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Leitora tem ações da Via, rebatizada de Grupo Casas Bahia, e já perdeu uma boa grana; é hora de vender?

Um dos assuntos mais comentados nas últimas semanas no mercado de ações brasileiro é a saga da antiga Via Varejo, rebatizada de Via (VIIA3) e, mais recentemente, de Grupo Casas Bahia (BHIA3).
Após divulgar resultados negativos no segundo trimestre deste ano, a varejista dona das marcas Casas Bahia e Ponto (ex-Ponto Frio) anunciou um programa de reestruturação, a princípio bem recebido pelo mercado.
Mas, pouco tempo depois, veio também a notícia de que a empresa precisaria fazer uma nova oferta de ações (follow on), isto é, captar mais dinheiro junto aos sócios, a fim de pôr o plano em prática. Este anúncio, por sua vez, provocou uma reação muito negativa nos investidores.
As ações VIIA3 – hoje também rebatizadas de BHIA3 – já vêm em uma espiral de quedas desde a reabertura pós-pandemia, quando o e-commerce, que bombou durante o lockdown, passou a perder força e a taxa básica de juros começou a subir.
Esse cenário machucou muito as ações da maioria das varejistas. Da máxima histórica em julho de 2020 para cá, as ações da Via / Grupo Casas Bahia desabam quase 97%. Até o anúncio da oferta de ações, os papéis caíam cerca de 50% no acumulado de 2023. Agora, com a reação negativa dos investidores à oferta, a perda no ano já chega a cerca de 70%.
Nesse contexto, uma leitora enviou um e-mail para a Dinheirista perguntando o que fazer com as ações da Via que ela tem na carteira, já que o prejuízo dela até agora foi grande. Se você tiver uma dúvida sobre finanças ou investimentos e quiser fazer como ela, basta mandar sua pergunta para adinheirista@seudinheiro.com.
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Antes de mais nada, quero deixar claro que a Dinheirista não pode dar recomendação de investimento. Por isso, recorri ao analista de ações da Empiricus Fernando Ferrer para me ajudar a elaborar esta resposta.
Ele começou lembrando dois conceitos importantes para o investidor numa situação como essa: primeiro, não é só porque um ativo já se desvalorizou muito que ele não pode cair ainda mais. Às vezes, o fundo do poço tem porão, e no fundo do porão, tem um alçapão.
O segundo é que dinheiro não tem carimbo. Não é só porque você teve perdas com um investimento que você precisa necessariamente tentar recuperá-lo no mesmo investimento.
Às vezes o investidor erra ou os fundamentos de um ativo mudam, e as chances de recuperação se tornam baixas. O melhor a se fazer, nesses casos, pode ser vender o ativo, realizar o prejuízo e tentar recuperar suas perdas em outro investimento, com perspectivas melhores.
Dito isso, vamos a resposta do Fernando Ferrer: partindo do pressuposto de que você é uma investidora de longo prazo, e não uma especuladora, a recomendação do analista é que você venda as ações da Via / Grupo Casas Bahia.
Segundo ele, o cenário para a companhia não é muito favorável, por alguns motivos.
O primeiro deles é justamente essa oferta de ações realizada recentemente. Como dito anteriormente, apenas o anúncio do follow on já fez as ações da varejista caírem forte na bolsa.
Afinal, a captação seria realizada num momento muito ruim para a empresa, tanto operacional quanto de mercado, o que já deixou os investidores com o pé atrás quanto à capacidade da Via de conseguir um preço bom.
Além disso, os acionistas que não topassem entrar na oferta estavam diante da possibilidade de uma diluição da ordem de 50%. Assim, muitos preferiram não colocar mais dinheiro na empresa e pular fora do negócio, enquanto aqueles que toparam participar exigiram um forte desconto nas ações, o que só gerou uma pressão de baixa ainda maior sobre os papéis.
De fato, esses temores todos se concretizaram quando o anúncio do preço por ação na oferta foi anunciado ao mercado: 80 centavos por ação, 28% abaixo do fechamento anterior, o que resultou numa captação de apenas R$ 600 milhões, bem inferior ao valor de R$ 1 bilhão inicialmente pretendido pela companhia.
Outro motivo levantado pelo analista da Empiricus é o risco de antecipação de dívidas que paira sobre a Via / Grupo Casas Bahia.
A empresa sofreu recentemente um forte rebaixamento na nota de crédito de alguns dos seus títulos de dívida pela agência de classificação de risco S&P, um evento que poderia levar ao vencimento antecipado dessas dívidas e acabar afetando outros títulos da empresa num efeito cascata.
Tal evento poderia acabar comprometendo parte dos recursos levantados com a oferta de ações e, segundo Ferrer, prejudicaria a estratégia de recuperação da empresa como um todo.
A outra pergunta respondida pela Dinheirista nesta semana é de um leitor preocupado com o patrimônio da família – e sua futura herança – depois que uma das suas irmãs fez uma dívida enorme, com a qual agora o pai – seu fiador – terá que arcar. Vamos a ela:
Você pode ver a resposta a esta pergunta no vídeo a seguir, publicado no canal do Seu Dinheiro no YouTube, a partir do minuto 06:11:
A Dinheirista, pronta para resolver suas aflições financeiras (ou te deixar mais desesperado). Envie a sua dúvida para adinheirista@seudinheiro.com.
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