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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO DO DIA

Medo de uma recessão ameniza e Ibovespa sobe 1,35% na semana; dólar cai, mas PEC dos benefícios pressiona juros

Apesar no alívio das preocupações com o aperto monetário americano, o Ibovespa sefguiu pressionado pela questão fiscal

Jasmine Olga
Jasmine Olga
8 de julho de 2022
18:57 - atualizado às 19:16
Federal Reserve
Imagem: Montagem Andrei Morais/ Shutterstock

Desde que a crise deixada pelo coronavírus começou a ficar no passado, o mercado financeiro se viu diante de uma dificuldade maior na leitura dos dados econômicos divulgados. 

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É bem verdade que caminhamos muito desde que o pior passou, mas os economistas e os banqueiros centrais seguem tendo que encarar números ambíguos na hora de tomar uma decisão. 

No passado recente, chamava a atenção a desigualdade da recuperação dos diversos setores da economia. Agora, indicadores de inflação e do mercado de trabalho se chocam e não permitem que um cenário-base definitivo seja cravado. O resultado disso você conhece bem: muita volatilidade nas bolsas. 

Nestes tempos, é difícil que um número seja apenas “bom” ou “ruim”. Sempre existem muitas camadas a serem analisadas. Tome por exemplo a divulgação do relatório do mercado de trabalho americano (payroll) divulgado nesta manhã. 

Foram criados 372 mil vagas de emprego, acima das previsões de 275 mil.  Se por um lado o número comprova a recuperação da economia, por outro a resiliência do mercado de trabalho estadunidense pode ser um sinal verde para que o Banco Central norte-americano siga o plano de elevar os juros ainda mais. 

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Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, a postura do Fed se manterá restritiva e firme em controlar a inflação até que os dados parem de ser dúbios e mostre que em diversos espectros da economia americana ela se encontra realmente em desaceleração, o que só deve acontecer mais para o fim do terceiro trimestre. 

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Em Nova York, as bolsas conseguiram reverter as perdas iniciais e fecharam em leve alta, ainda otimistas com a possibilidade de se evitar uma recessão. A inflação brasileira veio levemente acima do esperado, mas a instabilidade provocada pelos dados imperou ao longo do dia – que também contou com uma pressão negativa do minério de ferro. 

Com isso, o Ibovespa fechou o dia em queda de 0,44% aos 100.288,94 pontos, mas acumulou um avanço de 1,35% na semana. Já o dólar à vista fechou a sexta-feira em baixa de 1,44%, a R$ 5,2680, um recuo de 1% no mesmo período. 

Ainda tá salgada

A inflação oficial de junho acelerou menos que o esperado pela maior parte do mercado, mas nem por isso a notícia serve de alívio grande para o quadro inflacionário brasileiro. Os itens que provocaram o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês passado sinalizam uma piora na “qualidade” da inflação.

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O índice de inflação ficou em 0,67%, um acumulado de 11,89% nos últimos 12 meses. Para boa parte dos analistas, o número segue indicando que o Banco Central (BC) pode ser obrigado a intensificar ainda mais o forte aperto monetário e prolongue a escalada dos juros, que em pouco mais de um ano já levou a taxa Selic de 2% para 13,25% ao ano.

Ficou para depois

Era esperado para a noite de ontem a votação final da PEC dos benefícios, que deve ter um impacto fiscal de R$ 40 bilhões, mas a sessão foi interrompida por falta de quórum. 

Ao longo da semana, a pressão oriunda da preocupação com as contas públicas foi a principal razão para vermos uma inclinação dos principais contratos de DI. 

CÓDIGONOMEULT FEC 
DI1F23DI jan/2313,79%13,76%
DI1F25DI Jan/2512,97%12,84%
DI1F26DI Jan/2612,85%12,71%
DI1F27DI Jan/2712,88%12,74%

Sobe e desce do Ibovespa

Aproveitando um momento de rotação de carteiras e também um alívio na percepção de recessão, as empresas dos setores de varejo e educação recuperaram parte das perdas recentes. Confira as maiores altas da semana:

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CÓDIGONOMEULTVARSEM
VIIA3Via ONR$ 2,4429,10%
AMER3Americanas S.AR$ 15,9024,90%
MGLU3Magazine Luiza ONR$ 2,6420,00%
COGN3Cogna ONR$ 2,4217,48%
YDUQ3Yduqs ONR$ 14,8114,10%

Ao mesmo tempo, o temor de recessão e a forte desvalorização do dólar levou as petroleiras e exportadoras a dominarem as principais quedas dos últimos dias. Vale lembrar que o petróleo chegou a acumular perdas de 12% ao precificar uma demanda menor para a commodity Confira as maiores quedas:

CÓDIGONOMEULTVARSEM
RRRP33R Petroleum ONR$ 32,82-7,78%
GOLL4Gol PNR$ 8,48-7,73%
BRKM5Braskem PNAR$ 34,57-7,39%
SUZB3Suzano ONR$ 47,60-5,65%
ELET3Eletrobras ONR$ 43,78-4,51%

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