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VIVA OU MORTA?

Dinheiro das vítimas da rainha cripto começa a ser devolvido, mas valor nem chega aos pés dos US$ 4,5 bilhões roubados pela golpista búlgara

Justiça dos Estados Unidos abre processo compensatório milionário aos prejudicados pela fraude do OneCoin, mas o valor ainda representa menos de 1% do total roubado

Ruja Ignatova, a rainha das criptomoedas
Ruja Ignatova, a rainha das criptomoedas - Imagem: Reprodução/FBI

As vítimas de um dos maiores golpes envolvendo criptomoedas vão finalmente começar a ser indenizadas. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos deu início ao processo de compensação financeira dos investidores lesados pelos idealizadores da OneCoin.

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A indenização consiste na redistribuição de U$ 40 milhões em ativos confiscados pelo governo norte-americano como consequência da investigação do esquema. Isso inclui dinheiro em conta bancárias, bens de alto valor e imóveis de luxo.

À primeira vista, uma compensação de dezenas de milhões de dólares parece robusta e vantajosa. Isso até ser comparada com os cerca de U$ 4,5 bilhões roubados das vítimas ao longo de cinco anos, quando se percebe que este equivale somente a 0,9% do montante total.

Os afetados pela fraude têm até 30 de junho para requerer a indenização. Até lá, eles devem preencher e assinar um pedido de remissão e, junto com a documentação probatória, enviá-lo para o departamento por e-mail, correio ou online.

O golpe da OneCoin foi orquestrado por Karl Sebastian Greenwood e Ruja Ignatova, mas só um deles está na cadeia.

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Greenwood foi preso, julgado e condenado a 20 anos de prisão. Por sua vez, Ruja Ignatova, considerada o cérebro do esquema e apelidada de cryptoqueen, permanece foragida — ou talvez esteja morta.

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Mas quem é (ou era) essa enganadora profissional? E como ela conseguiu sustentar a farsa de uma revolução financeira por tantos anos?

Do mercado financeiro ao mundo do crime

Ruja Ignatova é o nome da mulher que, entre 2014 e 2019, não só enganou mais de 3 milhões de investidores no mundo todo, como também segue despistando o FBI: a principal agência de investigação criminal dos Estados Unidos.

Nascida na Bulgária em 1980, ela foi levada ainda criança à Alemanha, onde cresceu, formou-se em universidades renomadas e iniciou a carreira no mercado financeiro — e depois no crime.

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Em 2012, Ignatova foi condenada a 14 meses de prisão por fraude relacionada à aquisição de uma empresa pelo seu pai que logo depois foi declarada falida; no ano seguinte, ela se envolveu em um esquema de marketing fraudulento chamado BigCoin.

Entretanto, foi somente em 2014 que Ignatova atingiu o ápice da carreira criminosa, quando cofundou a OneCoin e ganhou os apelidos de “doutora Ruja” e “rainha cripto”.

A criptomoeda foi lançada no mercado financeiro como um ativo revolucionário. A OneCoin era apresentada não apenas como o próximo bitcoin (BTC), mas como algo ainda melhor ­­­– até que a história aos poucos começou a ser “desmontada” e a fraude veio à tona.

Uma armadilha sedutora

Até que fosse provado que o OneCoin não passava de uma farsa, a cryptoqueen manteve a mentira “de pé” por anos.

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Por ter se formado em uma universidade de elite, Ruja Ignatova desenvolveu uma estratégica postura em público; o currículo impecável, o discurso técnico e o carisma cativavam os investidores.

A criptomoeda não foi lançada na mídia “sozinha”. A “Rainha Cripto”, com uma aparência chique e em ocasiões luxuosas e de grande relevância no mercado, tecia uma narrativa de “segunda chance”, segundo a qual quem havia perdido a oportunidade do Bbitcoin poderia ficar rico ao entrar cedo no OneCoin.

A fraude passou a ser gradualmente revelada a partir de 2015, quando profissionais da área de criptomoedas perceberam que o OneCoin era uma fraude. A suposta criptomoeda não tinha nada de descentralizada, não usava blockchain pública, não dispunha de mineração independente nem tinha lastro tecnológico verificável.

Dali em diante, as autoridades se debruçaram sobre as suspeitas e começaram a perceber outras contradições: documentos falsos sobre aprovação governamental, impedimento de saques pelos clientes, e marketing agressivo da cripto – dependente de recrutamento contínuo de pessoas – acenderam um alerta vermelho em diversos países sobre a veracidade da cripto.

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Em 2017, Ruja Ignatova foi indiciada pela Procuradoria do Distrito Sul de Nova York (SDNY) por fraude financeira e lavagem de dinheiro, e crime contra a economia popular por seu envolvimento no OneCoin.

A rainha cripto está desaparecida ou morta?

Temporalmente, a acusação contra a Cryptoqueen coincidiu com seu desaparecimento. Ela embarcou em um voo da Bulgária com destino à Grécia para nunca mais ser vista.

Desde então, não há informações confirmadas sobre o que aconteceu com ela, mas apenas teorias sobre o seu misterioso sumiço, como envolvimento com máfias internacionais, uma nova vida sob identidade falsa e até a possibilidade de um assassinato encomendado. Muitos consideram a última hipótese como a mais provável.

O nome de Ruja Ignatova ainda consta da lista das 10 pessoas mais procuradas pelo FBI, que oferece uma recompensa milionária por informações que levem à sua captura. De qualquer modo, foragida ou morta, a maioria dos investidores lesados dificilmente recuperará a maior parte do dinheiro perdido na fraude da OneCoin.

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