O enigma da Petrobras (PETR4): entre dividendos e “risco Lula”, vale a pena ter ações da estatal?
Ruído da intervenção do governo impede a Petrobras de negociar no patamar de companhias como Chevron e Exxon, segundo analista

Quando se trata de Petrobras (PETR4), o investidor precisa sempre dormir com o olho aberto. A afirmação é de Ruy Hungria, analista da Empiricus e colunista do Seu Dinheiro.
Hungria participou da edição mais recente do podcast Touros e Ursos para desvendar o verdadeiro enigma que se tornou a estatal.
Afinal, do ponto de vista operacional, a Petrobras é praticamente uma unanimidade no mercado. A empresa hoje é grande geradora de caixa e entrega resultados com margens maiores do que gigantes do setor.
"Se você focar apenas nos resultados, a Petrobras é uma das melhores petroleiras do mundo", afirma o analista aos jornalistas do Seu Dinheiro Julia Wiltgen e Vinícius Pinheiro.
- [Dividendos da Petrobras] Afinal, a petroleira estatal vai pagar os proventos retidos na reserva? O que fazer com as ações? Veja a resposta neste guia gratuito.
O que impede a estatal de negociar nos mesmos patamares de companhias como Chevron e Exxon é justamente o chamado "risco Lula". Ou seja, os ruídos de uma possível intervenção do governo na companhia, de acordo com Hungria.
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Petrobras (PETR4) entre o risco Lula e os dividendos extras
Na última semana, as ações da Petrobras (PETR4) registraram forte volatilidade, para o bem e para o mal. Inicialmente, os papéis subiram com a perspectiva de que o governo libere a estatal para pagar parte dos dividendos retidos no balanço do quarto trimestre.
Pouco depois, contudo, as ações inverteram o sinal com a notícia sobre a possível troca do CEO da Petrobras, com o nome do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, para o lugar de Jean Paul Prates.
Para o analista da Empiricus, o mercado reagiu negativamente à possível troca do CEO da Petrobras por considerar o nome de Mercadante mais próximo do governo.
De certa forma, as últimas gestões da estatal conseguiram agir para agradar o governo sem deixar de acompanhar as boas práticas comerciais.
"O grande medo do mercado é que o presidente da Petrobras — e não falo especificamente do Mercadante — entre fazendo todas as vontades do governo e se esqueça que a Petrobras é uma companhia que, no fim do dia, tem acionistas e deve gerar resultados", disse o analista
E os preços dos combustíveis?
Aliás, a próxima polêmica em relação à Petrobras deve ser justamente a definição dos preços dos combustíveis, de acordo com Hungria. Isso porque a estatal já vem vendendo a gasolina e o diesel abaixo das cotações internacionais em meio à alta recente do petróleo.
Por outro lado, a eventual liberação de parte dos dividendos extras é uma notícia positiva para os acionistas. No fim das contas, o "efeito líquido" do dinheiro na conta dos acionistas e da eventual mudança no comando seria neutro no curto prazo.
"O mercado quer ver os dividendos o mais cedo possível, e isso seria muito bom. Mas o anúncio de um novo presidente [mais próximo ao governo] seria negativo, ainda que parte disso já esteja no preço das ações hoje."
Entre os riscos no radar e a possibilidade de a Petrobras se manter como uma empresa pagadora de dividendos mesmo com o "risco Lula", chegou a hora de aproveitar a queda recente para comprar as ações?
Assista à íntegra do programa e confira a resposta do analista:
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