Por que as ações do Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3) amargam mais um dia de forte queda na B3
As varejistas aceleram as perdas mesmo com o alívio dos juros futuros; os papéis BHIA3 caíram 8% e MGLU3 recuou quase 5%

Parece replay mas não é. As ações das varejistas seguem novamente entre as maiores quedas da B3 neste último pregão da semana. O destaque negativo fica mais uma vez para Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3), que lideram as baixas do Ibovespa .
E olha que as ações tinham tudo para se recuperar do baque recente. Afinal, os juros futuros (DIs) operam hoje relativamente comportados, o que tira uma fonte de pressão sobre os papéis.
As taxas dos juros longos mexem com as varejistas porque balizam o custo do crédito das operações das companhias.
Porém, mesmo com o alívio nos DIs, as ações das Casas Bahia (BHIA3) e do Magazine Luiza (MGLU3) lideraram a ponta negativa na B3 nesta sexta-feira (22). Os papéis BHIA3 terminaram o pregão com queda de 8,11%, já os MGLU3 caíram 4,68%.
Com a queda de hoje, os papéis da antiga Via já acumulam uma desvalorização de mais de 70% neste ano. O Magalu está em uma situação melhor na B3, mas vem engatando uma sequência de baixas e agora registra uma perda de quase 20% em 2023.
Além da mudança na perspectiva para os juros de longo prazo, os investidores seguem preocupados com a situação financeira das varejistas. Em especial da Casas Bahia, que acaba de fazer uma oferta de ações para tentar reequilibrar o balanço.
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Casas Bahia (BHIA3) em queda livre
Há pelo menos dois anos, a recém-nomeada Casas Bahia (BHIA3) tenta reorganizar as contas.
As preocupações com o endividamento da companhia ganharam força com os sucessivos aumentos na taxa Selic, entre março de 2021 e agosto de 2022, para conter a alta da inflação. No período, a taxa básica de juros saltou de 2% até 13,75% ao ano.
O que refletiu rapidamente no desempenho das ações. Vale lembrar que os juros em níveis mais altos por mais tempo limitam o acesso ao crédito, e consequentemente, reduzem os investimentos – inclusive nas bolsas de valores.
E, apesar do Banco Central já ter iniciado o ciclo de cortes na taxa Selic, a expectativa é de que pouca coisa deve melhorar nas contas da antiga Via.
Recentemente, a companhia traçou um plano para trazer mais de R$ 3 bilhões em receitas, entre venda de ativos e corte de custos.
Entre as estratégias adotadas, a empresa lançou mão de uma oferta pública de ações (follow-on), no início de setembro. A expectativa era levantar quase R$ 1 bilhão com a operação, mas a captação ficou abaixo do previsto.
Com um preço de R$ 0,80 por ação e a emissão de 78.649.283 novos papéis, a oferta movimentou R$ 623 milhões.
- Há ‘salvação’ para a Casas Bahia (BHIA3)? Analistas indicam outra ação do varejo que pode se beneficiar da derrocada de VIIA3. Confira:
E o Magazine Luiza?
O Magazine Luiza enfrenta o mesmo vento contrário da Casas Bahia. A empresa sentiu a desaceleração do comércio eletrônico com o fim da pandemia, ao mesmo tempo em que a alta dos juros pesou sobre as despesas financeiras da varejista.
A empresa de Luiza Trajano vem apresentando sucessivos prejuízos e queima de caixa operacional. A expectativa de virada com o início do ciclo de cortes da Selic, em agosto, acabou sendo frustrada com a piora recente dos mercados.
E quem está subindo hoje?
Já na ponta positiva, as ações do Carrefour (CRFB3) se destacam na liderança dos ganhos do Ibovespa, com alta superior a 2%.
Os papéis são beneficiados pelo recuo das ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), após o Santander rebaixar a recomendação de compra para neutra, acompanhado do corte no preço-alvo de R$ 35 para R$ 5,70.
Em dia de agenda esvaziada e sem novidades sobre a companhia, o movimento de alta faz parte de um reajuste de posições dos investidores após a cautela com as decisões dos bancos centrais.
Outras ações que chamam a atenção hoje na B3 são as da resseguradora IRB (IRBR3). A companhia reverteu o prejuízo líquido de R$ 58,9 milhões de julho de 2022 para lucro líquido de R$ 22,3 milhões no mesmo mês deste ano.
Com o resultado, o IRB acumula lucro de R$ 51 milhões nos primeiros sete meses deste ano. No mesmo período do ano anterior, a empresa amargou prejuízo de R$ 351,7 milhões.
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