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ANTECIPANDO O INEVITÁVEL

O demitido renunciou: presidente da Petrobras (PETR4) pede demissão dias depois de novo reajuste nos combustíveis

Fernando Borges, diretor de Exploração e Produção da Petrobras, ficará como presidente interino da empresa até que sucessão seja definida

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20 de junho de 2022
10:18 - atualizado às 13:44
José Mauro Coelho
Coelho aguardava nomeação de sucessor à frente da Petrobras. - Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Já se sabia desde o mês passado que José Mauro Coelho deixaria em breve a presidência da Petrobras (PETR4). No fim de maio, o presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou a demissão de Coelho. O executivo ficaria no cargo até que seu substituto fosse confirmado.

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Entretanto, depois de um novo reajuste nos preços dos combustíveis pela Petrobras no meio do feriadão, Coelho resolveu se antecipar ao inevitável. A companhia anunciou na manhã desta segunda-feira que o executivo apresentou sua carta de demissão.

Horas mais tarde, o conselho de administração da Petrobras decidiu que o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Fernando Borges, ficará como presidente interino.

Em reação à notícia, a B3 chegou a suspender temporariamente as negociações com as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4).

A interminável dança das cadeiras

O pedido de demissão de Coelho é o mais recente passo de uma interminável dança das cadeiras na Petrobras.

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Em maio, logo depois de anunciar a saída de Coelho, o Ministério das Minas e Energia divulgou a escolha de Caio Paes da Andrade para a posição.

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Entretanto, antes de ser votada pela direção da empresa, a indicação ainda precisa ser submetida ao processo de governança interna da Petrobras.

A expectativa é de que Borges permaneça interinamente no cargo até que a sucessão seja definida.

José Mauro Coelho foi o terceiro presidente da Petrobras sob Bolsonaro. E também o que durou menos tempo no cargo.

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O primeiro foi Roberto Castello Branco, que assumiu no início do governo, em 2019. Ele foi substituído pelo general da reserva Joaquim Silva e Luna em abril de 2021.

Prestes a completar um ano no cargo, Silva e Luna foi substituído por Coelho, que durou pouco mais de dois meses na função.

A Petrobras (PETR4) e os reajustes

No centro da dança das cadeiras está a política de preços da Petrobras.

Crítico dos reajustes e atrás nas pesquisas de intenção de voto com vistas às eleições de outubro, Bolsonaro vem tentando mexer na direção empresa na esperança de que os executivos evitem repassar a alta dos preços.

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A política de preços, entretanto, é prerrogativa de uma empresa que tem no governo federal seu sócio majoritário, com amplo controle sobre o conselho de administração.

A intervenção nos preços dos combustíveis, porém, é vetada pelo estatuto da Petrobras, a menos que a estatal seja ressarcida pela União.

Nos últimos meses, a paridade com os preços internacionais do petróleo levou a empresa a promover uma série de reajustes nos últimos meses.

O mais recente desses reajustes ocorreu durante o feriado de Corpus Christi.

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O preço médio de venda de gasolina para as distribuidoras subiu 5,2%. Já o diesel aumentou 14,2%.

Aumento joga balde de água fria sobre teto do ICMS

O governo federal tem buscado desesperadamente meios de deter a alta dos preços dos combustíveis.

A cartada mais recente foi a imposição de um teto à cobrança de ICMS sobre os preços de energia.

O novo reajuste, entretanto, caiu como um balde de água fria sobre a iniciativa.

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Nesta reportagem, o Seu Dinheiro explicou por que a ideia corria um grande risco de não dar certo.

Uma CPI na Petrobras (PETR4)?

O reajuste anunciado pela Petrobras no feriado levou Bolsonaro a propor a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os subsequentes reajustes.

Depois do anúncio do reajuste, o presidente disse ter conversado com o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (Progressistas-PR), e com o presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas-AL), para abrir uma CPI.

Bolsonaro e Lira chegaram a sugerir, inclusive, que a forte queda das ações da Petrobras na sexta-feira deveu-se ao reajuste. Segundo analistas de mercado, porém, os motivos foram os persistentes ruídos políticos e a queda do petróleo nos mercados internacionais.

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O presidente tem defendido a instauração da CPI para investigar a formação de preços de combustíveis.

Desde 2016, a companhia segue os preços internacionais, já que importa petróleo para suprir a demanda interna.

A política foi implementada durante o governo Michel Temer.

No início de junho, a Petrobras chegou a lançar um site exclusivamente dedicado a explicar como funciona sua atual política de preços.

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A Petrobras (PETR4) se defende

Diante da pressão, a Petrobras tem saído publicamente em defesa de sua política de preços.

Na última sexta-feira, ao anunciar o reajuste, a estatal fez questão de destacar que, apesar do momento difícil do mercado mundial de energia, a empresa não tem adotado o repasse imediato das cotações internacionais.

Antes do reajuste do feriado, a gasolina ficou sem reajuste por 99 dias, enquanto o diesel ficou 39 dias sem aumento.

Respondendo também às críticas feitas repetidamente pelo presidente Jair Bolsonaro, a Petrobras buscou se mostrar sensibilizada pelo impacto do preço dos combustíveis na vida dos cidadãos, mas defendeu que também é preciso manter os seus preços competitivos e em equilíbrio com o mercado.

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A empresa também lembrou que a Petrobras é responsável por uma parte do preço ao consumidor, já que a formação na bomba leva em conta outras parcelas de misturas produzidas em refinarias, custos e margens de distribuição e revenda, e tributos federais e estaduais.

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