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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

RESSEGURADORA EM FOCO

IRB Re (IRBR3): Por que o JP Morgan voltou a rebaixar as ações quatro meses depois de melhorar a recomendação para a resseguradora

Como resultado, os papéis IRBR3 encabeçam a ponta negativa do Ibovespa hoje, registrando uma queda de 8,47% por volta das 11h, sendo negociados a R$ 44,09

Renan Sousa
Renan Sousa
11 de setembro de 2024
11:44
Imagem de um celular com o logo do IRB (IRBR3) sendo exibido na tela | Ibovespa
Imagem de um celular com o logo do IRB (IRBR3) exibido na tela - Imagem: Shutterstock

Os operadores do mercado financeiro tentam acertar em cheio a hora de entrar e sair dos negócios. Nem sempre dá certo acertar “no olho da mosca”, como dizem, mas há alguns sinais que aparecem na hora de achar o melhor momento — e os analistas do JP Morgan acreditam ter encontrado alguns deles no IRB Re (IRBR3).

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Em um relatório publicado nesta quarta-feira (11), os analistas do banco norte-americano rebaixaram as ações da resseguradora de “neutro” para “underweight” (equivalente a venda).

Os analistas têm preço-alvo de R$ 44 para os papéis, o que representa um potencial de queda de 10% em relação ao fechamento de ontem. 

Como resultado, os papéis IRBR3 encabeçam a ponta negativa do Ibovespa hoje, registrando uma forte queda de 8,47% por volta das 11h, sendo negociados a R$ 44,09. 

O rebaixamento ocorre apenas quatro meses depois de o JP Morgan elevar a recomendação das ações IRBR3 de “venda” para “neutro”. Na ocasião, os analistas destacaram que os impactos da tragédia que acometeu o Rio Grande do Sul (RS) não afetaria os negócios da empresa, que possui uma das maiores exposições do ramo de seguros no estado

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O que mudou de lá para cá foi a alta de cerca de 28% das ações do IRB — contra um avanço de 4% do Ibovespa no mesmo intervalo. 

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Mas o JP Morgan explica que essa valorização não veio apenas da melhora da rentabilidade da empresa. Acontece que as ações sofreram um “impacto irracional” e caíram forte após as enchentes do RS. Assim, passado o pior momento da crise, houve uma recuperação de preços.

Após a alta recente, as ações da resseguradora passaram a ser negociadas a uma relação preço/lucro de 7,7 vezes, o que é considerado caro para os padrões do setor. Como comparação, o Itaú (ITUB4) é negociado a um preço/lucro de 7,5 vezes. 

Na ponta do lápis: as contas do IRB Re (IRBR3) 

Apesar do corte na recomendação, o JP Morgan tem perspectivas positivas para os negócios da resseguradora. De acordo com os analistas, o IRB deve atingir um retorno sobre o patrimônio líquido tangível (RoTE, na sigla em inglês) de aproximadamente 26% até o final de 2025. 

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Além disso, as estimativas da Bloomberg para o lucro do IRB em 2025 já estão na casa dos R$ 520 milhões — enquanto o JP Morgan estima cerca de R$ 513 milhões. 

Ainda que essas projeções estejam em linha com estimativas preliminares, há pouco espaço para maiores surpresas. E os analistas enxergam uma certa assimetria “mais para baixo do que para cima”, em um cenário sem maiores gatilhos positivos. 

Isso porque, apesar do bom desempenho no segundo trimestre, o setor de seguros e resseguros não deve continuar com a rentabilidade alta. 

Forte base de comparação e desaceleração à vista

No segundo trimestre, o IRB se beneficiou da reversão de provisões para sinistros IBNR maior do que em anos anteriores devido ao forte desempenho do setor rural. 

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Além disso, houve ganhos financeiros significativos decorrentes de posições temporárias em dólar, graças a uma desvalorização do real frente à moeda norte-americana. Ou seja, esses eventos específicos não devem se repetir nos próximos trimestres.

Do mesmo modo, a indústria de seguros deve desacelerar em um futuro próximo, puxada pelo resseguro rural. 

Em números, de acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), os prêmios cedidos às resseguradoras pelas seguradoras primárias atingiram R$ 8,6 bilhões no segundo trimestre de 2024, o que implica um crescimento de 2% na comparação com o mesmo período do ano passado. 

Trata-se de uma forte desaceleração em relação ao avanço de 10% a 30% nos anos de 2021 a 2023, com a menor atividade do ramo rural.

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