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A operação será realizada para capitalizar dívidas e fortalecer o caixa da empresa, mas implicará em uma grande diluição para os acionistas
O ano não foi muito bom para as ações da Alphaville (AVLL3), que recuam mais de 10% em 2023. Mas o resultado seria ainda pior não fosse o dia de glória que a urbanizadora vive na B3 nesta segunda-feira (18).
Os papéis chegaram a subir quase 30%, com a cotação tocando os R$ 7,14 na máxima do dia. Agora, por volta das 17h, o salto arrefeceu, mas a companhia ainda registra fortes ganhos de 22,7%, a R$ 6,27.
Por trás da alta está um anúncio de que a companhia — que ganhou fama com os condomínios de alto padrão na década de 70, mas enfrentou dificuldades financeiras nos últimos anos — fará um aumento de capital privado de, no mínimo, R$ 677 milhões e, no máximo, R$ 1,2 bilhão, de acordo com a demanda.
A operação será realizada para capitalizar cerca de R$ 537 milhões em dívidas da companhia. Haverá ainda um aporte de R$ 140 milhões para reduzir as obrigações com bancos e reforçar o caixa.
Quem assinará parte do cheque é o Fundo Ulbrex, que ainda não investe na empresa; já o restante do dinheiro virá de fundos do Pátria, que já é o maior acionista da Alphaville.
Os investidores comprarão debêntures da companhia e de uma antiga subsidiária da empresa que totalizam R$ 537 milhões. Haverá ainda um reperfilamento de outros R$ 493 milhões em títulos, que passarão a ter vencimento em 10 anos, com carência de três para pagamento de juros e principal.
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“Estamos dando um passo importante na adequação da nossa estrutura de capital com a entrada de novos recursos vindo de investidores com visão de longo prazo e que enxergam o potencial de crescimento da companhia”, afirma, em nota, Klausner Monteiro, CEO da empresa.
De volta ao aumento de capital, a operação será realizada a um preço de R$ 5 por ação. A cifra é 2,15% inferior à cotação dos papéis da Alphaville no último pregão antes do anúncio.
Além do pequeno desconto, o aumento resultará, de acordo com os cálculos do BTG Pactual, em uma diluição "massiva" de até 85% para os atuais acionistas.
Ainda assim, o banco de investimento considera que a melhora no endividamento — que será reduzido em cerca de 80% — e no caixa da companhia compensará a diluição.
O BTG elevou a recomendação dos papéis AVLL3. "Com grande queda nos riscos, muito melhores perspectivas de lucro, um valuation atrativo e um preço-alvo R$ 9,9, aproveitamos a oportunidade para atualizar as ações para compra", escrevem os analistas Elvis Credendio e Gustavo Cambauva.
O preço-alvo definido pelo banco implica em uma alta de mais de 57% para os papéis.
Companhia já vinha operando sob restrições desde outubro; no ano passado, a Refit foi alvo de operações da Polícia Federal, acusada de fazer parte de um grande esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro
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