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Para Felipe Miranda, fundador da Empiricus, apesar de hoje ter aumentado a chance de “governo medíocre virar um governo trágico”, podemos encontrar grandes oportunidades
“Se você não está pessimista com o Brasil,
você está mal informado”CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE— Faria Lima Elevator
Os sinais de que o novo governo não começou são óbvios, basta ver a reação dos mercados e a mudança no tom dos discursos de gestores até então “otimistas” com a vitória do Lula.
A crítica ao governo é vital neste momento: são essas reações que podem fazer com que a “velha-nova” equipe política perceba que está caminhando na direção errada.
Mas como bem disse ontem Rogerio Xavier (gestor da SPX) na mensagem que correu em vários grupos de mercado no Whatsapp: “Não vejo quem nesse governo irá falar que está caminhando rapidamente para o precipício (...) A velocidade da piora pode ser mais rápida do que imagino e consequências seriam graves”, disse um dos maiores gestores do Brasil, para justificar por que “não tem como ficar [investido] no Brasil.”
Eu não estou aqui para te provar que os pessimistas estão errados: quando as luzes estão acendendo, sobraram só os bêbados e o DJ começa a tocar músicas melancólicas, é melhor admitir que a festa acabou e o melhor a fazer é ir pra casa.
Mas, continuando a paródia acima, amanhã sempre poderá haver uma nova festa.
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No final de 2022, fiz uma live com Felipe Miranda, fundador da Empiricus, e Pedro Chermont, gestor da Leblon Equities.
Essa conversa trouxe um conforto em entender que, apesar de hoje ter aumentado a chance de “governo medíocre virar um governo trágico”, nas palavras do Miranda, mesmo assim podemos encontrar grandes oportunidades.
Aliás, é justamente nestas horas que elas aparecem. E o Chermont, que atua profissionalmente como investidor de ações há 28 anos, deu alguns motivos para acreditar nisso.
“Fazemos um cálculo aqui na Leblon para estimar o upside (potencial de valorização) da nossa carteira, ponderado por uma taxa de desconto. Hoje este upside está em 90% mesmo assumindo uma taxa bem alta, de 14%. O efeito prático disso: temos presenciado recompras de ações, M&As (sigla em inglês para Fusões e Aquisições) e outras transações entre empresas”, disse Chermont.
Outro exercício que o gestor da Leblon fez foi analisar o que aconteceu nos anos de maiores altas do Ibovespa: “nos últimos 25 anos, os 3 anos que a bolsa mais subiu foram 1999, 2003 e 2009. Fomos pesquisar o que as pessoas e as notícias diziam sobre o Brasil antes do início desses anos de alta. As semelhanças das manchetes de 2002 após a eleição do Lula naquela época com as de agora são grandes”.
O pragmatismo de Chermont não se traduz apenas em palavras: ele contou que aumentou de 15% pra 30% a posição em mid e small caps nas carteiras dos fundos da Leblon.
Ele também aumentou Renner e B3 para as maiores posições do fundo (10% cada).
“A Renner é antifrágil, sou fã dela há 20 anos. Ela conseguiu crescer 40% num quadriênio em que o varejo caiu”.
O último estudo compartilhado pelo gestor da Leblon compara o desempenho do fundo dele e do próprio Ibovespa contra o título Tesouro IPCA (antiga NTN-B) quando ela bateu “IPCA + 6%”.
Nas janelas mais longas, tanto o Ibovespa quanto o fundo da Leblon bateu o Tesouro IPCA.
“Isso é pouco intuitivo, mas temos que comprar ações quando o juro sobe e a NTN-B está pagando alto”, conclui.
É difícil manter a serenidade enquanto ouvimos nossos governantes falarem em “antirreforma da previdência”, confundindo CVM com CMN, chamando teto de gastos de imbecilidade, entre outras coisas que ouvimos nestes poucos dias do ano.
Por isso, ouvir este discurso de um investidor que já viu todo tipo de crise (e não só sobreviveu a elas como ganhou dinheiro!) traz pelo menos um conforto para entender que isso também passará.
Hoje a festa hoje está ruim, mas sempre haverá uma nova sexta-feira.
Sugiro que todo investidor acompanhe esse papo que fiz com o Felipe e o Pedro. Confira no Youtube (disponível em breve) e também nas plataformas de podcast (Spotify).
Forte abraço,
Thiago Salomão
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