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Nesses primeiros cinco anos de Seu Dinheiro, bitcoin teve o melhor desempenho, e dólar teve o pior; veja o balanço completo dos melhores e piores investimentos, ações e fundos imobiliários no período
Uma das empresas queridinhas dos investidores brasileiros, a Petrobras (PETR3; PETR4) não decepcionou na bolsa nos últimos anos. Com alta de 340% nas ações preferenciais e 279% nas ações ordinárias, os papéis da estatal ficaram entre as dez maiores altas do Ibovespa desde que o Seu Dinheiro entrou no ar, há cinco anos.
Porém, foi outra petroleira a campeã do Ibovespa no período: a ação mais valorizada do índice em cinco anos foi a da PRIO (PRIO3), antiga PetroRio, com um ganho de nada menos que 2.108%, um desempenho verdadeiramente estelar.
A título de comparação, o segundo e o terceiro lugares, ocupados, respectivamente, pelas ações preferenciais classe B da Copel (CPLE6) e pelas units do BTG Pactual (BPAC11), tiveram altas de pouco mais de 500% no período, bem distantes da primeira colocada.
O levantamento faz parte do nosso já tradicional balanço dos investimentos realizado em todos os aniversários do Seu Dinheiro desde que o site entrou no ar, em 24 de setembro de 2018.
No caso das ações, consideramos os papéis de empresas que já eram abertas em bolsa na época do nascimento do Seu Dinheiro e que integram o Ibovespa hoje. Veja a seguir quais foram as ações mais bem-sucedidas na bolsa nos últimos cinco anos:
| Empresa | Código | Variação em 5 anos |
| PRIO | PRIO3 | 2.108% |
| Copel PNB | CPLE6 | 539% |
| BTG Pactual | BPAC11 | 523% |
| Petrobras PN | PETR4 | 340% |
| WEG | WEGE3 | 292% |
| Petrobras ON | PETR3 | 279% |
| Cemig | CMIG4 | 268% |
| Eneva | ENEV3 | 251% |
| Totvs | TOTS3 | 227% |
| Equatorial | EQTL3 | 206% |
É certo que a alta do petróleo nesses últimos anos e a manutenção do seu preço em um patamar elevado, ao redor de US$ 100 o barril, beneficiou a Petrobras e a PRIO. Esta última, porém, tem sido vista como uma alternativa à estatal para aqueles que não querem se expor a riscos de ingerência política.
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A PRIO tem se destacado nos últimos anos pela compra de ativos maduros da Petrobras e por um bem-sucedido processo de redução dos custos de extração de petróleo, aponta o analista de ações da Empiricus Fernando Ferrer.
Sobre a Petrobras, Ferrer diz que, embora o receio de ingerência política permaneça sempre no radar dos investidores, “a companhia reforçou sua governança corporativa nos últimos anos, aumentando a blindagem contra o governo”.
Outro fator que contribuiu para o bom desempenho dos papéis da estatal no período foram os gordos dividendos distribuídos, que tornaram a companhia uma das principais pagadoras de proventos da bolsa brasileira.
Vale destacar ainda a resiliência dos papéis que têm permanecido entre os melhores do Ibovespa ano após ano, como é o caso do BTG Pactual (BPAC11) e da WEG (WEGE3).
Para Ferrer, os papéis do BTG podem ser considerados “all weather stocks”, isto é, ações para todas as estações. Ele destaca que o banco “tem reportado recorde atrás de recorde de receita e lucro líquido”, com boa atuação em diversas áreas e sem depender da tese do financial deepening (maior sofisticação dos investidores e sua migração dos bancos para corretoras independentes e fintechs) para se sair bem.
Já a WEG vem fazendo jus à sua fama de “queridinha” dos investidores. “Além de um track record consistente, a empresa possui boa governança, crescimento forte nos últimos anos, boa rentabilidade e capacidade de se reinventar ao longo dos anos. A localização das suas fábricas foi um grande diferencial competitivo ao longo da pandemia, fazendo com que ela ganhasse bastante mercado na Europa e se destacasse como uma das grandes valorizações nos últimos cinco anos”, avalia Ferrer.
Já na ponta negativa do Ibovespa, vemos muitas varejistas que sofreram com o esfriamento do e-commerce no pós-pandemia e com a disparada de inflação e dos juros no Brasil e no exterior que se seguiu.
Mas a maior baixa foi da CVC (CVCB3), com um recuo de 93%, que passou por um verdadeiro inferno astral: logo após a descoberta de erros contábeis no balanço veio a pandemia de covid-19, que praticamente paralisou o setor de turismo em 2020 e 2021.
A alta do dólar no período, a posterior escalada da Selic e, mais recentemente, a saída do então CEO Leonel Andrade, bem visto pelo mercado, contribuíram para machucar ainda mais as ações. Endividada, a empresa hoje tenta executar uma profunda reestruturação.
As ações da operadora de turismo conseguiram se sair ligeiramente pior que as da resseguradora IRB (IRBR3), outra empresa que tenta executar um turnaround após a revelação de fraudes no balanço no início de 2020 e até um vexame internacional envolvendo fake news com o nome do megainvestidor Warren Buffett.
Veja o ranking completo das dez maiores baixas do Ibovespa nos últimos 5 anos:
| Empresa | Código | Variação em 5 anos |
| CVC | CVCB3 | -93% |
| IRB | IRBR3 | -93% |
| Grupo Casas Bahia | BHIA3 | -89% |
| Cogna | COGN3 | -77% |
| Cielo | CIEL3 | -66% |
| Braskem | BRKM5 | -59% |
| Pão de Açúcar | PCAR3 | -58% |
| BRF | BRFS3 | -55% |
| Lojas Renner | LREN3 | -49% |
| Magazine Luiza | MGLU3 | -45% |
Quanto ao Ibovespa em si, o principal índice de ações da bolsa continuou girando em falso e acumula, nestes cinco anos, alta de 46%, apenas pouco mais que nas duas últimas edições do ranking.
O indicador permaneceu mais ou menos no meio da tabela. Aliás, as colocações meio que se mantiveram em relação ao ano passado, com o bitcoin em primeiro lugar, seguido do ouro e dos títulos públicos indexados à inflação, os Tesouro IPCA+, notadamente os de longo prazo.
As últimas colocações mudaram um pouco. Com a descompressão do dólar do ano passado para cá, a moeda americana passou a ocupar o último lugar da tabela.
O bem-sucedido ciclo de aperto monetário no Brasil – e a continuidade da alta de juros nos países desenvolvidos – também foi capaz de controlar a inflação, que agora perde da maioria das aplicações financeiras, com exceção da poupança nova (aquela que muda de regra de remuneração quando a Selic está baixa) e do dólar.
Veja o ranking completo:
| Investimento | Rentabilidade em 5 anos |
| Bitcoin (reais) | 377,01% |
| Bitcoin (dólar) | 291,37% |
| Ouro (OZ1D) | 94,43% |
| Títulos públicos Tesouro IPCA+ de longo prazo (IMA-B 5+) | 71,29% |
| Títulos públicos Tesouro IPCA+ (IMA-B) | 68,17% |
| Títulos públicos Tesouro IPCA+ de curto prazo (IMA-B 5) | 60,75% |
| Títulos públicos Tesouro Prefixado de médio prazo (IRF-M 1+) | 55,01% |
| Títulos públicos Tesouro Prefixado (IRF-M) | 51,81% |
| IFIX | 50,64% |
| Ibovespa | 46,03% |
| Títulos públicos Tesouro Prefixado de curto prazo (IRF-M 1) | 43,45% |
| Títulos públicos Tesouro Selic (IMA-S) | 43,01% |
| Selic / CDI | 42,43% |
| Poupança antiga* | 39,26% |
| Inflação oficial (IPCA) | 32,17% |
| Dólar à vista | 29,58% |
| Poupança nova* | 26,93% |
| Dólar PTAX | 20,65% |
Observação: em vez de utilizar o desempenho dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto – dado que, nos últimos cinco anos, muitos deles deixaram de ser oferecidos ou venceram – preferimos utilizar o desempenho dos índices calculados pela Anbima (Índices de Mercado Anbima – IMAs) que representam cestas de títulos públicos com determinados vencimentos.
Após uma forte queda em 2022, o bitcoin apresenta uma recuperação do ano passado para cá, agora que o ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos, que tanto prejudicou as cotações da criptomoeda, está avançado e (espera-se) chegando ao fim.
Isso também contribui para a recuperação do ouro, que também se beneficia, internacionalmente, dos temores dos investidores com uma possível recessão global.
O controle inflacionário no Brasil, o fim da alta da Selic e o posterior início de um ciclo de queda nos juros de 2022 para cá também contribuíram para a continuidade da valorização dos títulos públicos prefixados e indexados à inflação, que se valorizam quando os juros futuros caem.
Veja o desempenho, nos últimos cinco anos, de alguns títulos públicos que estavam disponíveis no Tesouro Direto em setembro de 2018 e que ainda não venceram:
| Título público | Desempenho em 5 anos |
| Tesouro IPCA+ 2035* | 80% |
| Tesouro Prefixado 2025 | 76% |
| Tesouro IPCA+ 2045* | 75% |
| Tesouro IPCA+ 2024 | 73% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 | 33% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2024 | 29% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2029 | 7% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2025 | 6% |
Têm sido beneficiados por esse cenário também os fundos imobiliários, que finalmente vêm apresentando uma recuperação mais forte após o impacto negativo da pandemia, sobretudo sobre os segmentos de shopping centers e escritórios.
Veja a seguir quais foram os melhores e piores FIIs nos últimos cinco anos, considerando aqueles que já eram negociados em bolsa em setembro de 2018 e que hoje integram o IFIX, o principal índice de fundos imobiliários da B3:
| Fundo imobiliário | Código | Variação em 5 anos |
| BTG Pactual Logística | BTLG11 | 172% |
| Iridium Recebíveis Imobiliários | IRDM11 | 152% |
| CSHG Renda Urbana | HGRU11 | 119% |
| CSHG Logística | HGLG11 | 113% |
| Alianza Trust Renda Imobiliária | ALZR11 | 108% |
| Maxi Renda | MXRF11 | 103% |
| XP Log | XPLG11 | 102% |
| Rio Bravo Renda Varejo | RBVA11 | 100% |
| Ourinvest JPP | OUJP11 | 97% |
| Rec Recebíveis Imobiliários | RECR11 | 87% |
| Fundo imobiliário | Código | Variação em 5 anos |
| RBR Properties | RBRP11 | -7,44% |
| BTG Pactual Corporate Office | BRCR11 | -2,17% |
| JS Real Estate Multigestão | JSRE11 | 10,99% |
| BB Progressivo II | BBPO11 | 26,95% |
| Brasil Plural Absoluto Fundo de Fundos | BPFF11 | 31,20% |
| Rio Bravo IFIX | RBFF11 | 34,30% |
| Banestes Recebíveis Imobiliários | BCRI11 | 39,69% |
| Kinea Rendimentos Imobiliários | KNCR11 | 42,72% |
| Rio Bravo Renda Corporativa | RCRB11 | 43,18% |
| Kinea Índice de Preços | KNIP11 | 43,24% |
Apesar de a queda nos juros futuros ter contribuído para a valorização desses ativos e aberto espaço para novas altas da bolsa, temores dos investidores em relação às contas públicas continuam no horizonte.
Eis um sentimento que se manteve praticamente inalterado nesses últimos cinco anos. Nesse meio tempo tivemos duas trocas de governo bastante tensas, pandemia, explosão e posterior controle da inflação, ciclos de alta e queda de juros e até algumas reformas estruturais, mas os momentos de alívio em relação ao fiscal acabaram sendo pontuais, o que tem dificultado voos maiores do Ibovespa e de outros ativos de risco.
Assim, embora tenha havido avanços nessa frente desde o ano passado – com a aprovação do arcabouço fiscal após sucessivos furos no teto de gastos e o encaminhamento da reforma tributária no Congresso – o fiscal ainda inspira cautela nos investidores.
Desde o início da pandemia, em 2020, porém, que o cenário externo também não ajuda muito neste sentido.
Primeiro tivemos todas as preocupações econômicas com a covid-19; em seguida, o mundo viu uma escalada da inflação, seguida de um forte aperto monetário, inclusive nos países ricos. Agora, o temor passou a ser de uma recessão no mundo desenvolvido por causa da alta de juros, que ainda não conteve os preços de maneira satisfatória e, por isso, não terminou.
Até mesmo a China vem decepcionando. As expectativas do mercado para o Gigante Asiático eram de um forte desempenho na reabertura pós-pandemia, num país que já havia prolongado excessivamente as medidas sanitárias restritivas contra a covid-19.
Porém, o boom econômico não veio, os indicadores têm se mostrado fracos e o mercado imobiliário chinês está em crise, o que impacta diretamente as ações de exportadoras de commodities, que têm grande peso no Ibovespa – caso da Vale (VALE3).
Nos dois primeiros anos do Seu Dinheiro, o movimento global de queda nos juros, intensificado durante as fases mais agudas da pandemia de covid-19, foi a grande tônica dos mercados financeiros, impulsionando ações e fundos imobiliários, valorizando os títulos de renda fixa prefixada e atrelada à inflação, que tipicamente se beneficiam da queda nos juros futuros, e reduzindo o retorno da renda fixa mais conservadora.
Isso obrigou a pessoa física a deixar o conforto da sua caderneta de poupança e diversificar seus investimentos. Desde a estreia do Seu Dinheiro em 24 de setembro de 2018, o número de CPFs cadastrados na B3 saltou de 800 mil para mais de 5 milhões - sendo 3,7 milhões investidores em ações. O número de CPFs com investimentos em fundos imobiliários passou de 200 mil para 2,2 milhões.
Cinco anos atrás, a Selic estava em 6,50% ao ano, até então o menor patamar da história para a taxa básica de juros. O país vinha tentando, sem grande sucesso, estimular a atividade para se recuperar da crise de 2014-2016, tendo sofrido, ainda, com a greve dos caminhoneiros em maio daquele ano.
Estávamos, então, às vésperas da eleição presidencial. A vitória de Jair Bolsonaro e a promessa de um governo mais liberal na economia, reformista e fiscalmente responsável, combinadas com uma taxa de juros historicamente baixa, beneficiou os ativos de risco.
Além disso, o risco-país diminuiu em relação aos governos anteriores, reduzindo as taxas de juros futuros de longo prazo, o que beneficiou os títulos de renda fixa com taxas prefixadas e atreladas à inflação, tanto públicos quanto privados.
Havia naquele momento, porém, incerteza quanto à trajetória dos juros, uma vez que os Estados Unidos apresentava uma economia forte e um contexto de alta das suas taxas.
Em 2019, por sua vez, o temor de uma desaceleração econômica mundial, principalmente por conta da guerra comercial entre EUA e China, levou os bancos centrais a cortarem juros por todo o mundo.
O BC brasileiro aproveitou para estimular ainda mais a economia, reduzindo a Selic para a nova mínima de 4,50%. No cenário doméstico, a aprovação da Reforma da Previdência animou os investidores a tomar risco, pois sinalizava que as contas públicas brasileiras talvez tivessem jeito. Mais alívio no risco-país e mais queda nos juros futuros. Nesse cenário estimulativo, os ativos de risco puderam brilhar.
Para 2020, não eram esperados cortes radicais de juros, nem no Brasil, nem num mundo onde muitos países já estavam com taxas negativas. Porém, a pandemia de coronavírus tornou a jogar as taxas para baixo, uma vez que provocou uma grande recessão global.
O Brasil, que ainda nem havia se recuperado da crise anterior, viu a Selic cair para o antes inimaginável patamar de 2% ao ano.
A crise desencadeada pela pandemia, com necessidade de ampliação de gastos do governo e consequente piora no quadro fiscal, bem como a Selic excessivamente baixa, com pouca diferença em relação aos juros americanos, contribuíram para depreciar ainda mais o câmbio.
Nos últimos três anos, porém, o que temos visto é uma reversão dessa tendência, primeiro no Brasil e, mais recentemente, no resto do mundo, notadamente nos países desenvolvidos.
Com o avanço da vacinação e a reabertura econômica em todo mundo, a inflação voltou a pressionar, o que exigiu uma redução nos estímulos monetários. A guerra entre Rússia e Ucrânia apenas piorou o quadro.
O Brasil realizou um bem-sucedido ciclo de alta da Selic, que teve sucesso em conter a inflação e contribuiu para o fortalecimento do real ante o dólar. Agora, o Banco Central tornou a cortar os juros, enquanto a economia mostra sinais de recuperação.
Já no exterior, o ciclo de aperto monetário se aproxima do fim, mas ainda segue, pois os dados de inflação ainda não se mostram satisfatórios – e, ao menos no caso dos EUA, a economia permanece forte.
Assim como no ano passado, os investidores continuam a temer uma recessão global, devido à alta de juros nos países ricos e a fraqueza da economia chinesa.
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