Plano revelado: o que os EUA vão fazer para impedir que mais bancos quebrem no país
As autoridades bancárias norte-americanas apresentaram um plano para forçar as instituições financeiras; as regras, no entanto, terão implicações importantes para o setor

Quando o Silicon Valley Bank (SVB) deu sinais de problema, em março deste ano, o mundo se perguntou se uma crise nos moldes de 2008 estaria se aproximando. Não aconteceu, mas o risco de contágio seguiu no retrovisor. Nesta terça-feira (29), os reguladores norte-americanos resolveram deixar esse episódio para trás de vez, fechando o cerco aos bancos de Wall Street.
Para isso, as autoridades bancárias dos EUA apresentaram um plano para forçar as instituições regionais a emitir dívida para proteger os depositantes no caso de mais falências.
Todos os bancos norte-americanos com pelo menos US$ 100 bilhões em ativos estariam sujeitos à nova exigência, que os obriga a manter uma camada de dívida de longo prazo para absorver perdas no caso de uma apreensão governamental.
O plano foi elaborado pelo Tesouro dos EUA, pelo Office of the Comptroller of the Currency — uma agência que controla dos bancos no país —, pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e pela Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC, o Fundo Garantidor de Crédito dos EUA).
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O cerco aos titãs de Wall Street
Na prática, o plano se aplica às maiores instituições financeiras dos EUA — aquelas conhecidas na indústria como bancos globais sistemicamente importantes.
E as medidas anunciadas hoje implicam no aumento dos níveis de dívida de longo prazo detida por esses bancos, eliminando uma lacuna que permite que instituições financeiras de médio porte escapem do reconhecimento de baixas nesse títulos.
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Além disso, força os bancos a apresentarem um planejamento mais robusto, que teria efeito em caso de falência.
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Os impactos sobre os bancos
Os novos requisitos tem como objetivo aumentar os níveis de dívida dos bancos. Isso significa que se os reguladores precisarem intervir em um banco de médio porte, haverá uma camada de capital pronta para absorver perdas antes que os depositantes não segurados sejam ameaçados.
Só que essa medida tem efeito colateral. A regra pode forçar alguns credores a emitir mais dívida corporativa ou substituir as fontes de financiamento existentes por formas mais caras de dívida de longo prazo, segundo analistas do Morgan Stanley.
Se isso acontecer, as margens dos bancos de médio porte ficariam mais comprimidas, que já estariam sob pressão devido ao aumento dos custos de financiamento.
Segundo o Morgan Stanley, existem cinco bancos que poderão necessitar levantar cerca de US$ 12 bilhões em novas dívidas:
- Regions Financial
- M&T Bank
- Citizens Financial
- Northern Trust
- Fifth Third Bancorp
*Com informações da CNBC
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