Entre os grandes bancos, Itaú (ITUB4) e BB (BBAS3) devem seguir fortes no 2T23; Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4), nem tanto
Enquanto Itaú e Banco do Brasil continuarão mostrando rentabilidade perto de 20%, Santander e Bradesco devem ter resultados mais fracos

O segundo trimestre de 2023 ainda deve mostrar um quadro de pressões diversas para as empresas brasileiras, com juros altos e mercado doméstico ainda comprimido. Para os grandes bancos — como Itaú (ITUB4), BB (BBAS3), Santander Brasil (SANB11) e Bradesco (BBDC4) —, a história não será diferente.
Afinal, os bancões ainda sentem, em maior ou menor escala, o aumento na inadimplência, o cenário restrito para concessão de crédito e os efeitos da crise na Americanas (AMER3). Dito isso, as expectativas do mercado mostram que há dois grupos bem distintos no setor.
De um lado, Itaú Unibanco e Banco do Brasil aparecem como favoritos entre as casas de análise: seus lucros devem crescer mais de 10% em relação ao segundo trimestre de 2022, com rentabilidades ainda girando ao redor dos 20%.
Do outro, Santander Brasil e Bradesco seguem tentando colocar a casa em dia: ambas tinham maior exposição à dívida da Americanas e tiveram que provisionar volumes maiores; além disso, a gestão mais agressiva das carteiras de crédito mostrou-se uma estratégia não tão acertada no médio prazo.
O Seu Dinheiro consolidou as projeções de seis instituições financeiras para os resultados dos grandes bancos neste segundo trimestre. Veja abaixo como ficaram as médias das estimativas para o lucro líquido de cada um dos players — e como a cifra se compara com o resultado contabilizado há um ano:
Projeções de lucro líquido para Santander Brasil, Itaú, Bradesco e BB no 2T23 (em R$ milhões):
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| Instituição | Santander Brasil | Itaú Unibanco | Bradesco | Banco do Brasil |
| BTG Pactual | 2.784 | 8.633 | 4.492 | 8.757 |
| Santander | -- | 8.734 | 4.253 | 8.685 |
| Itaú BBA | 2.33 | -- | 4.359 | 8.718 |
| Inter | 2.457 | 8.538 | 4.395 | 8.737 |
| UBS BB | 2.271 | 8.59 | 4.475 | -- |
| XP | 2.537 | 8.586 | 4.537 | 8.655 |
| Goldman Sachs | 2.431 | 8.637 | 4.357 | 8.539 |
| Média | 2.468 | 8.620 | 4.410 | 8.682 |
| 2T22 | 4.084 | 7.679 | 7.041 | 7.803 |
| Variação a/a | -39,6% | +12,2% | -37,4% | +11,3% |
A divulgação dos balanços dos grandes bancos começa já nesta semana, com o Santander Brasil dando a largada — o calendário completo com as principais empresas da bolsa pode ser acessado aqui. Veja o cronograma dos quatro bancões:
- Santander Brasil: dia 26 de julho, antes da abertura;
- Bradesco: dia 3 de agosto, depois do fechamento;
- Itaú Unibanco: dia 7 de agosto, depois do fechamento;
- Banco do Brasil: dia 9 de agosto, depois do fechamento.
Itaú (ITUB4): resultados bons, conforme esperado
Em linhas gerais, os resultados de Itaú Unibanco e Banco do Brasil não devem trazer grandes surpresas: o mercado espera que o segundo trimestre das duas instituições mostre a continuidade do bom momento vivido por ambas, com lucro e rentabilidade se mantendo em patamares saudáveis.
Para o Santander, um dos trunfos do Itaú é a inadimplência sob controle: a equipe de análise liderada por Henrique Navarro aponta que o NPL (non-performing loan, ou crédito não produtivo — um eufemismo para 'calote') do banco provavelmente atingiu o nível mais alto no primeiro trimestre.
Ou seja: daqui em diante, as taxas tendem a cair ou, ao menos, se estabilizar, o que abre perspectivas positivas para o curto e médio prazo. Ainda assim, o Santander projeta que as provisões do Itaú podem aumentar novamente, considerando a base de comparação fraca e a normalização no setor de atacado.
"Olhando adiante, acreditamos que a decisão do Itaú de ser mais seletivo na originação do crédito pode continuar a gerar um crescimento modesto nos empréstimos, ainda que com uma inadimplência sob controle ao longo de 2023, o que pode cair bem em termos de resultados", diz o Santander.
Veja abaixo as projeções para a rentabilidade (ROE) do Itaú no segundo trimestre deste ano:
Projeções de rentabilidade (ROE) do Itaú Unibanco no 2T23
| Instituição | Itaú Unibanco |
| Santander | 20,8% |
| Itaú BBA | -- |
| Inter | 20,3% |
| UBS BB | 20,5% |
| XP | 20,0% |
| Goldman Sachs | 20,6% |
| Média | 20,4% |
| 1T23 | 20,7% |
| Variação | -0,3 p.p. |
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Banco do Brasil (BBAS3): números sólidos, mas e a inadimplência?
No caso do Banco do Brasil (BBAS3), o Itaú BBA mostra-se particularmente otimista: para a equipe liderada pelo analista Pedro Leduc, o BB deve ser novamente o destaque positivo entre os bancões, com um crescimento de 3% na carteira de empréstimos na base trimestral — o maior índice do setor.
Uma questão que fica no ar para o Banco do Brasil, no entanto, é o comportamento da inadimplência. Enquanto o Itaú BBA diz esperar apenas uma "alta moderada" nas taxas, o Santander não descarta um aumento mais significante, dada a espera dos clientes pelo início do Desenrola e o ambiente macro difícil.
Ambas as casas também apontam que o BB poderá revisar suas projeções para o resultado de 2023, com um aumento no volume de provisões. "Mas, em conversas recentes com investidores, percebemos que a maioria deles já espera esse efeito, o que pode limitar as surpresas negativas com o balanço".
Confira as projeções para a rentabilidade (ROE) do Banco do Brasil no segundo trimestre deste ano:
Projeções de rentabilidade (ROE) do Banco do Brasil no 2T23
| Instituição | Banco do Brasil |
| Santander | 20,5% |
| Itaú BBA | 20,1% |
| Inter | 20,6% |
| UBS BB | -- |
| XP | 22,0% |
| Goldman Sachs | 20,4% |
| Média | 20,7% |
| 1T23 | 21,0% |
| Variação | -0,3 p.p. |
Santander Brasil (SANB11): novamente com ajustes
Os resultados do Santander Brasil (SANB11) devem trazer novamente uma série de efeitos não-recorrentes, o que tende a impactar as principais linhas do balanço no segundo trimestre. O UBS BB trouxe dois grandes itens que deverão afetar o banco:
- O ganho relacionado à venda da Webmotors;
- Provisões relacionadas à decisão do STF em incidência de PIS e Cofins sobre receitas financeiras, litígios passados, de até R$ 4,2 bilhões.
"No lado operacional, prevemos um crescimento fraco da carteira de empréstimos, com alguma deterioração de qualidade e um risco ainda elevado no que diz respeito aos custos", escreve a equipe do UBS BB liderada pelo analista Thiago Batista.
Por outro lado, o banco suíço aponta que as margens do Santander podem passar por uma pequena melhora na base trimestral, e a taxa de juros efetiva deve permanecer "anormalmente baixa". Já o Inter aponta uma leve alta na inadimplência, concessões mais fracas e mix de carteira mais colateralizado.
Eis as projeções para a rentabilidade (ROE) do Santander Brasil no segundo trimestre deste ano:
Projeções de rentabilidade (ROE) do Santander Brasil no 2T23
| Instituição | Santander Brasil |
| Santander | -- |
| Itaú BBA | 11,4% |
| Inter | 12,0% |
| UBS BB | 10,9% |
| XP | 11,5% |
| Goldman Sachs | 11,8% |
| Média | 11,6% |
| 1T23 | 10,6% |
| Variação | +1 p.p. |
Bradesco (BBDC4): qualidade da carteira ainda é o xis da questão
No Bradesco (BBDC4), o tom é de cautela: o UBS BB diz que a dinâmica deve ser a mesma do primeiro trimestre, com uma possível melhora sequencial nos resultados, mas com má qualidade — e uma possível alta na inadimplência, dado o modo como o banco tem tratado os empréstimos à Americanas.
"Acreditamos que a administração irá ao menos indicar que algumas projeções para o ano não serão alcançadas. O melhor exemplo é o crescimento na carteira de empréstimos, com o guidance apontando para 6,5% a 9,5%, enquanto o portfólio recuou 3% nos primeiros três meses do ano", diz o UBS BB.
Já a XP prevê um crescimento de 5% na carteira de empréstimos do Bradesco na base anual e um aumento de 8% na margem financeira (NII); em paralelo, também espera-se uma elevação na taxa de inadimplência.
Eis as projeções para a rentabilidade (ROE) do Bradesco no segundo trimestre deste ano:
Projeções de rentabilidade (ROE) do Bradesco no 2T23
| Instituição | Bradesco |
| Santander | 10,9% |
| Itaú BBA | 11,2% |
| Inter | 11,2% |
| UBS BB | 11,4% |
| XP | 12,0% |
| Goldman Sachs | 11,1% |
| Média | 11,3% |
| 1T23 | 10,60% |
| Variação | +0,7 p.p. |
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