A Vale (VALE3) já subiu 10% em 2022. Para o Itaú BBA, há espaço para mais — e dividendos extraordinários estão no radar
A alta no minério, combinada ao baixo endividamento da Vale (VALE3), tende a fortalecer as ações e abre espaço para novos dividendos

A Vale (VALE3) tem um papel fundamental no inesperado rali da bolsa brasileira: acumulando ganhos de 10% desde o começo do ano, as ações da mineradora estão entre os destaques positivos do Ibovespa em 2022. Mas, mesmo com os ganhos acumulados de lá para cá, o Itaú BBA acredita que os papéis ainda estão desvalorizados — e com perspectiva de pagamento de novos dividendos extraordinários.
Em relatório divulgado mais cedo, o banco elevou o preço-alvo para VALE3, de R$ 90 para R$ 100, mantendo a recomendação de compra — a cotação implica num potencial de valorização de 16% em relação ao fechamento de ontem (2), a R$ 86,16. Nesta quinta (3), as ações operam em leve alta de 0,66%, a R$ 86,42.
O otimismo do banco em relação à Vale é baseado em três fatores: a dinâmica de alta nas cotações do minério de ferro, o baixo nível de endividamento da companhia e a perspectiva de avanço nos resultados operacionais da mineradora, considerando a elevação nos preços da commodity.
"Observamos que a companhia está mais confiante nas perspectivas para os preços do minério de ferro em 2022, após medidas do governo chinês para estabilizar a economia, principalmente para a construção civil, um setor relevante no consumo de aço", escreve o analista Daniel Sasson, citando um encontro recente com a diretoria financeira da Vale.
Além do aumento na demanda chinesa por minério de ferro, há ainda um cenário de oferta restrita da commodity, especialmente no mercado de alta qualidade — justamente a especialidade da Vale. Esses dois fatores, combinados, têm potencial para levar as cotações do produto a patamares ainda mais altos.
E, de fato, o comportamento do mercado à vista de minério de ferro mostra que há uma pressão altista sobre a commodity. A tonelada do produto no porto chinês de Qingdao está sendo negociada na faixa de US$ 145, cifra 21% maior que a vista no fim do ano passado.
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É verdade que o minério ainda está distante do nível visto no primeiro semestre do ano passado, quando chegou a valer mais de US$ 200 a tonelada. Ainda assim, a cotação atual já é bastante favorável à Vale — e a tendência de valorização adicional só melhora as perspectivas para a companhia brasileira.
A empresa reiterou ainda sua estratégia de longa data de não colocar oferta adicional de minério que não acredita que possa ser absorvida pelo mercado, mesmo que isso signifique não atingir sua meta de produção de 400 milhões de toneladas durante os próximos anos.
Itaú BBA, em relatório
Vale: finanças em dia, dividendos no radar
No lado financeiro, o Itaú BBA destaca a posição confortável da Vale (VALE3): ao fim do terceiro trimestre de 2021, a empresa tinha uma posição de caixa de mais de US$ 11 bilhões e um endividamento líquido de US$ 2,2 bilhões. Como resultado, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda nos últimos 12 meses era de apenas 0,4 vez.
Essa métrica tende a recuar ainda mais, uma vez que o preço mais elevado do minério de ferro gera um impacto positivo sobre o Ebitda. E essa condição confortável de endividamento abre espaço para novos pagamentos de dividendos extraordinários.
Em setembro do ano passado, a Vale anunciou a distribuição de mais de R$ 40 bilhões em dividendos aos acionistas — cifra que correspondia a mais de R$ 8,00 por ação VALE3.
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VALE3: otimismo do mercado
O Itaú BBA não é o único banco que está otimista com as ações da Vale (VALE3): de acordo com dados do TradeMap, os papéis da empresa contam com 11 recomendações, sendo sete de compra e quatro neutras. O preço-alvo médio é de R$ 107,69, o que implica num potencial de alta de 25% em relação aos níveis atuais.
Em termos de valuation, as ações VALE3 são negociadas atualmente com um múltiplo EV/Ebitda de 3,3 vezes, abaixo da média de três anos para o papel, de 7,7 vezes. O múltiplo é inferior ao de outras grandes mineradoras do mundo, como Rio Tinto (3,5x), BHP (5,3x), Glencore (10,6x) e Anglo American (3,6x).

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