No tabuleiro de ‘War’ dos frigoríficos, Minerva (BEEF3) leva a melhor e pode subir mais de 60%; ações da BRF (BRFS3) caem 7%
Analistas do Banco Santander apontam que a atuação internacional de algumas empresas acaba desfavorecendo as projeções para os papéis dessas companhias.

As empresas brasileiras do setor de proteínas prezam pela diversificação de seus portfólios, com investimentos consistentes ao longo dos últimos anos. Essa pulverização global anima e eleva as possibilidades, mas parece que, no momento, nem todas as regiões geográficas aparecem com boas opções — o que acaba diferenciando, e muito, as expectativas para os principais frigoríficos do país.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (06), analistas do Banco Santander apontam, no entanto, que no presente momento, a atuação internacional de algumas empresas acaba desfavorecendo as projeções para os papéis dessas companhias.
É o caso da JBS (JBSS3), hoje com grande exposição ao mercado de proteínas norte-americano. Com isso, a expectativa dos analistas Rodrigo Almeida e Laura Hirata é de que os próximos trimestres continuem difíceis para a empresa.
O banco de investimentos diz gostar da variedade da empresa no momento, mas os problemas encarados nos Estados Unidos pressionam os resultados. No país, o mercado de proteína sofre com a redução do rebanho de gado, o que leva a uma menor margem da subsidiária americana, já que existe apenas um espaço limitado para aumentar os preços da carne vendida.
Além disso, outro problema regional é uma oferta maior do que a desejável de aves, o que mais uma vez afeta os preços de mercado. O setor de suínos dos EUA também exerce suas pressões, com o preço por cabeça subindo.
No Brasil, a empresa também conta com uma produção excedente mais uma vez pressionando as margens do negócio. Mas isso não significa que os analistas tenham dúvidas sobre a capacidade da gestão. Muito pelo contrário.
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O Santander acredita que a JBS segue sendo uma empresa de qualidade "premium". No entanto, existem muitos fatores negativos no radar que possibilitariam uma melhora nos ganhos no futuro recente.
Assim, a recomendação para os papéis JBSS3 é neutra, com um corte no preço-alvo de R$ 22,50 — contra os R$ 32,80 anterior.
Na bolsa, a reação dos investidores é negativa. As ações do frigorífico recuam quase 2%. Acompanhe a nossa cobertura de mercados
Minerva (BEEF3): A favorita
Enquanto a forte exposição da JBS no mercado americano preocupa, a estratégia recente de aquisições e diversificação da Minerva são apontadas como pontos positivos pelos analistas do banco, o que levou a uma elevação do preço-alvo de R$ 20 para R$ 23, com um potencial de alta de quase 70%.
Para o banco de investimentos, o forte posicionamento da companhia na América Latina é a chave para o sucesso, uma vez que, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, os impactos das adversidades são mais neutros na região, e o ciclo do gado no Brasil segue mais favorável.
Os analistas destacam que o patamar atual dos preços dos papéis é atrativo, com a companhia sendo negociada com um desconto de até 15% com relação à sua média histórica. Além disso, as aquisições recentes e outras oportunidades estudadas na Austrália e na América do Sul devem ajudar a geração de caixa futura.
BRF (BRFS3) e Marfrig (MFRG3)
Outras duas empresas que também possuem perspectivas negativas no curto e médio prazo são a BRF (BRFS3) e a Marfrig (MRFG3).
Para os analistas, a BRF segue em processo de reestruturação e "virada", em busca de uma atividade mais rentável, mas as pressões nos custos e a divulgação pouco clara sobre os planos estratégicos futuros dificultam. "O mercado deve começar a precificar as melhorias apenas quando os benefícios da execução começarem a ser sentidas".
Com uma produção excedente de aves, as margens da BRF devem ser desafiadoras. E, apesar do desconto de 22% no preço das ações com base na média histórica, o banco decidiu cortar o preço-alvo para os papéis de R$ 14 para R$ 9.
Os investidores reagem negativamente na bolsa, com os papéis da BRF liderando as perdas do dia no Ibovespa. Por volta das 16h, as perdas eram de mais de 7%, a R$ 7,13.
Já a Marfrig, "empresa-mãe" da BRF, também deve seguir com resultados fracos nos próximos trimestres, com uma contração nas margens do seu braço de negócios americano, ainda que a sua operação na América Latina deva apresentar melhorias.
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