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Larissa Vitória

Larissa Vitória

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

A PEDIDO DA POLO CAPITAL

Tenda (TEND3) vai convocar assembleia para discutir fim da “poison pill”; como ficam os acionistas minoritários sem o mecanismo de proteção?

A poison pill, ou pílula de veneno, é utilizada para dificultar a tomada de controle de uma empresa com capital pulverizado na bolsa

Larissa Vitória
Larissa Vitória
17 de agosto de 2022
13:36
Foto de um prédio ao lado de uma caixa d'água com o logo da Tenda (TEND3)
Edifício da Tenda - Imagem: Divulgação

Apesar do nome ameaçador, a poison pill — ou pílula de veneno — é um dispositivo presente no estatuto das empresas que buscam manter o equilíbrio e resguardar os acionistas minoritários. Mas os sócios da Tenda (TEND3) podem deixar de contar com essa proteção em breve.

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A construtora anunciou nesta quarta-feira (17) que, atendendo a um pedido da Polo Capital, vai convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para discutir a exclusão da regra de seu estatuto social.

A solicitação da gestora preenche os requisitos previstos para a convocação de uma AGE e foi aprovada pelo conselho de administração. A notícia, no entanto, não foi recebida com entusiasmo pelo mercado e as ações da Tenda operam em queda, na contramão do setor, hoje.

Por volta das 13h35, os papéis TEND3 recuavam 3,55%, a R$ 5,71. Acompanhe a nossa cobertura completa de mercados.

Vale lembrar que a poison pill é utilizada para dificultar a tomada de controle de uma empresa com capital pulverizado na bolsa, quando um acionista pode em muitos casos dar as cartas mesmo sem alcançar mais de 50% de participação.

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No caso da Tenda, o estatuto social determina que qualquer investidor que atingir 30% do capital precisa lançar uma oferta pública de aquisição das ações dos demais acionistas a preços iguais ou superiores ao pago pelos investidores nos seis meses anteriores.

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Então por que retirar essa cláusula do estatuto agora? Se por um lado a poison pill ajuda a barrar ofertas hostis, por outro dificulta a entrada de um investidor de referência, que queira entrar na companhia mas não tenha interesse em assumir o controle.

Em outras palavras, a pílula de veneno pode ser um mecanismo tanto positivo como negativo para os acionistas minoritários, dependendo do momento da empresa.

A iniciativa de derrubar a poison pill não é exclusiva da Tenda. No início do ano, a IMC (MEAL3) convocou os acionistas para mudar o estatuto a pedido da UV Gestora, que tinha planos de aumentar a participação na rede de restaurantes.

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Oferta amigável?

No caso da Tenda, a Polo Capital, autora da solicitação, já é dona de 20,5% do capital. Mas, segundo fontes consultadas pelo Seu Dinheiro, a gestora não pretende usar a eventual derrubada da cláusula para interferir de maneira mais ativa no dia a dia da incorporadora.

"No atual momento da companhia, a poison pill ficou anacrônica. Acaba tendo só a parte ruim [do mecanismo], que é a de afastar investidores", diz uma fonte favorável ao fim da pílula de veneno.

O tom do comunicado sinaliza que a abordagem da gestora é amigável e tem como objetivo a atração de possíveis novos investidores que estejam dispostos a dar suporte à execução do plano estratégico.

A Polo Capital já tem um papel de protagonismo na condução dos negócios da Tenda — o presidente do conselho de administração, Cláudio Carvalho de Andrade, é sócio da gestora. 

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Procurada pelo Seu Dinheiro, a Tenda (TEND3) informou que não irá comentar o tema.

Veja também - 'Saldão' dos FIIs: os fundos imobiliários mais baratos para investir no 2° semestre de 2022

Ambiente hostil na Tenda (TEND3)

Quem for convencido pela tentativa “amigável” da Polo de atrair novos investidores deve se deparar com uma situação nada tranquila na Tenda (TEND3).

A companhia, que é uma das maiores construtoras do programa Casa Verde e Amarela, teve prejuízo líquido consolidado de R$ 114,4 milhões no segundo trimestre, revertendo o lucro de R$ 33,8 milhões obtido em igual período do ano anterior. 

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado ficou negativo em R$ 59,2 milhões, contra um resultado positivo de R$ 66,6 milhões no 2T21.

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Já a receita líquida totalizou R$ 626,9 milhões, recuo de 10,3%, na mesma base de comparação anual.  Segundo a Tenda, a queda se deu pelo ritmo menor de andamento das obras e pelo volume menor de repasses de clientes para o financiamento bancário no período.

A incorporadora também reportou queda expressiva de 11,5 pontos percentuais na sua margem bruta ajustada e consolidada, que foi para 16,3%. O decréscimo foi puxado pela operação da própria marca Tenda, que encolheu 10,4 pontos porcentuais, chegando a 17,4%.

Ainda de acordo com a Tenda, três fatores impactaram as margens:

  • maior avanço nas obras de projetos antigos, com margens menores;
  • efeitos sazonais no provisionamento de inadimplentes;
  • e ajustes no valor presente nas taxas de terrenos.

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