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Nos próximos dias, os Bancos Centrais dos EUA e do Brasil permanecem no foco dos investidores, junto com uma semana recheada de balanços importantes para o índice local
A primeira semana de maio deve começar difícil para as principais bolsas pelo mundo. A proximidade da decisão de política monetária do Federal Reserve injeta cautela nos investidores nesta segunda-feira (05). Além de tudo, os índices devem sentir o ajuste de carteiras de começo de mês.
De maneira um pouco mais local, a decisão sobre juros aqui no Brasil também deve afetar os negócios ao longo dos próximos dias. A chamada “Super Quarta” é o dia mais esperado após uma semana de indicadores de inflação tanto por aqui quanto nos Estados Unidos.
Os próximos dias ainda contam com uma série de relatórios de emprego nos EUA, com o principal deles — o payroll — divulgado na sexta-feira (06).
Nos próximos pregões, os investidores devem buscar a recuperação das perdas na semana passada; o principal índice da B3 fechou o pregão da última sexta-feira (29) em queda de 1,86%, aos 107.876 pontos, nas mínimas do dia.
Já o dólar se aproximou ainda mais dos R$ 5,00 e fechou a sessão em leve alta de 0,06%, a R$ 4,9427.
Confira o que movimentará as bolsas, o dólar e o Ibovespa nos próximos dias:
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Os principais índices asiáticos encerraram o pregão desta segunda-feira em queda, seguindo o fraco desempenho de Nova York da semana passada. O índice do gerente de compras (PMI, em inglês) da China também corroborou para o fraco desempenho das bolsas por lá.
Na abertura da Europa, a desaceleração chinesa também pressiona os índices e as bolsas por lá seguem em baixa. A recente onda de covid-19 que se alonga no país já começou a afetar o desempenho da economia — o que pode afetar os demais países no longo prazo.
Por último, os futuros de Wall Street operam na direção contrária, no aguardo da decisão de política monetária da próxima quarta-feira (04).
Um dos eventos mais esperados do ano pelos investidores é a reunião de maio do Federal Reserve. Esse encontro do Fomc — o Copom americano — pode dar maiores detalhes sobre o plano de aperto monetário dos EUA e a redução do balanço patrimonial do Fed.
Na última leitura, a inflação (medida pelo PCE) por lá veio em linha com o esperado, acumulando alta de 5,2% na base anual, o que representa o maior avanço de preços para o período em mais de 40 anos.
Entretanto, os dados preliminares do PIB do primeiro trimestre por lá também vieram mais fracos do que as projeções, em queda de 1,4% — a expectativa era de um crescimento de 1,0%.
Jerome Powell, presidente da instituição, deve acompanhar a divulgação dos dados do payroll desta semana e pode precisar adequar seu discurso para próxima reunião de política monetária se a economia não estiver “sólida o bastante para sobreviver a alta nos juros”, nas palavras dele.
Além dos juros por lá, o nosso Banco Central também divulga a decisão dos juros nesta semana. Assim como os norte-americanos, os brasileiros também vivem com uma inflação desenfreada e crescente nos últimos meses.
De acordo com o IBGE, o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, acelerou 1,73% até a metade de abril. Isso representa a maior alta para o mês desde 2003, quando o índice de fevereiro teve alta de 2,19%.
O nosso BC deve, portanto, aumentar os juros em 100 pontos base, trazendo a Selic para patamares de 11,75% ao ano para 12,75%. O fim do ciclo de altas deve encerrar em 13,25%, mas o “cenário alternativo” proposto pelo presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, pode fazer com que os planos mudem.
Algumas casas de análise já preveem que os juros básicos devem chegar até os 14,00% — já as previsões menos otimistas dão conta de um patamar de 15,00%.
O mercado deve acompanhar a volta da divulgação de alguns indicadores publicados pelo Banco Central, mesmo com a retomada da greve dos servidores do BC.
O IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, será publicado hoje, juntamente com o Boletim Focus, com as perspectivas do mercado para a economia.
Os investidores locais ainda acompanham os primeiros passos da eleição de outubro. Um dos pontos que pesa para o Brasil será a revisão do teto de gastos, que entrou em xeque nos últimos meses.
Os primeiros colocados nas pesquisas da corrida eleitoral falaram da revisão do limite de gastos públicos — o que pode pesar no sentimento do mercado nos próximos dias.
O ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva (PT) já declarou abertamente ser contra a medida, enquanto o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) deu sinais de que também deve revisar o teto.
Até o momento, o “pacote de bondades” de Bolsonaro — com uma série de benefícios e isenções fiscais — custou cerca de R$ 82 bilhões aos cofres públicos, de acordo com as contas do jornal O Estado de São Paulo.
Nas despesas, temos os gastos com o Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família), de R$ 41 bilhões, e vale-gás, no valor de R$ 1,9 bilhão, além do aumento linear de 5% para os servidores, que devem somar mais de R$ 12 bilhões.
Já na parte das isenções, o governo abriu mão de R$ 27,4 bilhões para ampliar o corte do IPI para 35%, além do reajuste da tabela do Imposto de Renda, que deve aumentar a perda de receitas em R$ 20 bilhões.
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