3.
A operadora da bolsa questionou nesta semana a administração do fundo, que é feita pela BB Asset Management, a respeito da oscilação. A B3 pediu que a asset, que também é gestora do BBGO11, respondesse se sabe de algo que possa justificar a volatilidade.
Atendendo à solitação, a gestora divulgou ontem um comunicado sobre o tema. No documento, a BB Asset relembra que publicou em setembro um fato relevante informando que o fiagro possuía ativos financeiros lastreados em títulos devidos pela Agrogalaxy.
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Vale relembrar que a companhia entrou com um pedido de recuperação judicial em 18 de setembro. O pedido foi aceito pela Justiça de Goiás no início deste mês.
Com a decisão, todas as ações de execução contra a companhia estão suspensas, como arrestos, penhora de bens, apreensão e constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens ou outras ações que podem comprometer o patrimônio da AgroGalaxy.
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Fiagro cortou dividendos em 90%
O BBGO11 destacou, em relatório gerencial divulgado poucos dias após o início oficial da recuperação judicial da Agrogalaxy, que os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) ligados à empresa representavam somente 4,8% do patrimônio líquido do fundo.
Mas avisou que a RJ teria um impacto no pagamento de dividendos. Apesar do não pagamento dos juros dos títulos reduzir em apenas 7% os recursos disponíveis para distribuição, a gestão provisionou 65% do valor CRA, o que impactou a apuração dos resultados pelo regime de competência.
"Dessa forma, a distribuição de dividendos fica afetada no curto prazo pois reflete imediatamente e mais fielmente, a atual precificação dos papeis da carteira", explicava o relatório.
De fato, em 30 de setembro, a gestora comunicou que os dividendos de outubro teriam o valor de R$ 0,10 por cota. A cifra representou uma queda de cerca de 90% na comparação com a distribuição no mês anterior e provocou novos recuos das cotas.
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