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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

POUSO FORÇADO?

Ação da Azul (AZUL4) já caiu 50% na B3 em 2024, mas os analistas deste banco ainda veem espaço para a aérea arremeter na B3

Embora mantenham a recomendação de compra, os analistas cortaram o preço-alvo para R$ 12,20 — bem abaixo da meta anterior, de R$ 20,10

Camille Lima
Camille Lima
23 de agosto de 2024
17:45 - atualizado às 17:27
Azul
Imagem: Divulgação

Depois de uma sequência de prejuízos e uma derrocada de mais da metade do valor de mercado em 2024, a Azul parecia pronta para realizar um pouso forçado. Não à toa, o Goldman Sachs, um dos bancos que possuía visão otimista para as ações AZUL4, decidiu nesta sexta-feira (23) cortar em 40% o preço-alvo dos papéis da aérea.

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Os analistas fixaram um novo target de R$ 12,20 para os próximos 12 meses — bem abaixo da meta anterior, de R$ 20,10. Mas mesmo com o corte no preço-alvo, a cifra ainda implica em um potencial de valorização de 57% em relação ao último fechamento.

  • O céu é o limite? Ação que já subiu 142% desde setembro ainda tem upside de 73%, segundo a Empiricus; confira o ticker

No entanto, ainda que tenha realizado uma robusta revisão para baixo nas previsões, o Goldman ainda não acredita que é hora de aterrissar de vez — e manteve recomendação de compra para AZUL4.

Tempo fechado para a Azul (AZUL4)

Uma das principais turbulências para a Azul é o recente enfraquecimento do real, que acumula depreciação de quase 13% frente ao dólar em 2024. 

Afinal, a maior parte da dívida e custos da Azul — e das empresas áreas de modo geral — é lastreada em dólar. Por esse motivo, uma depreciação da moeda local resulta em impactos diretos na companhia.

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Mas no caso específico da Azul, esse movimento é ainda mais exacerbado devido ao elevado patamar de alavancagem da empresa.

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O corte no preço-alvo das ações da Azul (AZUL4) pelo Goldman Sachs acontece em meio às expectativas menos otimistas para os números financeiros da aérea depois de mais um balanço negativo no segundo trimestre de 2024.

Veja os destaques do resultado:

  • Prejuízo líquido: R$ 3,865 bilhões, contra lucro de R$ 497,9 milhões no mesmo intervalo de 2023;
  • Ebitda: R$ 1,052 bilhão (-9% a/a);
  • Receita líquida: R$ 4,172 bilhões (-2,3% a/a)

Além dos números menores no trimestre, a empresa revisou o guidance de 2024 para baixo. A nova previsão para o Ebitda foi de uma cifra superior a R$ 6 bilhões — abaixo da projeção anterior de R$ 6,5 bilhões.

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Já a estimativa de alavancagem saltou de 3 vezes para 4,2 vezes, resultado do Ebitda atualizado e da desvalorização do real frente ao dólar, que impacta dívidas na moeda norte-americana. 

Depois das revisões anunciadas pela própria companhia, o Goldman também decidiu cortar as estimativas para os indicadores da empresa em 2024, com a projeção do Ebitda encolhendo 8%, para R$ 6,3 bilhões no fim deste ano. Já para a receita líquida, a perspectiva caiu 6%. 

Então por que o Goldman Sachs ainda recomenda a compra das ações?

À primeira vista, torna-se até estranho buscar os motivos pelos quais o Goldman continuaria a recomendar a compra das ações AZUL4 em meio a tantas perspectivas mais negativas para a Azul.

No entanto, o otimismo — mais conservador — dos analistas tem base em estimativas ainda “essencialmente inalteradas” para 2025.

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“Acreditamos que, em um ambiente de mercado racional, a empresa deve ser capaz de repassar custos mais altos para as tarifas e recuperar a lucratividade”, afirmaram os analistas. 

Apesar das revisões para baixo, o Goldman manteve a meta de valuation para as ações da Azul a um múltiplo de 4,4 vezes a relação valor de firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) para os próximos 12 meses.

Para os analistas, ainda há riscos para a tese de investimento em Azul, como preços de petróleo mais altos do que o esperado, depreciação das moedas locais em relação ao dólar, menor demanda por viagens aéreas e uma competição irracional no setor.

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