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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

XADREZ POLÍTICO

O que o apoio de Bullrich a Milei muda no segundo turno das eleições na Argentina — e como Massa pode reagir a isso

A ex-ministra da Justiça, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, conversa com as alas mais conservadoras da sociedade, tem uma postura ao estilo “linha dura” no combate às drogas e à violência e está mais alinhada a Milei

Renan Sousa
Renan Sousa
25 de outubro de 2023
15:50 - atualizado às 8:55
Candidatos à presidência da Argentina
Candidatos à presidência da Argentina. Da esquerda para direita: Javier Milei, Sergio Massa e Patricia Bullrich - Imagem: Divulgação das redes sociais / reprodução do YouTube

O clima de segundo turno nas eleições da Argentina já está presente, principalmente nas negociações de alianças para um futuro governo. Sergio Massa, candidato governista e ministro da Economia, e Javier Milei, oposição de extrema-direita, se enfrentam pela segunda vez no dia 19 de novembro deste ano. 

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Em um primeiro momento, muitos se perguntavam quem Patricia Bullrich, terceira colocada no primeiro turno, iria apoiar. Ela evitou dar declarações na segunda-feira (23) após a eleição, mas nesta quarta-feira (25) a ex-ministra da Justiça declarou apoio ao ultraliberal. 

“Temos diferenças com Javier Milei, não escondemos isso, mas a maioria dos argentinos votou por uma mudança e não podemos ser neutros. Temos que unir forças para um objetivo em comum”, disse ela após uma reunião que contou com a presença de Maurício Macri, ex-presidente da Argentina. Ambos fazem parte do partido Juntos por el Cambio (Juntos pela Mudança, em espanhol). 

Veja a seguir como fica o cenário para o segundo turno das eleições no país: 

Segundo round na Argentina: luvas e apoios de fora

A pergunta que todos querem responder é: para quem irá os mais de 6,2 milhões de votos de Patricia Bullrich? Antes, é preciso entender quem é o eleitorado da ex-ministra da Justiça de Macri. 

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Bullrich conversa com as alas mais conservadoras da sociedade e tem uma postura ao estilo “linha dura” no combate às drogas e à violência. Ela é conhecida como “dama de ferro argentina”, em alusão a Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra britânica.

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Apesar de ter participado do governo Macri (2015-2019), ela se coloca como uma candidata anti-status quo. Sua plataforma de maior liberdade econômica e câmbio livre — juntamente com uma profunda oposição ao peronismo e ao kirchnerismo — a aproximam de Milei mais do que de Massa. 

Vale ressaltar, porém, que o comportamento do eleitorado pode mudar em um eventual segundo turno. Em outras palavras, nada garante que os 6,2 milhões de votos de Bullrich sejam totalmente direcionados para Milei. 

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E os demais…

Do lado de Massa, ele precisa de cerca de 3,5 milhões de votos para vencer o segundo turno.

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De acordo com o Diretor do Centro Estratégico Latinoamericano de Geopolítica (Celag), Alfredo Serrano Mancilla, o atual candidato e ministro da Economia pode contar “com 100% dos votos” dos quarto e quinto colocados, Juan Schiaretti e Myriam Bregman, respectivamente.

Juntos, os candidatos conseguiram pouco menos de 2,5 milhões de votos, ou seja, Massa precisaria de “apenas” um milhão de votos a mais para vencer.

Pesquisa eleitoral na Argentina: o favorito é…

A candidatura de Javier Milei parece ter perdido fôlego nas últimas pesquisas. Segundo a empresa de consultoria Proyección, publicada no jornal Página 12, o ministro da Economia venceria o ultraliberal por 44,6% a 34,2% dos votos válidos. 

Já nas projeções da CB Consultoria, Milei levaria 41,6% dos votos válidos, enquanto Massa ficaria com 40,4%. 

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Na mesma pesquisa, vale ressaltar que o segundo turno será uma batalha de rejeições. Isso porque 48,2% dos entrevistados afirmaram que nunca votariam em Massa, enquanto 43,8% disseram que nunca optariam por Milei. 

Prós e contras de cada candidato

A partir de agora, Milei tem a seu favor o partido Juntos por el Cambio e seu discurso antipolítica, que conseguiu conquistar parte significativa do eleitorado enfadado das medidas que culminaram no cenário econômico atual — uma inflação de mais de 140% em 12 meses e perda do poder de compra com o dólar em disparada.

Do outro lado, Massa tem toda a máquina do governo a seu favor — que o ajudou a garantir o segundo lugar nas primárias e a liderança no primeiro turno —, juntamente com alguns aliados na América Latina — como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil.

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