Populares, mas pouco transparentes? Anbima vai criar novas regras para fundos que investem em criptomoedas
O patrimônio de fundos que investem em ativos digitais disparou 680% de dezembro de 2020 a abril de 2022, para os atuais R$ 4,7 bilhões

Os fundos que investem em criptomoedas estão ganhando cada vez mais popularidade entre os brasileiros. De acordo com a Anbima, o patrimônio desses fundos disparou 680% de dezembro de 2020 a abril de 2022, ao passar de R$ 600 milhões para os atuais R$ 4,7 bilhões. Porém, apesar de serem populares, os riscos desse tipo de investimento podem não estar claros o suficiente para quem investe.
“O mercado de ativos digitais é pulsante, e acreditamos que a implementação de boas práticas é essencial para o desenvolvimento ordenado e sustentável desses fundos”, disse Zeca Doherty, superintendente-geral da Anbima.
A Anbima (Associação das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) está discutindo a criação de novas regras para estes fundos em busca de uma maior transparência aos investidores em relação aos fatores de riscos destes investimentos.
“A definição de regras e parâmetros claros contribui para a proteção e a tomada de decisão dos investidores, que ganham com a maior transparência”, destacou Doherty.
Novas regras para fundos de criptomoedas
A Anbima criou um grupo de trabalho para formar estas regulações, que será formado por profissionais de gestoras, bancos, administradoras e casas de análise especializadas em ativos digitais.
“Abrimos uma frente para criar algumas regras específicas para os fundos de investimento quando aplicarem em ativos digitais. Sentimos a necessidade de atuar rapidamente na autorregulação, principalmente olhando para a proteção do investidor”, disse Zeca.
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Os membros do grupo deverão discutir ainda sobre as responsabilidades dos prestadores de serviço, além de precificação e liquidez dos ativos.
“A intenção não é engessar a gestão dos fundos que investem nesses ativos, mas assegurar que as instituições estão observando critérios mínimos e padrões para comercialização dos produtos”, explicou o superintendente-geral da Anbima.
“Estou ciente e desejo continuar”
Uma das determinações já estabelecida pela associação é tornar obrigatória a inclusão de um disclaimer — isto é, um termo de responsabilidade — em materiais publicitários para investidores, que deixem claros os detalhes de aplicação em fundos de criptomoedas.
A primeira norma é sobre os fatores de risco dos investimentos em ativos de risco. A regra deve ser aberta para debate em audiência pública ainda este ano, com a possibilidade de o mercado enviar sugestões.
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