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O crescimento da procura por stablecoins também pode afetar o cenário tributário e regulatório das criptomoedas no Brasil
Um levantamento da Receita Federal constatou um “crescimento significativo” no uso das chamadas stablecoins. A pesquisa, que é realizada mensalmente desde 2019, revelou que a criptomoeda Tether foi a moeda que obteve maior destaque.
“No período observado pelo Fisco foi negociada [a Tether] em patamar acumulado superior a R$ 271 bilhões, quase o dobro do volume do Bitcoin no mesmo período (mais de R$ 151 bilhões)”, informou a Receita.
O aumento da procura pode ser um indicativo da visão do mercado sobre a economia brasileira - e a percepção não é positiva. A alta na compra do criptoativo está conectada a uma perspectiva de aumento de risco no país.
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As stablecoins, ao contrário do bitcoin (BTC), costumam manter paridade com moedas oficiais, como o dólar, ou com ativos, como, por exemplo, commodities.
O criptoativo, então, é procurado para proteger o patrimônio das flutuações do câmbio local e utilizado para a compra de dólar sem passar por instituições financeiras, tornando o valor mais barato.
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Além de garantir mais estabilidade, as stablecoins ampliam as possibilidades de uso, servindo, inclusive, para pagamentos.
Por isso, as stablecoins possuem alta procura em países em crises econômicas, como na Argentina e Venezuela. Ambos possuem taxa de inflação na casa dos três dígitos e alta desvalorização da moeda.
No caso da Argentina, as eleições em curso e a crise política agravam o cenário, fazendo a inflação anual chegar a 138,3% e o peso argentino derreter no mercado.
Com a limitação do governo para que a população tenha acesso a uma reserva de valor, os investidores passaram a buscar refúgio nas stablecoins que têm paridade com a moeda norte-americana.
Segundo pesquisa da Chainalysis, no início de outubro, os hermanos ganhavam com folga do Brasil na compra do criptoativo.
As duas stablecoins mais negociadas no Brasil – USDT (Tether) e a USDC – têm paridade com o dólar norte-americano. Outra bastante utilizada no país é a BRZ, que tem a paridade com o Real.
“A partir da análise de dados públicos é possível observar uma mudança significativa no perfil das transações envolvendo criptomoedas nos últimos anos. A negociação de Bitcoin e outras criptomoedas foi superada em larga escala pela movimentação de stablecoins como o Tether”, diz o levantamento da Receita Federal.
Essa mudança de comportamento chama atenção da Receita porque pode refletir significativamente no cenário tributário e regulatório das criptomoedas no país.
*Com informações da Agência Brasil
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