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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

O BRILHO DA DÍVIDA

A bolsa não tem um IPO desde 2021 — mas o mercado deu um jeito de continuar em movimento, afirma o CEO da B3

Para Gilson Finkelsztain, os ativos de crédito corporativo se tornaram o “destaque definitivo” de 2024 em meio à escassez de aberturas de capital na bolsa

Camille Lima
Camille Lima
24 de junho de 2024
14:23 - atualizado às 13:04
Gilson Finkelsztain, presidente da B3
Gilson Finkelsztain, presidente da B3 - Imagem: Cauê Diniz / B3

Combinadas a condições macroeconômicas globais apertadas, as incertezas no cenário local levaram a uma verdadeira seca de IPOs na bolsa brasileira. Mas enquanto a escassez de ofertas de ações se arrasta desde 2021, o mercado de capitais doméstico deu um jeito de não ficar parado, de acordo com o CEO da B3 (B3SA3), Gilson Finkelsztain.

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“É verdade que não vemos IPOs há três anos, mas a gente está tentando trazer soluções para estimular essa recuperação”, afirmou Finkelsztain, durante encontro de relações com investidores realizado nesta segunda-feira (24).

Mas se o caminho para aberturas de capital parece interditado, outras rotas se abrem para que as empresas listadas na bolsa possam se financiar.

“Na B3, temos o dever de ter um ecossistema disponível para as empresas com diversas soluções para levantamento de capital, seja através de equities [ações], mas principalmente por meio de dívida”, afirmou Finkelsztain.

Para o CEO da dona da bolsa, se há uma década o Brasil deixou passar a oportunidade de desenvolver o mercado de dívida, em 2024, os ativos de crédito corporativo se tornaram o “destaque definitivo” do ano.

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“A gente tem criado no Brasil um mercado de debt capital market, fazendo com que todas as empresas e diretores financeiros  estejam muito mais presentes na agenda de emissões de dívida”, disse o presidente da B3.

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Para ter uma ideia, só no primeiro trimestre de 2024, mais de R$ 104 bilhões em registros de novas debêntures foram enviados à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), uma disparada de 175% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com relatório do Itaú BBA.

Segundo Gilson Finkelsztain, o mercado líquido de dívida vem registrando um forte crescimento nos últimos seis anos. Nesse período, a liquidez no mercado secundário passou de R$ 300 milhões para R$ 4 bilhões de reais por dia, de acordo com o executivo.

“As empresas têm trabalhado os benefícios, desafios e oportunidades que esse mercado oferece, mas a gente tem um mercado fluido e com captações de prazos diversos. É uma coisa que a gente não esperava que fosse possível há dez anos, o desenvolvimento de um mercado de dívida. Essa é a visão do copo meio cheio”, acrescentou o executivo.

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Além do mercado de dívida

Apesar da falta de IPOs na B3, o CEO acredita que o mercado de ações também vivencia “boas novas” atualmente — a começar pela liquidez. 

“Somos um dos mercados com maior liquidez do mundo, movimentando acima de R$ 25 bilhões todos os dias”, afirmou Finkelsztain.

Além disso, uma grande oferta de ações deve movimentar o mercado doméstico: o follow-on da Sabesp (SBSP3). “É uma operação emblemática”, destacou.

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O Governo de São Paulo revelou na última sexta-feira (22) os detalhes da oferta de ações global da empresa paulista de saneamento básico.

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De acordo com o prospecto, o governo vai vender, inicialmente, 28,05% do capital da companhia. Mas o percentual pode subir para até 32,25% caso haja demanda.

O Estado precisa manter, no mínimo, 18% do capital social da Sabesp, incluindo 10% correspondentes a uma ação preferencial de classe especial (golden share).

Já em relação a preços, cada ação sairá por R$ 72,06 — ou seja, a companhia pode movimentar R$ 13,8 bilhões apenas com a oferta base ou R$ 15,8 bilhões com o lote adicional.

Se efetivada nesse patamar, essa será a maior operação da bolsa brasileira nos últimos três anos, segundo informações do Broadcast e considerando a privatização da Eletrobras (ELET3), que movimentou R$ 34 bilhões em 2021.

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