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A provedora de serviços de internet Desktop (DESK3) fará um aumento de capital privado de até R$ 300 milhões; ações caem forte na B3
Mais uma empresa que abriu o capital na safra mais recente da bolsa brasileira decidiu "passar o chapéu" e pedir mais dinheiro aos acionistas. Agora é a vez da Desktop (DESK3).
A provedora de serviços de internet por banda larga que atua no Estado de São Paulo fará um aumento de capital privado, que pode chegar a R$ 300 milhões.
A empresa vai emitir as novas ações por R$ 9 cada. Esse valor representa um desconto de 12,5% em relação ao preço médio dos papéis DESK3 nos últimos 30 dias. Mas em relação às cotações das ações na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), o deságio chega a quase 62%.
Principal acionista da companhia, o fundo HIG pretende participar do aumento de capital, o que deve garantir pelo menos R$ 120 milhões para a Desktop.
Mas o compromisso do fundo com a companhia não foi suficiente para animar os investidores. No pregão desta segunda-feira, as ações da Desktop reagiam em forte queda de 7,23%, a R$ 9,24 por volta das 12h.
O mercado reage mal a esse tipo de operação quando os papéis se encontram em níveis baixos porque costuma provocar uma grande diluição aos acionistas. No caso da Desktop, quem não aderir à operação terá a participação na companhia diluída em até 27%, caso a empresa emita todas as ações na operação.
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Apesar de a diluição não ser positiva, os analistas da XP seguem otimistas com a companhia. ″Enxergamos a Desktop como uma plataforma consolidadora líder e muito bem posicionada para continuar seu processo de expansão”, escreveram.
A XP possui recomendação de compra para as ações DESK3, com preço-alvo de R$ 19 para o final de 2023, o que representa um potencial de alta de 105%. Leia também a nossa cobertura completa de mercados hoje.
Com o plano de crescer via aquisições, a Desktop estreou no pregão da B3 em julho de 2021 após captar R$ 715 milhões no IPO.
De lá para cá, porém, as ações amargam uma queda da ordem de 60%. A empresa vale hoje R$ 832 milhões na bolsa, de acordo com dados do Trademap.
Mesmo com a queda dos papéis, a Desktop decidiu voltar a pedir dinheiro aos acionistas para reforçar a estrutura de capital.
A empresa encerrou setembro com uma dívida líquida de R$ 958,6 milhões, o equivalente a 2,5 vezes o Ebitda anualizado do terceiro trimestre. Mas esse número não inclui as aquisições recentes da Fasternet e da IDC Telecom, que foram anunciadas em agosto.
Além da Desktop, outras companhias que abriram o capital na B3 nos últimos dois anos decidiram pedir mais dinheiro aos acionistas. É o caso, por exemplo, da empresa de comércio eletrônico Infracommerce (IFCM3) e da rede de lojas de depilação a laser Espaçolaser (ESPA3).
O prazo do direito de preferência aos atuais acionistas vai de 8 de dezembro a 23 de janeiro de 2023. As ações ficam "ex", ou seja, sem direito de participação ao aumento de capital, a partir do dia 8.
Em fato relevante divulgado hoje (3), a companhia disse que os requisitos para a transação não foram cumpridos, em especial a assinatura do compromisso de voto entre a GPT e a gestora Trígono Capital, que tem 15,3% do capital da empresa.
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