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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

DIA MUNDIAL DO ROCK

Pode vir quente que eu estou fervendo: O dragão da inflação chama o Fed para dançar e azeda o humor nas bolsas

Inflação nos EUA segue no nível mais alto em mais de 40 anos e deve forçar o Fed a uma ação ainda mais agressiva na tentativa de deter a alta dos preços

Ricardo Gozzi
13 de julho de 2022
11:20 - atualizado às 11:23
Jerome Powell como astro do rock nos anos 60
Dragão da inflação ataca o presidente do Fed, Jerome Powell. - Imagem: Shutterstock / Wikimedia / Montagem Brenda Silva

Erasmo Carlos nunca esteve tão atual. Pelo menos para o dragão da inflação. O símbolo da alta dos preços aproveitou o Dia Mundial do Rock para evocar o ícone do rock’n’roll nacional e chamar para a pista o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell.

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‘Se você quer brigar e acha com isso estou sofrendo
Se enganou meu bem
Pode vir quente que eu estou fervendo!’

'Vem quente que eu estou fervendo' - Erasmo Carlos (1967)

O índice de preços ao consumidor norte-americano (CPI, na sigla em inglês) surpreendeu o mercado e azedou de vez o humor dos investidores.

E “qualquer surpresa hoje pode ter um grande impacto”, já havia antecipado Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank.

Inflação nos EUA está no nível mais alto desde 1981

A inflação oficial acelerou-se a 1,3% de maio para junho nos Estados Unidos, de 1,0% no mês anterior. O vilão de junho foi o preço dos combustíveis.

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No acumulado em 12 meses, o CPI subiu 9,1% em junho. Trata-se do nível mais alto desde novembro de 1981.

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O resultado surpreendeu para cima. Na mediana das estimativas, os participantes do mercado esperavam altas de 1,1% no mês e 8,8% no ano.

Reação exagerada?

Já o impacto previsto por Reid é negativo. Os índices de ações de Nova York abriram em queda acentuada, o Ibovespa opera no vermelho e as bolsas de valores europeias afundaram ainda mais.

Segundo ele, os temores relacionados a uma possível recessão se justificam pelos aumentos agressivos das taxas de juro pelos bancos centrais (principalmente o Fed), pela alta dos casos de Covid na China e pela perspectiva de a Rússia manter a Europa sem gás por mais tempo que o previsto.

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Num comunicado divulgado pouco depois, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, admitiu que a inflação está "inaceitavelmente alta", mas alegou que os números estão "desatualizados".

Marcelo Oliveira, CFA e fundador da Quantzed, ecoa Biden e considera a reação do mercado à inflação nos EUA é exagerada. Para ele, o número divulgado hoje fala do passado em um momento no qual a pressão sobre os preços das commodities teria ficado para trás.

“Óbvio que inflação mais alta nos Estados Unidos cansa porque nem Estados Unidos nem China estão conseguindo crescer. Na minha opinião, o pior da inflação parece ter ficado para trás”, disse ele.

E o Fed?

De qualquer modo, diante da inflação no nível mais elevado em mais de quatro décadas, a expectativa é de que o Fed promova movimentos ainda mais agressivos na tentativa de domar o dragão.

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Antes da divulgação dos números de hoje, os participantes do mercado esperavam uma nova alta de pelo menos 75 pontos-base na taxa básica de juro na próxima reunião do Fed, marcada pra o fim de julho.

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