Ações da Hapvida (HAPV3) derretem mais 20% com estudo de aumento de capital e papéis acumulam queda superior a 50% em poucos dias
A companhia estuda vender ativos considerados não-estratégicos e sem relação com a sua atividade principal e um eventual aumento de capital

Desde que a Hapvida (HAPV3) divulgou o seu balanço do quarto trimestre de 2022, as ações da companhia estão levando uma verdadeira surra na bolsa de valores --- e hoje parece ser mais um dia de sangria.
Em apenas nove dias, os papéis acumulam uma queda de mais de 50%. Só nesta quinta-feira (09), o recuo dos papéis ultrapassa a casa dos 20%, a R$ 2,17. Acompanhe a nossa cobertura completa de mercados.
Se nos últimos dias o gatilho para o movimento de venda havia sido os números fracos dos últimos meses de 2022 — com um aumento da sinistralidade e uma visível dificuldade em capturar as sinergias esperadas da fusão com a Notre Dame Intermédica de forma eficiente — , hoje a reação dos investidores reflete uma aparente piora de um cenário que já não era dos melhores.
Em comunicado divulgado na noite de ontem (08), a Hapvida informou que concluiu a liquidação financeira de R$ 750 milhões de debêntures, e confirmou algumas informações que circularam na imprensa no início da semana.
Segundo o documento, a companhia estuda vender ativos considerados não-estratégicos e sem relação com a sua atividade principal — o oferecimento de um ecossistema de serviços de saúde.
Além disso, a empresa também informou que estuda "alternativas para o fortalecimento de sua estrutura de capital", o que pode incluir a possibilidade de emissão de novas ações em um aumento de capital.
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As declarações aumentam as dúvidas do mercado sobre a posição do caixa da companhia. Isso porque no último trimestre a dívida líquida da operadora de saúde aumentou em quase R$ 700 milhões, indo a R$ 7,1 bilhões.
A reação negativa do mercado é compreensível — quase uma confirmação de que as preocupações levantadas pelo balanço são legítimas.
Em relatório, analistas do Itaú BBA lembram que a companhia está submetida a requisitos que limitam o uso do caixa para honrar dívidas — uma vez que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) obriga a existência de uma reserva regulatória —, e que a menção de um aumento de capital como opção para solucionar o problema — em um momento de forte pressão nos papéis — pode indicar que o cenário está mais estressado do que o inicialmente esperado.
Apesar de ver como negativo a sinalização da companhia, os analistas parecem ver com bons olhos o fato que a companhia já apresenta alternativas
Os números da Hapvida que assustaram o mercado
No quarto trimestre de 2022, a Hapvida registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 316,7 milhões. Um ano antes, quando a companhia ainda não havia consolidado os resultados com a NotreDame Intermédica, o lucro havia sido de R$ 200,2 milhões.
O lucro líquido ajustado no último trimestre de 2022 foi de R$ 161,14 milhões. Já o Ebitda consolidado foi de R$ 528,9 milhões. A receita líquida atingiu a casa de R$ 6,502 bilhões entre outubro e dezembro de 2022, 150,2% acima do quarto trimestre de 2021.
O avanço do tíquete médio foi visto como um dos poucos pontos positivos pelos investidores. Os preços tiveram alta de 3,8% no segmento de saúde, mas recuaram 5,3% nos planos odontológicos. A base de beneficiários também subiu — 0,6% na Hapvida e 1,8% na NDI. No consolidado, o crescimento anual foi de 113,6% no segmento saúde e 112,9% no odonto.
Outro ponto positivo e que agradou os analistas no meio dos resultados insatisfatórios foi o crescimento orgânico da base de clientes. Nos últimos três meses, foram adicionadas 503 mil vidas. Os cancelamentos totalizaram 403 mil pessoas — com um saldo de 103 mil vidas.
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