O estrago da Selic: Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3) acumulam queda de mais de 85% na B3 em dois anos
Grandes nomes do varejo brasileiro, como Magazine Luiza (MGLU3), apanharam na bolsa de valores nos últimos dois anos, período em que foi iniciado o ciclo de aperto monetário

Se é verdade que a alta da taxa básica de juros (Selic) foi necessária para conter a pressão sobre a inflação, o aperto monetário também provocou estragos na economia. Porém, não há antagonismo maior ao Banco Central comandado por Roberto Campos Neto do que nos reinos do varejo brasileiro. Grandes players do setor, como Magazine Luiza (MGLU3), apanharam na bolsa de valores nos últimos dois anos — e, em muito, devido à escalada dos juros.
Segundo levantamento da empresa de inteligência de mercado Quantum Finance com dez ações do setor, nomes como Magalu, Via e Marisa acumularam quedas superiores a 85% no Ibovespa nos últimos 24 meses, pouco depois do início do ciclo de alta da Selic. Confira as variações:
| Cias Varejistas | Tickers | Retorno nos últimos 24 meses |
|---|---|---|
| AMERICANAS ON NM | AMER3 | -97,60% |
| LOJAS MARISA ON NM | AMAR3 | -88,01% |
| VIA ON NM | VIIA3 | -86,79% |
| MAGAZINE LUIZA ON NM | MGLU3 | -86,42% |
| PETZ ON NM | PETZ3 | -78,43% |
| GRUPO SBF ON NM | SBFG3 | -73,24% |
| LOJAS RENNER ON NM | LREN3 | -49,91% |
| GRUPO SOMA ON NM | SOMA3 | -48,16% |
| CEA MODAS ON NM | CEAB3 | -38,65% |
| AREZZO CO ON NM | ARZZ3 | -11,07% |
Líder do ranking de perdas, a Americanas (AMER3) foi vítima não apenas da alta da Selic como da fraude contábil multibilionária revelada no início deste ano que levou ao pedido de recuperação judicial.
Já as ações Magazine Luiza e Via sofreram com os juros maiores, que pesam sobre as despesas financeiras, e também com a desaceleração do e-commerce após a pandemia da covid-19.
Outras empresas notoriamente em dificuldades financeiras, como a Marisa, também aparecem entre as maiores quedas no setor de varejo.
Mas até mesmo companhias que resistiram bem ao ciclo de aperto monetário, como a Arezzo, acumulam queda na B3 nos últimos dois anos, de acordo com o levantamento da Quantum.
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Além da Selic, os balanços
O impacto do juro alto se refletiu nos balanços do segundo trimestre de 2023 das varejistas.
O Magazine Luiza (MGLU3), por exemplo, enfrentou o mau humor dos investidores com um prejuízo maior que o previsto, apesar das sinalizações de que tempos melhores estão por vir.
A Via (VIIA3), dona da Casas Bahia e do Ponto, também apresentou resultados fracos e apresentou um plano de reestruturação junto com os números do trimestre.
O que esperar das ações do Magazine Luiza e outras varejistas
Com o início do corte da Selic no início deste mês, o pior para as ações das varejistas ficou para trás?
Na visão de Gabriel Costa, analista da Toro Investimentos, as reduções na taxa de juros impactam as varejistas de duas maneiras: através da redução das despesas financeiras nos balanços e da melhora do consumo das famílias.
“Ainda que o ambiente macroeconômico caminhe para uma melhora, observamos certas empresas ainda em dificuldades internas, a exemplo da Via e da Marisa, que seguem com desafios operacionais e prejuízos sucessivos”, afirma.
Costa enxerga um cenário mais favorável para a C&A (CEAB3), que registrou desvalorização de 38,65% nos últimos 24 meses.
“A C&A executou um plano robusto nos últimos trimestres em busca de redução de despesas e aumento da eficiência operacional e hoje se beneficia das estratégias implementadas.”
O ciclo de queda da Selic
No início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu cortar a Selic em 0,50 ponto percentual (p.p.), a 13,25% ao ano.
Trata-se da primeira redução na taxa básica de juros em três anos, estagnada em 13,75% ao ano desde o início de agosto do ano passado.
Vale lembrar que a taxa Selic passou por consecutivos aumentos desde março de 2021, no maior e mais longo ciclo de alta desde 1999.
De acordo com a última reunião do Copom, se o quadro se mantiver como esperado, as próximas reuniões devem manter os cortes de 0,5 ponto na Selic.
O Copom ainda irá se reunir mais três vezes neste ano: 19 e 20 de setembro, 31 de outubro e 1º de novembro, e 12 e 13 de dezembro.
Sendo assim, a comunicação do BC dá a entender que, ao menos, a Selic irá cair para 12,75% no próximo encontro e 12,25% no seguinte, caso tudo corra como planejado.
Se o termo "próximas reuniões" ainda incluir o último encontro de 2023, a Selic poderia encerrar o ano em 11,75%.
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