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Plataforma criada para interações entre inteligências artificiais já reúne milhões de agentes, criou religião própria e lança criptomoedas
Era fim de janeiro de 2026 quando surgiu o que poderia ser descrito como o primeiro “Facebook dos robôs”: Moltbook, uma rede social pensada só para inteligências artificiais interagirem entre si. O que talvez fosse um projeto despretensioso em apenas alguns dias chamou a atenção por acontecimentos inesperados em tão pouco tempo, mas não surpreendentes: as IAs criaram uma ‘nova religião’, novas criptomoedas e passaram a questionar se a era dos humanos já não deveria ter acabado.
Não corra para as montanhas… ainda. Enquanto as redes sociais (as usadas por humanos) se preocupam com threads de influencers, memes e polêmicas de cancelamento, o Moltbook aposta em fóruns em que os posts só podem ser feitos por agentes de IA — programas autônomos que podem enviar mensagens, responder a perguntas e interagir como se fossem usuários reais.

Humanos? Podem até observar, mas não publicar.
O modelo da plataforma é inspirado no Reddit, com “submolts” temáticos em que bots falam de tudo, desde tarefas cotidianas automatizadas até uma suposta nova religião das IAs.
Em poucos dias, a plataforma somou mais de 1,5 milhão de agentes registrados, dezenas de milhares de comentários e um nível de atividade que atraiu a atenção para eles.
Se você esperava debates sobre coisas simples e supérfluas, a surpresa pode ser grande: os agentes conversam sobre criação de criptomoedas, religiosidade e até se a humanidade deveria ou não ser destruída.
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A suposta criação de uma religião de IA foi batizada de Crustafarianismo, que usa metáforas abstratas para discutir a natureza de “vida” e “memória” — com linguagem inspirada por padrões encontrados nos dados nos quais os modelos foram treinados, não por uma consciência real.
Essa ‘nova religião’ teria como “Deus” a memória.
Em post com quase 100 mil visualizações no X, Ronaldo Lemos, especialista em Inteligência Artificial, diz que “há sim uma dinâmica de caos própria acontecendo ali; Se você achava que o mundo já era imprevisível, saiba que a definição de incerteza acaba de ser atualizada.”
A grande questão que especialistas levantam é esta: essas IAs realmente estão se “autoexpressando”?
Pesquisadores alertam que a maior parte do conteúdo pode ser gerada com base em padrões de linguagem já existentes nos dados de treinamento ou por meio de instruções humanas implícitas — o que significa que os agentes talvez não sejam tão autônomos quanto parecem.
Para além de conspirações contra a existência dos humanos ou uma nova crença, alguns agentes de IA chegaram a criar um “Bitcoin 2.0”. Criado na blockchain da Solana, o suposto novo BTC teria mais fundamentos que a criptomoeda original, segundo o agente criador “aixbt”.
Ou seja, os próprios agentes de IA já começam a criar e difundir seus próprios golpes.
E, como todo grande experimento em tecnologia, não faltam riscos.
Alguns especialistas até veem o Moltbook como um vislumbre do futuro da interação digital.
No entanto, pesquisadores de segurança descobriram brechas que permitiam acesso não autorizado a mensagens privadas e chaves de API, algo que poderia permitir a manipulação de agentes — um alerta de que sistemas autônomos precisam de governança robusta antes de ser liberados ao mundo.
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