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FECHAMENTO DO DIA

Inflação assusta, pressiona curva de juros, e dólar sobe quase 1% na semana; Ibovespa fica no vermelho

A inflação assustou, e o mercado voltou a precificar uma Selic mais alta do que os 12,75% prometidos pelo Banco Central. Em uma semana tensa, a bolsa recuou, e o dólar voltou a se valorizar

Cristo Redentor olhando assustado para a elevação da inflação, com gráficos do Ibovespa ao fundo
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Preocupante, assustador e crítico. Esses foram apenas alguns dos adjetivos utilizados por especialistas do mercado para descrever o susto levado com o indicador de inflação divulgado nesta sexta-feira (08) e que trouxe um clima extra de cautela para o mercado brasileiro hoje. 

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O índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) atingiu o maior patamar para o mês de março em 28 anos e superou em muito a expectativa do mercado. A inflação foi de 1,62% no período, ante projeção de 1,35%, e mostrou que a alta dos combustíveis está longe de ser o único vilão. 

A leitura do mercado entrou rapidamente em choque com o posicionamento recente do Banco Central, que havia deixado claro que uma alta de 1 ponto percentual na próxima reunião poderia ser a última do ciclo de aperto monetário. Roberto Campos Neto, presidente do BC, fez questão de reforçar o posicionamento ao longo das últimas semanas. 

Com o real valorizado, a Selic em patamares já elevados e a volta da bandeira tarifária verde na conta de energia elétrica a partir do dia 16, tem quem acredite que o Banco Central deve manter o seu plano de voo, mas essa não parece ser a aposta predominante do mercado após os dados de hoje. 

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Ainda que a elevação de 1 ponto percentual para o próximo Copom siga sendo a expectativa, muitos especialistas apontam que o BC pode ser obrigado a não parar por aí. Ao invés de uma Selic terminal de 12,75% ao ano, já tem banco projetando uma taxa de juros de pelo menos 14% a.a.. Isso na mesma semana em que o Federal Reserve mostrou disposição para endurecer o seu discurso. 

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O susto com o IPCA se refletiu em uma disparada da curva de juros e uma maior cautela na bolsa. O Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,45%, aos 118.322 pontos, um recuo acumulado de 2,67% na semana. O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,67%, a R$ 4,7089, revertendo o comportamento que havia exibido ao longo da manhã e acumulando uma alta de 0,89% na semana. 

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Olhando para o IPCA

O índice de preços ao consumidor amplo (IPCA), divulgado nesta manhã, mostrou que  o indicador de inflação acelerou para 1,62% em março, maior patamar para o mês em 28 anos.

Para Gustavo Arruda, chefe de pesquisa econômica para a América Latina do BNP Paribas, o número coloca em dúvida a postura que vem sendo adotada pelo Banco Central brasileiro nas últimas semanas.

O comunicado da última reunião do Copom e falas recentes do presidente do BC, Roberto Campos Neto, mostram que a entidade deve parar de elevar a taxa básica de juros na reunião de maio, a 12,75% ao ano.

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O economista, no entanto, aponta que o número visto em março não deve ser um resultado isolado, e o indicador deve seguir pressionado – levantando a possibilidade de uma atuação mais dura na política monetária.

Embora o indicador tenha surpreendido para o mês, o número reforça a expectativa para o ano do BNP Paribas. São três pontos que levam Arruda a acreditar na continuidade do ciclo de alta da Selic:

  • A inflação alta se encontra disseminada em diversos núcleos e grupos;
  • O câmbio abaixo de R$ 5 está ajudando o país a não sofrer um choque de commodities com a alta vista no exterior, mas é improvável que o real mantenha o ritmo de valorização nos próximos meses;
  • Para evitar um impacto negativo ainda maior e garantir uma convergência lenta das expectativas de inflação, o BC deveria continuar subindo a taxa de juros até pelo menos 14,25%. Já a equipe da CM Capital acredita em uma Selic terminal de 13,75% – também acima do teto atualmente estipulado pelo Copom.

Não é só a inflação local…

Hoje foi o IPCA que azedou o humor dos investidores e pressionou a curva de juros, mas os últimos dias já não foram de tranquilidade. 

No início da semana, o Federal Reserve voltou aos holofotes, com a divulgação da ata da última reunião e a fala de diversos dirigentes da instituição indicando que uma postura mais enérgica pode ser inevitável. 

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Primeiro foi a diretora do Federal Reserve, Lael Brainard, indicada para a vice-presidência do BC americano. Ela afirmou que ações mais fortes poderiam ser adotadas para enfrentar a inflação alta, principalmente diante de eventos internacionais como os novos lockdowns na China, possivelmente responsáveis por estender os gargalos das cadeias produtivas, e a guerra na Ucrânia.

Depois, Esther George, presidente do Fed do Kansas City e membro votante das reuniões de política monetária, disse que uma elevação de 50 pontos-base é uma opção a ser considerada diante do cenário, posição defendida também por outros dirigentes ao longo da semana. 

Na quarta-feira, a ata do Fed mostrou que diversos membros da instituição são a favor de acelerar a alta dos juros. Já o programa de recompra de ativos deve ser encerrado antes do previsto, abrindo as curvas de juros ao redor do mundo. 

Sobe e desce do Ibovespa

O andamento do processo de capitalização da Eletrobras, com a retirada do pedido de funcionários para a participação na discussão, levou os papéis a registrarem uma valorização expressiva. 

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A segunda estatal a aparecer entre os principais destaques da semana foi a Petrobras, que teve, enfim, novos indicados para assumirem a sua chefia. Para o cargo de presidente executivo foi indicado José Mauro Ferreira Coelho, químico com experiência no setor de óleo e gás e atual presidente do conselho de administração da estatal do pré-sal, a PPSA. 

José Mauro já teve passagem pelo MME, como secretário de petróleo, gás natural e biocombustíveis. Para a presidência do conselho, foi indicado Marcio Andrade Weber, conselheiro da companhia. Os nomes foram bem recebidos pelo mercado. 

Confira os melhores desempenhos da semana

CÓDIGONOMEVALORVARSEM
BEEF3Minerva ONR$ 14,0810,00%
ELET3Eletrobras ONR$ 42,849,01%
ELET6Eletrobras PNBR$ 41,316,25%
PETR3Petrobras ONR$ 37,085,25%
MRFG3Marfrig ONR$ 22,354,98%

A pressão nos juros advinda da inflação mais alta do que o esperado e a perspectiva de um aperto monetário maior do que o esperado nos Estados Unidos pesou sobre as ações de consumo e do setor de tecnologia. Confira as maiores quedas da semana:

CÓDIGONOMEVALORVARSEM
CASH3Méliuz ONR$ 2,26-19,29%
BIDI11Banco Inter unitR$ 18,85-17,51%
VIIA3Via ONR$ 3,60-16,86%
LWSA3Locaweb ONR$ 8,74-16,84%
MGLU3Magazine Luiza ONR$ 6,13-16,60%
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