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De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: Bolsas no exterior tentam se recuperar da queda após decisão do Fed e Ibovespa busca manter ritmo de alta mesmo com risco fiscal no radar

Depois de tocar os 112 mil pontos ontem (26), a bolsa brasileira precisa enfrentar o ajuste de carteiras ao novo cenário de juros altos

Jerome Powell ao lado de um gavião e uma andorinha: o futuro das bolsas depende do presidente do Banco CEntral dos EUA
Confira o que movimenta a bolsa brasileira hoje (27). Imagem: Federal Reserve / Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Os investidores sentem uma forte ressaca após a tarde da última quarta-feira (26), que colocou o Federal Reserve no centro das atenções. As bolsas pelo mundo buscam recuperação após as falas do BC americano sobre a alta nos juros “em breve”, segundo o presidente da instituição. 

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Mesmo com o aperto monetário virando a esquina, o Ibovespa conseguiu encerrar o dia em alta de 0,90%, aos 111.194 pontos, após ter chegado a superar os 112 mil pontos mais cedo.

O dólar à vista, por sua vez, virou para alta nas últimas horas da sessão e fechou com valorização de 0,11%, a R$ 5,4411. 

Além do ajuste de carteiras esperado para esta quinta-feira (27), o investidor local ainda deve lidar com o risco fiscal envolvendo a PEC dos combustíveis. 

Se, por um lado, a renúncia fiscal pode reduzir significativamente a inflação, por outro, a perda de arrecadação chega a cifras bilionárias. 

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Confira o que movimenta os mercados hoje:

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PEC dos combustíveis

Na noite de ontem, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que a proposta de emenda à constituição (PEC) dos combustíveis já está acertada com a equipe econômica. Ele ainda disse esperar que o Congresso aprove a medida.

A PEC propõe que o governo federal retire o PIS/Cofins dos combustíveis, energia elétrica e gás. Desde o ano passado, o imposto sobre o gás de cozinha foi zerado. 

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Por outro lado, a proposta ainda exige que governadores isentem o ICMS dos combustíveis, uma das principais fontes de renda dos estados. Também na tarde de ontem, chefes dos poderes executivos estaduais decidiram congelar o imposto por mais 60 dias. 

Na ponta do lápis

A medida pode gerar um déficit de até R$ 57 bilhões nas contas públicas — mas um relatório da XP dá conta de uma perda de até R$ 240 bilhões, se os estados entrarem na conta.

O impacto no preço dos combustíveis seria limitado: entre R$ 0,18 e R$ 0,20. De acordo com os cálculos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a média de preços cairia de R$ 6,71 para R$ 6,51 por litro de combustível.

Por outro lado, a projeção para inflação sente um impacto maior: nos cálculos da XP, os preços sentiriam uma desaceleração de 5,2% para 1%, queda de 4,2 pontos.

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De olho em outubro

A PEC desrespeita a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que exige uma compensação para cada renúncia de impostos aprovada. O texto vem na esteira das medidas de caráter eleitoreiro do presidente Bolsonaro, de olho nas eleições de outubro. 

O presidente vive um momento de baixa popularidade, de acordo com as últimas pesquisas eleitorais. Seu principal opositor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segue à frente nas intenções de voto. 

Agenda local

A divulgação do Caged ficou para a próxima segunda-feira (31). Com isso, as atenções se voltam para a reunião do Conselho Monetário Nacional de hoje, sem maiores indicadores para o dia. 

Apertem os cintos, o Fed chegou

Depois de deixar de lado o discurso da inflação transitória, o Federal Reserve, o Banco Central americano, resolveu tomar uma atitude contra a alta nos preços, a maior desde 1982. 

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Na reunião da última quarta-feira, a taxa de juros foi mantida entre 0% e 0,25%, mas o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, já contratou a primeira alta nos juros para março deste ano. 

Esse será o primeiro aumento dos juros nos Estados Unidos desde 2018. Minha colega Carolina Gama conta tudo aqui. 

E agora?

O retorno dos títulos do Tesouro americano, os chamados Treasuries, tendem a se valorizar com a alta dos juros.

Na manhã de hoje, no entanto, o T-bond de 10 anos opera próximo da estabilidade, enquanto o T-bond de 20 anos recua 0,61% e o T-bond de 30 anos cai 0,94%, à espera dos dados do PIB e de um leilão do Tesouro dos EUA. 

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Os números de inflação mensal e anual devem ser divulgados amanhã (28). Para hoje, os investidores digerem os dados de inflação do terceiro trimestre do ano passado.

Bolsas pelo mundo 

Após a decisão do Fed de elevar os juros a partir de março, as bolsas da Ásia encerraram o pregão desta quinta-feira em baixa.

Já as bolsas da Europa ensaiam uma recuperação hoje, após o tom mais duro do BC americano contra a inflação. 

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De maneira semelhante, os futuros de Nova York buscam recuperação das perdas de ontem.

Agenda do dia

  • FGV: Confiança da indústria de janeiro (8h)
  • Estados Unidos: PCE e Núcleo do PCE do terceiro trimestre (10h30)
  • Estados Unidos: Leitura preliminar do PIB do quarto trimestre (10h30)
  • Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (10h30)
  • Ministério da Economia: Conselho Monetário Nacional (CMN) realiza reunião (15h)

Balanços

Antes da abertura:

  • Estados Unidos: Mastercard
  • Estados Unidos: McDonald’s

Após o fechamento

  • Estados Unidos: Apple
  • Estados Unidos: Visa
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