Ibovespa interrompe sequência positiva com renovação da crise na Ucrânia; dólar cai a R$ 5,14
O Ibovespa voltou a ter um acumulo semanal negativo, acompanhando o humor internacional, mas o dólar seguiu em queda

Muita coisa pode mudar em um curto espaço de tempo. Uma doença desconhecida vira uma pandemia, uma nova moda toma conta da internet, um novo conflito geopolítico domina as páginas dos jornais, e poucas palavras, proferidas pelas pessoas certas, mudam o rumo do mercado financeiro global.
É bem provável que até algumas semanas atrás muitos investidores tivessem certa dificuldade para indicar a Ucrânia no mapa ou explicar a complexidade das relações dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Mas a recente escalada de tensão no leste europeu e os repetidos alertas dos Estados Unidos de que uma invasão russa ao território ucraniano é iminente fizeram com que esse cenário mudasse.
O que não mudou é que, até agora, uma invasão não aconteceu. A Rússia garante que suas tropas estão se afastando da fronteira, mas a Casa Branca não compra esse discurso e segue alertando que um conflito – sob falsos pretextos – pode se iniciar nos próximos dias.
Sem paz firmada e sem conflito real (até o momento), os mercados seguem envoltos em uma névoa de incerteza. As bolsas americanas tiveram mais um dia de forte queda, e o Ibovespa encerrou uma sequência positiva.
Nesta sexta-feira, o principal índice da B3 recuou 0,57%, aos 112.879 pontos. Embora a queda semanal acumulada tenha sido de 0,60%, Lucas Xavier, analista técnico da Warren, aponta que isso não indica que o Ibovespa deve reverter a tendência de alta vista até agora.
No câmbio, o dólar à vista seguiu a corrente contrária e não interrompeu o movimento de alívio que tem marcado 2022, mais uma vez apoiado no forte fluxo estrangeiro que ajuda na valorização do real. Hoje, o recuo foi de 0,52%, a R$ 5,1400, uma queda de 1,95% na semana.
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O que o Fed pensa
Além da crise na Ucrânia, os investidores também ficaram atentos ao Federal Reserve. O banco central americano divulgou nesta semana a ata da sua última reunião, mas não selou nenhum compromisso com relação ao ritmo de aperto monetário que será adotado pela instituição.
O documento animou os investidores, mas as palavras de James Bullard, presidente do Fed de St. Louis e membro votante do Fomc, trouxeram dúvidas. Bullard acredita que a elevação dos juros deve ocorrer de forma intensa, com uma alta de 1 ponto percentual até julho.
O alerta de invasão russa iminente segue pairando sobre os mercados, mas, aparentemente, sem novas movimentações que explicariam uma potencial deterioração do cenário. A Casa Branca continua afirmando que as tropas russas não se afastaram da fronteira ucraniana conforme o prometido pelas autoridades do país.
Mais cedo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que as potenciais sanções econômicas que possam vir a ser adotadas pelos Estados Unidos e outros países da Europa são ilegais e violam as leis internacionais.
Minério de ferro
Nesta semana, a China voltou a pressionar os preços do minério de ferro, impactando não só a cotação da commodity como também o desempenho das empresas siderúrgicas e mineradoras brasileiras.
Depois da investida feita no fim do ano passado, o governo chinês voltou a acusar empresas e produtores de manipulação do preço do minério de ferro. Para conter a escalada da commodity, negociações de contratos futuros passaram a ser sobretaxadas, com avisos de que mais medidas podem ser aplicadas. Nesta madrugada, a cotação em Qingdao avançou 0,6% - pouco, mas o suficiente para que as mineradoras e siderúrgicas da bolsa voltassem a avançar.
Sobe e desce do Ibovespa
O principal destaque da bolsa nesta sexta-feira (18) ficou com as ações da Cielo. A companhia anunciou a venda da MerchantE em uma operação que movimentou R$ 1,5 bilhão. A notícia foi bem recebida pelos analistas, já que indica um enxugamento saudável das operações da companhia.
Na ponta contrária, tivemos uma queda expressiva da Rumo após a divulgação do balanço do quarto trimestre.
Confira agora os principais destaques de alta da semana:
| CÓDIGO | NOME | ÚLTIMO | VARIAÇÃO SEMANAL |
| CIEL3 | Cielo ON | R$ 2,83 | 21,98% |
| TOTS3 | Totvs ON | R$ 31,82 | 15,16% |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 26,73 | 9,15% |
| LREN3 | Lojas Renner ON | R$ 27,60 | 8,88% |
| BPAC11 | BTG Pactual units | R$ 25,21 | 8,85% |
Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | ÚLTIMO | VARIAÇÃO SEMANAL |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 24,64 | -11,40% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | R$ 10,53 | -9,61% |
| RRRP3 | 3R Petroleum ON | R$ 35,66 | -9,42% |
| GGBR4 | Gerdau PN | R$ 25,54 | -9,08% |
| BRAP4 | Bradespar PN | R$ 29,05 | -7,10% |
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