Putin no poder até 2036? Presidente da Rússia dá sinais de que vai concorrer de novo à reeleição
Kremlin não confirma ou nega as intenções de Putin, mas fontes dizem que a decisão já está tomada

Após alterar a Constituição da Rússia em 2021 e com pouca pluralidade política real no país, Vladimir Putin parece disposto a concorrer a mais dois mandatos, permanecendo potencialmente no cargo até 2036 — se isso acontecer, ele encerraria seu último mandato com 84 anos.
Fato é que a imprensa russa dá como certa a candidatura de Putin à reeleição em 2024. Três outras fontes ouvidas pela Reuters disseram que a decisão de concorrer às eleições presidenciais de 2024 foi tomada.
“A decisão foi tomada — ele concorrerá”, disse uma das fontes que tem conhecimento do planejamento.
As eleições presidenciais russas estão programadas para 17 de março de 2024. O Conselho da Federação, ou Senado — a câmara alta do parlamento russo, ou Assembleia Federal — tomará uma decisão oficial sobre a data das eleições em dezembro.
Depois disso, os partidos políticos devem realizar os congressos pré-eleitorais e nomear oficialmente os candidatos.
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Kremlin não confirma e nem nega
Embora muitos diplomatas e membros do governo digam que Putin deve permanecer no poder durante toda a vida, até agora não houve confirmação específica dos planos do presidente da Rússia sobre se candidatar à reeleição.
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O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse nesta segunda-feira (6) que Putin ainda não comentou o assunto, acrescentando: “A campanha ainda não foi anunciada oficialmente”.
Pelo sim, pelo não, o presidente russo já pavimentou o caminho caso queira concorrer novamente ao cargo.
Depois de neutralizar um motim armado levado a cabo pelo líder do grupo mercenário Wagner, Yevgeny Prigozhin, em junho, Putin agiu no sentido de reforçar o apoio entre a sua base central nas forças de segurança, nas forças armadas e junto aos eleitores regionais fora de Moscou.
Nos últimos meses, a defesa, o armamento e a despesa orçamentária da Rússia dispararam, enquanto Putin fez inúmeras aparições públicas.
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O custo da guerra para a Rússia
Putin, de 71 anos, que recebeu a presidência de Boris Yeltsin no último dia de 1999, já serviu como presidente por mais tempo do que qualquer outro governante russo desde Josef Stalin, superando até mesmo o mandato de 18 anos de Leonid Brezhnev.
Diplomatas dizem que não há nenhum rival sério que possa ameaçar as chances de Putin nas urnas, caso ele concorra novamente.
O antigo espião do KGB goza de índices de aprovação de 80%, pode contar com o apoio do Estado e dos meios de comunicação estatais, e não há quase nenhuma oposição pública à continuação do seu governo.
No entanto, Putin enfrenta o conjunto de desafios mais sério que qualquer chefe do Kremlin já enfrentou desde que Mikhail Gorbachev lutou com a desmoronada União Soviética, há mais de três décadas.
A guerra na Ucrânia desencadeou o maior confronto com o Ocidente desde a crise dos mísseis cubanos de 1962 e as sanções ocidentais resultantes provocaram o maior choque externo à economia russa em décadas.
A inflação acelerou, enquanto o rublo se desvalorizou desde o início da guerra. Já as despesas com a defesa representarão quase um terço dos gastos totais da Rússia em 2024, de acordo com as projeções do governo.
Criminoso ou patriota?
O Ocidente apresenta Putin como um criminoso de guerra e um ditador que conduziu a Rússia a uma apropriação de terras que enfraqueceu o país e forjou o Estado ucraniano, ao mesmo tempo que uniu o Ocidente e deu à Otan um renovado sentido de missão.
Putin, porém, apresenta a guerra como parte de uma luta muito mais ampla com os EUA que, segundo a elite do Kremlin, visa separar a Rússia, apoderar-se dos seus vastos recursos naturais e depois voltar-se para o acerto de contas com a China.
*Com informações da Reuters e da agência Tass
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