Quanto vale a ação da XP? Credit Suisse corta preço-alvo para US$ 30, mas Goldman Sachs estima o dobro
Migração para a renda fixa motiva corte do Credit na ação da XP; Goldman Sachs fala em risco de excesso de papéis, mas vê balanço sólido

Ao fazer os cálculos de quanto vale uma empresa (valuation), é bem comum que os grandes bancos de investimento cheguem a números diferentes. Em geral, os preços-alvo de uma ação, ainda que distintos, ficam relativamente próximos entre si. Mas, no caso da XP, os pareceres dos bancos estão excessivamente discrepantes.
O Credit Suisse, por exemplo, acaba de cortar o preço-alvo da ação da maior corretora do Brasil para US$ 30, de US$ 37. Por sinal, US$ 37 continua sendo o preço-alvo da XP para o UBS BB.
Por outro lado, o Goldman Sachs acredita que o preço deve chegar US$ 60, o dobro do que calculou o Credit Suisse. Note-se que o papel fechou em US$ 24,61 no último pregão.
O que explica tamanha diferença? Vamos tentar esmiuçar.
[captacao]
Credit Suisse enfatiza migração para renda fixa
O aumento da taxa de juros no Brasil, a Selic, tem feito os investidores migrarem da renda variável para a renda fixa. Afinal, com os títulos públicos rendendo dois dígitos ao ano, fica difícil convencer o investidor a tomar risco na bolsa.
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“Os dados da indústria de gestão de ativos mostram que a migração para a renda fixa está beneficiando os bancos tradicionais, com os cinco maiores bancos ganhando market share e as gestoras independentes registrando saídas líquidas pela primeira vez em quatro anos no primeiro trimestre de 2022”, disse o Credit Suisse em relatório sobre a XP enviado a clientes.
E a Selic, hoje a 11,75%, deve permanecer em patamares elevados por algum tempo, até que a inflação seja controlada. Aliás, nesta semana devemos ver uma nova elevação dos juros, da ordem de 1 ponto percentual, e o mercado já antecipa novos aumentos.
De acordo com o Credit, os indicadores de desempenho da XP já começaram a refletir esses impactos. As entradas líquidas desaceleraram de R$ 42 bilhões no quarto trimestre de 2021 para R$ 30 bilhões no primeiro trimestre deste ano.
Além disso, novos negócios dentro da XP estão crescendo a um ritmo muito mais lento, como é o caso de cartões de crédito e previdência.
A distribuição de produtos do mercado de capitais também caiu fortemente no primeiro trimestre em relação ao período anterior.
Dessa forma, o Credit Suisse vê a continuidade do ciclo de aperto monetário como o maior risco para a sustentabilidade das entradas líquidas em 2022.
Goldman Sachs e UBS BB enxergam risco de ‘overhang’ da XP
Por outro lado, para o Goldman Sachs, o maior risco de curto prazo para as ações da XP está no excesso de papéis no mercado (ou overhang). Isso porque a recente compra de 11,36% do capital da XP pelo Itaú Unibanco (ITUB4) deve vir seguida de uma venda da fatia.
A direção do Itaú já deixou claro em outras ocasiões que a participação na XP não é um investimento estratégico e, portanto, deve ser desfeita progressivamente. Da mesma forma, a Itaúsa (ITSA4) também deve continuar reduzindo seu quinhão na corretora.
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A Itaúsa, inclusive, vendeu uma fatia de 1,4% em dezembro do ano passado e outra de 2,1% em março, reduzindo sua participação na XP para 11,5%.
Para o UBS BB, o impacto negativo no preço das ações da XP proveniente do desinvestimento da Itaúsa é o principal risco para os papéis. Em seguida, vem a redução de dinheiro novo entrando na corretora devido à competição com os bancos.
XP: preços-alvo e recomendações
| Banco | Preço-alvo | Potencial de alta* | Recomendação |
| Credit Suisse | US$ 30 | 22% | Neutra |
| Goldman Sachs | US$ 60 | 144% | Compra |
| UBS BB | US$ 37 | 50% | Neutra |
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