Esquenta dos mercados: Cautela antes do payroll mantém bolsas internacionais em alta limitada; Ibovespa repercute balanços hoje
O alívio da tensão entre Taiwan e a China continental após a passagem de Nancy Pelosi pela ilha animou os negócios na Ásia

Você tem dois ases na mão e o crupiê distribui as cartas. Uma trinca se avizinha e você calcula as probabilidades de se sair com um aces full. Mas se na mesa de jogo a trinca é uma mescla de chance e sorte, no mercado financeiro — em especial as bolsas no exterior — ela acontece por outras razões.
O Ibovespa acumula alta de mais de 2,5% nos primeiros dias de agosto e caminha para emplacar a terceira semana seguida de ganhos.
A bolsa brasileira beneficiou-se nos últimos dias de uma série de fatores. O principal deles foi a sinalização do Banco Central de que o fim do ciclo de aperto monetário se avizinha.
Apesar do nível ainda elevado da taxa Selic e da possibilidade de mais uma alta residual, o mercado de ações reagiu positivamente.
Isso fez com que, na véspera, o Ibovespa fechou em alta de 2,04%, com destaque para o salto das ações das varejistas, tão castigadas ao longo dos últimos meses.
A bolsa brasileira também tem reagido positivamente à atual safra de balanços.
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Hoje, os investidores preparam-se para repercutir o balanço do Bradesco no segundo trimestre. O bancão pintou o sete e reportou lucro de mais de R$ 7 bilhões, muito acima das estimativas dos analistas.
Lá fora, o que talvez possa azedar o humor dos mercados é o payroll de julho.
Confira o que movimenta a bolsa, o dólar e o Ibovespa hoje:
Payroll e as bolsas hoje
Os investidores monitoram a divulgação do relatório sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos em julho em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
A expectativa é de uma desaceleração na geração de postos de trabalho, refletindo a inflação elevada, o aperto monetário e a desaceleração da economia dos EUA.
E como isso reflete nos negócios
Os dados serão conhecidos na manhã de hoje, mas devem abalar a confiança somente se os números sugerirem que o Fed vai precisar ser mais agressivo no atual movimento de alta dos juros.
Bolsas no esquenta
À espera dos números, as bolsas de valores europeias e os índices futuros de Nova York oscilam sem variações mais bruscas. Os índices só devem encontrar uma direção mais bem definida após os dados do payroll.
A Ásia ainda repercute a tensão entre Taiwan e a China continental após a passagem de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, pela ilha. Dessa forma, o relativo alívio das tensões animou os investidores e as bolsas fecharam em alta.
Isolamento de Taiwan
Mais cedo, Pelosi afirmou que os Estados Unidos "não permitirão" que a China isole Taiwan. A declaração foi feita em um discurso em Tóquio, depois que sua visita à ilha causou reações negativas de Pequim.
Além disso, Pelosi disse que sua presença em Taipé não tratou sobre uma mudança no "status quo" de Taiwan, que é reconhecido pelo chamado princípio da "Uma China".
Pelosi disse que Pequim não impedirá que líderes americanos viajem a Taiwan, e que visitas de alto nível continuarão ocorrendo, inclusive em âmbito bipartidário.
Ibovespa reage aos balanços
A bolsa local reage aos balanços, sem divulgação de novos dados esperados para o dia.
No campo político, a disputa eleitoral continua a todo o vapor, antes do início oficial da campanha na semana que vem. O deputado federal André Janones (Avante-MG) oficializou nesta quinta-feira (4) que saiu da disputa à Presidência da República para apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O anúncio foi feito durante transmissão nas redes sociais do parlamentar, ao lado do ex-presidente.
"Nós precisamos criar condições de dizer que um dia esse país vai se levantar e não vai ter ninguém com fome", disse Lula, ao reforçar o combate à fome como bandeira de campanha.
Alianças políticas
Do outro lado da campanha eleitoral, o atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), causou polêmica ao cancelar o jantar com representantes da Fiesp para a assinatura de uma carta a favor da democracia.
A recusa gerou ainda mais expectativa com o início da temporada de debates na televisão. Recentemente, a rede Globo, em parceria com outros veículos de imprensa, fez o sorteio para escolha dos candidatos das primeiras rodadas de entrevista.
Está marcada para o dia 22 deste mês a primeira entrevista justamente com Bolsonaro, conhecido crítico da emissora. Até o momento, o presidente mantém sua participação.
Agenda do dia
- FGV: IGP-DI de julho (8h)
- Estados Unidos: Payroll de julho (9h30)
- Estados Unidos: Crédito ao consumidor de julho (16h)
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