Inflação assusta, pressiona curva de juros, e dólar sobe quase 1% na semana; Ibovespa fica no vermelho
A inflação assustou, e o mercado voltou a precificar uma Selic mais alta do que os 12,75% prometidos pelo Banco Central. Em uma semana tensa, a bolsa recuou, e o dólar voltou a se valorizar

Preocupante, assustador e crítico. Esses foram apenas alguns dos adjetivos utilizados por especialistas do mercado para descrever o susto levado com o indicador de inflação divulgado nesta sexta-feira (08) e que trouxe um clima extra de cautela para o mercado brasileiro hoje.
O índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) atingiu o maior patamar para o mês de março em 28 anos e superou em muito a expectativa do mercado. A inflação foi de 1,62% no período, ante projeção de 1,35%, e mostrou que a alta dos combustíveis está longe de ser o único vilão.
A leitura do mercado entrou rapidamente em choque com o posicionamento recente do Banco Central, que havia deixado claro que uma alta de 1 ponto percentual na próxima reunião poderia ser a última do ciclo de aperto monetário. Roberto Campos Neto, presidente do BC, fez questão de reforçar o posicionamento ao longo das últimas semanas.
Com o real valorizado, a Selic em patamares já elevados e a volta da bandeira tarifária verde na conta de energia elétrica a partir do dia 16, tem quem acredite que o Banco Central deve manter o seu plano de voo, mas essa não parece ser a aposta predominante do mercado após os dados de hoje.
- MUDANÇAS NO IR 2022: baixe o guia gratuito sobre o Imposto de Renda deste ano e evite problemas com a Receita Federal; basta clicar aqui
Ainda que a elevação de 1 ponto percentual para o próximo Copom siga sendo a expectativa, muitos especialistas apontam que o BC pode ser obrigado a não parar por aí. Ao invés de uma Selic terminal de 12,75% ao ano, já tem banco projetando uma taxa de juros de pelo menos 14% a.a.. Isso na mesma semana em que o Federal Reserve mostrou disposição para endurecer o seu discurso.
O susto com o IPCA se refletiu em uma disparada da curva de juros e uma maior cautela na bolsa. O Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,45%, aos 118.322 pontos, um recuo acumulado de 2,67% na semana. O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,67%, a R$ 4,7089, revertendo o comportamento que havia exibido ao longo da manhã e acumulando uma alta de 0,89% na semana.
Leia Também
Ambev (ABEV3) desbanca gigantes como a ação mais negociada da B3 por um grupo de investidores; descubra qual
Olhando para o IPCA
O índice de preços ao consumidor amplo (IPCA), divulgado nesta manhã, mostrou que o indicador de inflação acelerou para 1,62% em março, maior patamar para o mês em 28 anos.
Para Gustavo Arruda, chefe de pesquisa econômica para a América Latina do BNP Paribas, o número coloca em dúvida a postura que vem sendo adotada pelo Banco Central brasileiro nas últimas semanas.
O comunicado da última reunião do Copom e falas recentes do presidente do BC, Roberto Campos Neto, mostram que a entidade deve parar de elevar a taxa básica de juros na reunião de maio, a 12,75% ao ano.
O economista, no entanto, aponta que o número visto em março não deve ser um resultado isolado, e o indicador deve seguir pressionado – levantando a possibilidade de uma atuação mais dura na política monetária.
Embora o indicador tenha surpreendido para o mês, o número reforça a expectativa para o ano do BNP Paribas. São três pontos que levam Arruda a acreditar na continuidade do ciclo de alta da Selic:
- A inflação alta se encontra disseminada em diversos núcleos e grupos;
- O câmbio abaixo de R$ 5 está ajudando o país a não sofrer um choque de commodities com a alta vista no exterior, mas é improvável que o real mantenha o ritmo de valorização nos próximos meses;
- Para evitar um impacto negativo ainda maior e garantir uma convergência lenta das expectativas de inflação, o BC deveria continuar subindo a taxa de juros até pelo menos 14,25%. Já a equipe da CM Capital acredita em uma Selic terminal de 13,75% – também acima do teto atualmente estipulado pelo Copom.
Não é só a inflação local…
Hoje foi o IPCA que azedou o humor dos investidores e pressionou a curva de juros, mas os últimos dias já não foram de tranquilidade.
No início da semana, o Federal Reserve voltou aos holofotes, com a divulgação da ata da última reunião e a fala de diversos dirigentes da instituição indicando que uma postura mais enérgica pode ser inevitável.
Primeiro foi a diretora do Federal Reserve, Lael Brainard, indicada para a vice-presidência do BC americano. Ela afirmou que ações mais fortes poderiam ser adotadas para enfrentar a inflação alta, principalmente diante de eventos internacionais como os novos lockdowns na China, possivelmente responsáveis por estender os gargalos das cadeias produtivas, e a guerra na Ucrânia.
Depois, Esther George, presidente do Fed do Kansas City e membro votante das reuniões de política monetária, disse que uma elevação de 50 pontos-base é uma opção a ser considerada diante do cenário, posição defendida também por outros dirigentes ao longo da semana.
Na quarta-feira, a ata do Fed mostrou que diversos membros da instituição são a favor de acelerar a alta dos juros. Já o programa de recompra de ativos deve ser encerrado antes do previsto, abrindo as curvas de juros ao redor do mundo.
Sobe e desce do Ibovespa
O andamento do processo de capitalização da Eletrobras, com a retirada do pedido de funcionários para a participação na discussão, levou os papéis a registrarem uma valorização expressiva.
A segunda estatal a aparecer entre os principais destaques da semana foi a Petrobras, que teve, enfim, novos indicados para assumirem a sua chefia. Para o cargo de presidente executivo foi indicado José Mauro Ferreira Coelho, químico com experiência no setor de óleo e gás e atual presidente do conselho de administração da estatal do pré-sal, a PPSA.
José Mauro já teve passagem pelo MME, como secretário de petróleo, gás natural e biocombustíveis. Para a presidência do conselho, foi indicado Marcio Andrade Weber, conselheiro da companhia. Os nomes foram bem recebidos pelo mercado.
Confira os melhores desempenhos da semana
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| BEEF3 | Minerva ON | R$ 14,08 | 10,00% |
| ELET3 | Eletrobras ON | R$ 42,84 | 9,01% |
| ELET6 | Eletrobras PNB | R$ 41,31 | 6,25% |
| PETR3 | Petrobras ON | R$ 37,08 | 5,25% |
| MRFG3 | Marfrig ON | R$ 22,35 | 4,98% |
A pressão nos juros advinda da inflação mais alta do que o esperado e a perspectiva de um aperto monetário maior do que o esperado nos Estados Unidos pesou sobre as ações de consumo e do setor de tecnologia. Confira as maiores quedas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| CASH3 | Méliuz ON | R$ 2,26 | -19,29% |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 18,85 | -17,51% |
| VIIA3 | Via ON | R$ 3,60 | -16,86% |
| LWSA3 | Locaweb ON | R$ 8,74 | -16,84% |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 6,13 | -16,60% |
RECOMENDAÇÃO NEUTRA
UBS BB passa a tesoura no preço-alvo de Santander (SANB11) e desiste da recomendação de olho em OPA; o que aconteceu?
24 de agosto de 2026 - 15:22DESTAQUES DA BOLSA
Casamento à vista? Yduqs (YDUQ3) dispara 12% após confirmar conversas com dona da Afya (AFYA) para combinação de negócios
24 de agosto de 2026 - 11:27EM MEIO A UM "VALE DE DESEMPENHO"
Após o ‘maior erro de sua história’, Squadra coloca Meli (MELI34) e Nubank (ROXO34) entre as maiores apostas e vê oportunidades ignoradas pelo mercado
24 de agosto de 2026 - 11:07CARTEIRA SEMANAL
Quer ganhar do Ibovespa? Terra aposta em WEG (WEGE3), MBRF (MBRF3) e mais 3 ações nesta semana
23 de agosto de 2026 - 15:30SOB PRESSÃO
TRXF11 está dando um passo maior que a perna? CEO responde, mas mercado não compra e cota cai mais de 9% nesta semana
22 de agosto de 2026 - 14:33SOBE E DESCE
Ibovespa engata 3ª semana de sangria, e Hapvida (HAPV3) despenca de novo; veja quais ações sobreviveram
22 de agosto de 2026 - 12:11PIOR DO RANKING
Do topo ao poço da América Latina: Ibovespa perde o encanto e entra na lanterna dos gringos
21 de agosto de 2026 - 19:33ADEUS, ESTRANGEIRO
UBS vê exagero no medo dos juros nos EUA, mas alerta: Brasil está entre os mercados mais vulneráveis
21 de agosto de 2026 - 18:31BOTA CASACO, TIRA CASACO
Hapvida (HAPV3) convence ANS e consegue derrubar trava sobre reajustes — mas agência ficará de olho
21 de agosto de 2026 - 18:02AÇÕES PARA COMPRAR AGORA
As melhores oportunidades desde a crise Dilma: após a bolsa perder o equivalente a uma Vale (VALE3), gestor revela onde investir
21 de agosto de 2026 - 17:17Conteúdo BTG Pactual
FI-Infra: Conheça classe de ativos e saiba se vale a pena investir agora
21 de agosto de 2026 - 16:00TOUROS E URSOS #284
Até os gênios da Faria Lima desistiram? Por que a crise dos multimercados não é o fim da indústria
20 de agosto de 2026 - 19:02CORRIDA DO OURO
Novo tesouro? Quem é a desconhecida Amapá Minerals, mineradora de ouro que conquistou o BTG Pactual e pode saltar 62%
20 de agosto de 2026 - 18:01PENTE-FINO
Hapvida (HAPV3) ganha novo problema: ANS barra estratégia que coloca 950 mil clientes na mira e ações caem mais de 7%
20 de agosto de 2026 - 17:35DISPARADA NAS ÚLTIMAS HORAS
O que fez o bitcoin disparar 20% e voltar aos US$ 72 mil? Três fatores explicam a arrancada
20 de agosto de 2026 - 10:40CONTEÚDO BTG PACTUAL
Um novo jeito de investir na Amazônia: Conheça o AMAB11, ETF do BTG Pactual
20 de agosto de 2026 - 9:30ANALISTAS RECOMENDAM A COMPRA
Embraer (EMBJ3), Sabesp (SBSP3) e Rede D’Or (RDOR3) têm gatilho em comum para o BTG e a XP; entenda por que investir
19 de agosto de 2026 - 18:12DO PICO AO PISO
A pior semana para a bolsa brasileira em 18 anos: você deve seguir a fuga de R$ 12,6 bilhões dos estrangeiros?
19 de agosto de 2026 - 14:28PECHINCHA OU VALOR?
“Não é agora”: gestor da AlphaKey manda recado sobre Magazine Luiza (MGLU3) e revela o que procura na bolsa
18 de agosto de 2026 - 19:15POR TRÁS DA DISPARADA