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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

PRÉVIA DOS BALANÇOS

Entre os grandes bancos, Itaú (ITUB4) e BB (BBAS3) devem seguir fortes no 2T23; Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4), nem tanto

Enquanto Itaú e Banco do Brasil continuarão mostrando rentabilidade perto de 20%, Santander e Bradesco devem ter resultados mais fracos

Victor Aguiar
Victor Aguiar
24 de julho de 2023
15:02 - atualizado às 13:17
Fachada de unidade do Itaú Unibanco (ITUB4)
Imagem: Shutterstock

O segundo trimestre de 2023 ainda deve mostrar um quadro de pressões diversas para as empresas brasileiras, com juros altos e mercado doméstico ainda comprimido. Para os grandes bancos — como Itaú (ITUB4), BB (BBAS3), Santander Brasil (SANB11) e Bradesco (BBDC4) —, a história não será diferente.

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Afinal, os bancões ainda sentem, em maior ou menor escala, o aumento na inadimplência, o cenário restrito para concessão de crédito e os efeitos da crise na Americanas (AMER3). Dito isso, as expectativas do mercado mostram que há dois grupos bem distintos no setor.

De um lado, Itaú Unibanco e Banco do Brasil aparecem como favoritos entre as casas de análise: seus lucros devem crescer mais de 10% em relação ao segundo trimestre de 2022, com rentabilidades ainda girando ao redor dos 20%.

Do outro, Santander Brasil e Bradesco seguem tentando colocar a casa em dia: ambas tinham maior exposição à dívida da Americanas e tiveram que provisionar volumes maiores; além disso, a gestão mais agressiva das carteiras de crédito mostrou-se uma estratégia não tão acertada no médio prazo.

O Seu Dinheiro consolidou as projeções de seis instituições financeiras para os resultados dos grandes bancos neste segundo trimestre. Veja abaixo como ficaram as médias das estimativas para o lucro líquido de cada um dos players — e como a cifra se compara com o resultado contabilizado há um ano:

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Projeções de lucro líquido para Santander Brasil, Itaú, Bradesco e BB no 2T23 (em R$ milhões):

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InstituiçãoSantander BrasilItaú UnibancoBradescoBanco do Brasil
BTG Pactual2.7848.6334.4928.757
Santander--8.7344.2538.685
Itaú BBA2.33--4.3598.718
Inter2.4578.5384.3958.737
UBS BB2.2718.594.475--
XP2.5378.5864.5378.655
Goldman Sachs2.4318.6374.3578.539
Média2.4688.6204.4108.682
2T224.0847.6797.0417.803
Variação a/a-39,6%+12,2%-37,4%+11,3%
Levantamento: Seu Dinheiro

A divulgação dos balanços dos grandes bancos começa já nesta semana, com o Santander Brasil dando a largada — o calendário completo com as principais empresas da bolsa pode ser acessado aqui. Veja o cronograma dos quatro bancões:

  • Santander Brasil: dia 26 de julho, antes da abertura;
  • Bradesco: dia 3 de agosto, depois do fechamento;
  • Itaú Unibanco: dia 7 de agosto, depois do fechamento;
  • Banco do Brasil: dia 9 de agosto, depois do fechamento.

Itaú (ITUB4): resultados bons, conforme esperado

Em linhas gerais, os resultados de Itaú Unibanco e Banco do Brasil não devem trazer grandes surpresas: o mercado espera que o segundo trimestre das duas instituições mostre a continuidade do bom momento vivido por ambas, com lucro e rentabilidade se mantendo em patamares saudáveis.

Para o Santander, um dos trunfos do Itaú é a inadimplência sob controle: a equipe de análise liderada por Henrique Navarro aponta que o NPL (non-performing loan, ou crédito não produtivo — um eufemismo para 'calote') do banco provavelmente atingiu o nível mais alto no primeiro trimestre.

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Ou seja: daqui em diante, as taxas tendem a cair ou, ao menos, se estabilizar, o que abre perspectivas positivas para o curto e médio prazo. Ainda assim, o Santander projeta que as provisões do Itaú podem aumentar novamente, considerando a base de comparação fraca e a normalização no setor de atacado.

"Olhando adiante, acreditamos que a decisão do Itaú de ser mais seletivo na originação do crédito pode continuar a gerar um crescimento modesto nos empréstimos, ainda que com uma inadimplência sob controle ao longo de 2023, o que pode cair bem em termos de resultados", diz o Santander.

Veja abaixo as projeções para a rentabilidade (ROE) do Itaú no segundo trimestre deste ano:

Projeções de rentabilidade (ROE) do Itaú Unibanco no 2T23

InstituiçãoItaú Unibanco
Santander20,8%
Itaú BBA--
Inter20,3%
UBS BB20,5%
XP20,0%
Goldman Sachs20,6%
Média20,4%
1T2320,7%
Variação-0,3 p.p.
Levantamento: Seu Dinheiro
  • ONDE INVESTIR NO 2º SEMESTRE: o Seu Dinheiro consultou uma série de especialistas do mercado financeiro e preparou um guia completo para te ajudar a montar uma carteira de investimentos estratégica para a segunda “pernada” de 2023. Baixe aqui gratuitamente.

Banco do Brasil (BBAS3): números sólidos, mas e a inadimplência?

No caso do Banco do Brasil (BBAS3), o Itaú BBA mostra-se particularmente otimista: para a equipe liderada pelo analista Pedro Leduc, o BB deve ser novamente o destaque positivo entre os bancões, com um crescimento de 3% na carteira de empréstimos na base trimestral — o maior índice do setor.

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Uma questão que fica no ar para o Banco do Brasil, no entanto, é o comportamento da inadimplência. Enquanto o Itaú BBA diz esperar apenas uma "alta moderada" nas taxas, o Santander não descarta um aumento mais significante, dada a espera dos clientes pelo início do Desenrola e o ambiente macro difícil.

Ambas as casas também apontam que o BB poderá revisar suas projeções para o resultado de 2023, com um aumento no volume de provisões. "Mas, em conversas recentes com investidores, percebemos que a maioria deles já espera esse efeito, o que pode limitar as surpresas negativas com o balanço".

Confira as projeções para a rentabilidade (ROE) do Banco do Brasil no segundo trimestre deste ano:

Projeções de rentabilidade (ROE) do Banco do Brasil no 2T23

InstituiçãoBanco do Brasil
Santander20,5%
Itaú BBA20,1%
Inter20,6%
UBS BB--
XP22,0%
Goldman Sachs20,4%
Média20,7%
1T2321,0%
Variação-0,3 p.p.
Levantamento: Seu Dinheiro

Santander Brasil (SANB11): novamente com ajustes

Os resultados do Santander Brasil (SANB11) devem trazer novamente uma série de efeitos não-recorrentes, o que tende a impactar as principais linhas do balanço no segundo trimestre. O UBS BB trouxe dois grandes itens que deverão afetar o banco:

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"No lado operacional, prevemos um crescimento fraco da carteira de empréstimos, com alguma deterioração de qualidade e um risco ainda elevado no que diz respeito aos custos", escreve a equipe do UBS BB liderada pelo analista Thiago Batista.

Por outro lado, o banco suíço aponta que as margens do Santander podem passar por uma pequena melhora na base trimestral, e a taxa de juros efetiva deve permanecer "anormalmente baixa". Já o Inter aponta uma leve alta na inadimplência, concessões mais fracas e mix de carteira mais colateralizado.

Eis as projeções para a rentabilidade (ROE) do Santander Brasil no segundo trimestre deste ano:

Projeções de rentabilidade (ROE) do Santander Brasil no 2T23

InstituiçãoSantander Brasil
Santander--
Itaú BBA11,4%
Inter12,0%
UBS BB10,9%
XP11,5%
Goldman Sachs11,8%
Média11,6%
1T2310,6%
Variação+1 p.p.
Levantamento: Seu Dinheiro

Bradesco (BBDC4): qualidade da carteira ainda é o xis da questão

No Bradesco (BBDC4), o tom é de cautela: o UBS BB diz que a dinâmica deve ser a mesma do primeiro trimestre, com uma possível melhora sequencial nos resultados, mas com má qualidade — e uma possível alta na inadimplência, dado o modo como o banco tem tratado os empréstimos à Americanas.

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"Acreditamos que a administração irá ao menos indicar que algumas projeções para o ano não serão alcançadas. O melhor exemplo é o crescimento na carteira de empréstimos, com o guidance apontando para 6,5% a 9,5%, enquanto o portfólio recuou 3% nos primeiros três meses do ano", diz o UBS BB.

Já a XP prevê um crescimento de 5% na carteira de empréstimos do Bradesco na base anual e um aumento de 8% na margem financeira (NII); em paralelo, também espera-se uma elevação na taxa de inadimplência.

Eis as projeções para a rentabilidade (ROE) do Bradesco no segundo trimestre deste ano:

Projeções de rentabilidade (ROE) do Bradesco no 2T23

InstituiçãoBradesco
Santander10,9%
Itaú BBA11,2%
Inter11,2%
UBS BB11,4%
XP12,0%
Goldman Sachs11,1%
Média11,3%
1T2310,60%
Variação+0,7 p.p.
Levantamento: Seu Dinheiro

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