Sem intervenção do governo e com preços internacionais: saiba como deve ser a gestão de Jean Paul Prates na Petrobras (PETR4)
Após a declaração, as ações preferenciais de Petrobras (PETR4) deixaram o tom negativo do Ibovespa e avançaram quase 4%. Por volta das 16h40, os papéis da estatal operavam em alta de 3,36%, a R$ 23,09

Indicado pelo governo Lula para ser o próximo presidente da Petrobras (PETR4), o senador Jean Paul Prates afirmou que, em sua avaliação, todo preço de combustíveis terá referência internacional e que não haverá intervenção no preço do produto.
"A Petrobras reage a contextos", disse Prates a jornalistas após participar da posse do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), como ministro do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços.
"Nós vamos criar a nossa política de preços para os nossos clientes, para as pessoas que compram da Petrobras. [...] Mercado é aberto, importação está aberta, a Petrobras tem como concorrente todas as refinarias do mundo", afirmou Prates, que ainda precisa ter o nome aprovado para presidir a Petrobras.
Ao reforçar que não haverá intervenção nos preços, o senador avaliou que foi mal interpretado no passado sobre o tema. "Uma vez falei quem faz política de preços é o governo e interpretaram que eu estava dizendo que iria intervir porque era do governo. Não. Mas é o governo quem cria o contexto e o mercado também. Principalmente o mercado, se falta ou sobra produto", disse.
Após a declaração, as ações preferenciais de Petrobras (PETR4) deixaram o tom negativo do Ibovespa e avançaram quase 4%. Por volta das 16h40, os papéis da estatal operavam em alta de 3,36%, a R$ 23,09. Confira a cobertura completa de mercados, clique aqui.
Preço de referência regionalizado
O indicado pelo governo à presidência da Petrobras, Jean Paul Prates, reforçou a ideia sobre discutir um preço de referência regionalizado para os combustíveis. Ele destacou que o assunto ainda será discutido nos fóruns adequados.
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"É uma ideia minha que a gente vai discutir dentro do fórum adequado, que é o CNPE, o presidente da República, o ministro da Fazenda, o MME, a ANP, a EPE, são várias entidades. Se dependesse de mim, a gente levaria uma ideia em que a ANP [Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis] como órgão regulador desse uma referência de preço regionalizado", disse Prates sobre a proposta de preços de referência regionalizados.
O senador falou sobre essa ideia ainda quando auxiliava o presidente Lula na campanha presidencial, conforme mostrou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
À época, ele explicou que o cálculo poderia ponderar o peso do mercado importador de derivados e a produção nacional, extinguindo o atual Preço de Paridade de Importação (PPI), adotado a partir do governo Temer, em 2016.
Segundo Prates, essa fórmula de preços não seria imposta às empresas, mas funcionaria como referência ao mercado, a partir de divulgação pela ANP.
Em sua avaliação, o desenho do preço de referência não precisaria ser aprovado pelo Congresso, mas indicou não ver problemas se o Parlamento participar do debate.
"Todo preço vai ser vinculado internacionalmente de alguma forma. A diferença entre PPI, paridade de importação e paridade internacional. Uma coisa é você ter o internacional como referência, outra coisa é se guiar por preço de refinaria estrangeira mais o frete para chegar aqui, totalmente diferente. Paridade de importação é o que para nós não faz muito sentido, em alguns casos, então isso vai ser trabalhado devidamente", disse Prates.
Sem definições na diretoria da Petrobras
Por fim, o senador Jean Paul Prates disse que ainda não tem o desenho da diretoria que deve empossar quando assumir a estatal. "Estou compondo ainda (as diretorias)", afirmou ao sair da cerimônia de transmissão de cargo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ao vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), que comandará a pasta.
Prates disse que, de acordo com as regras previstas pelo estatuto da Petrobras, ele deve assumir a companhia dentro de oito a dez dias.
A Petrobras informou na manhã desta quarta-feira (4), em fato relevante, que o Conselho de Administração aprovou o encerramento antecipado do mandato de Caio Mário Paes de Andrade no comando da Petrobras. Ainda, a companhia nomeou o diretor executivo de Desenvolvimento da Produção, João Henrique Rittershaussen, como presidente interino até a eleição e posse de novo presidente.
*Com informações de Estadão Conteúdo
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