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A Capitânia solicitou no mês passado uma assembleia para discutir uma possível troca na gestão do fundo imobiliário
Os movimentos de ativismo não são novidade no mercado de fundos imobiliários, incluindo aqueles que provocam trocas na equipe por trás da condução dos FIIs. Mas as explicações da Capitânia sobre porque solicitou uma assembleia para discutir a substituição na gestão do Quasar Agro (QAGR11) não foram bem-recebidas pela Quasar Asset, atual gestora do fundo.
Segundo documento ao qual o Seu Dinheiro obteve acesso com exclusividade, a Quasar questionou a Capitânia, que detém cerca de 34% das cotas do fundo imobiliário, e a VBI Real Estate — apontada para assumir a gestão do FII, com R$ 246,2 milhões em valor de mercado — sobre o movimento e considerou as respostas de ambas “insuficientes” e “evasivas”.
De acordo com a Quasar, nenhuma das gestoras considerou “pertinente ou relevante” fornecer esclarecimentos ou “explicações aprofundadas” sobre as questões levantadas. A gestora questiona, por exemplo, se há ou houve algum contrato ou entendimento entre a Capitânia e a VBI quanto ao QAGR11.
“A verdade mesmo é que a Capitânia não tem interesse em boa gestão. O que ela efetivamente deseja é uma oportunidade fácil de obter ganhos rápidos, expressivos e indevidos – se preciso for, às custas de terceiros. Uma estratégia predatória”, escreve a Quasar, no documento.
Procuradas, Capitânia e VBI não comentaram o assunto.
Esta não é a primeira vez que a VBI tenta assumir a gestão do Quasar Agro (QAGR11), de acordo com a atual gestora do fundo imobiliário. No ano passado, por exemplo, a VBI teria feito uma oferta para assumir o FII por R$ 11,8 milhões.
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Na notificação extrajudicial, a Quasar alega que a Capitânia condicionou a aprovação do negócio à obtenção de um “benefício exclusivo para si”. “Votaria a favor da VBI se tivesse sua participação recomprada a um valor superior ao de mercado.”
O negócio em questão não foi para frente, mas, ainda no ano passado, a gestora diz que houve mais duas tentativas de trocar a gestão do Quasar Agro. Uma delas partiu do Pátria Investimentos e a outra da própria Capitânia, que ofereceu R$ 4 milhões, ainda de acordo com a Quasar.
Vale relembrar que o Pátria é dono de 50% da VBI desde 2022, enquanto a Quasar foi comprada pela Reag Investimentos no início deste mês.
Administrador do Quasar Agro (QAGR11), o BTG Pactual abriu uma consulta formal hoje para discutir a proposta da Capitânia de mudança da gestão para a VBI.
O banco esclareceu ainda, em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta segunda-feira (22), que “se abstém da recomendação formal de ambas as matérias, não opinando quanto à sua aceitação ou à sua rejeição”.
Portanto, os argumentos de ambos os lados devem ser avaliados pelos mais de 20 mil investidores do QAGR11 até dia 22 de maio.
Ainda segundo a carta consulta publicada pelo BTG Pactual, poderá participar do procedimento quem estava na base de cotistas do FII hoje. O resultado será apurado e divulgado em até cinco dias úteis após o encerramento do prazo.
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