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Se tudo correr bem para o governo, a privatização da Eletrobras estará concretizada ainda na primeira quinzena de junho
A megaoferta de ações que marcará a privatização da Eletrobras (ELET3) já tem data marcada. A operação poderá movimentar até R$ 35 bilhões, com base nas cotações de fechamento das ações ontem e caso sejam vendidos todos os lotes.
A oferta da Eletrobras será inicialmente de 697.476.856 ações. A maioria dos recursos (R$ 26,7 bilhões) irá para o caixa da companhia e outros R$ 3 bilhões irão para o governo, que venderá 69.801.516 papéis da BNDESPar.
Dependendo da demanda do mercado, a operação ainda pode contar com a venda de um lote suplementar equivalente a 15% do total de ações.
A emissão das novas ações e a venda dos papéis da BNDESPar vai diluir a participação da União na estatal para menos de 50%. Se tudo correr bem para o governo, a privatização da Eletrobras estará concretizada ainda na primeira quinzena de junho.
O período de reserva para os investidores interessados em comprar as ações da Eletrobras vai de 3 a 8 de junho. A definição do preço por ação acontece em 9 de junho, e o início das negociações dos papéis começa no dia 13.
Por mais que uma "inundação" de ações ELET3 esteja a caminho, o mercado teve uma reação ligeiramente positiva ao avanço na privatização da Eletrobras: por volta de 11h desta sexta-feira (27), os papéis ON da companhia operavam em alta de 0,48%, a R$ 44,21.
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O otimismo, no entanto, não durou muito e as ações ELET encerraram o dia com queda de 1,23%, cotadas a R$ 43,46.
Em termos de estrutura, a União detém hoje 51,8% das ações ordinárias da Eletrobras (ELET3); o BNDESPar é dono de outros 16,8% e fundos do governo possuem mais 3,62% — a soma das partes é de pouco mais de 72%. O restante está em livre circulação no mercado, diluído entre os acionistas minoritários.
Os papéis ON, por sua vez, são 82,15% do capital social da Eletrobras; as ações PNB (ELET6) respondem pelos 17,85% restantes — mas, nesse caso, a União e o BNDESPar são donos de apenas 13,2% dos ativos.

Considerando todo o capital social da Eletrobras, a União é dona de 42,57% da empresa; BNDES e BNDESPar, juntos, detém outros 16,14% — a soma dessas partes, assim, corresponde a 58,71% e caracteriza o controle estatal da companhia.
Mas e se a oferta de ações for bem sucedida, com a emissão de novos papéis e a venda de parte dos papéis detidos pelo BNDESPar? Bem, há dois casos a serem analisados — com e sem o lote suplementar, equivalente a 15% do volume original planejado pela Eletrobras.
Ou seja: mesmo se o lote suplementar não for colocado à venda, o governo deixará de ser o controlador da Eletrobras — em ambos os cenários, mais de 50% do capital social da companhia estará em livre circulação no mercado, caracterizando a pulverização do controle e a diluição da União e do BNDES/BNDESPar.
Além da privatização em si, a oferta de ações da Eletrobras será útil para encher os cofres da companhia — estamos falando de mais de R$ 26 bilhões, de acordo com o fechamento da última quinta (26). E o que a empresa pretende fazer com todo esse dinheiro?
Segundo as informações contidas no prospecto da operação, todos os recursos levantados servirão para quitar os compromissos referentes aos contratos de concessão de geração elétrica. Ao todo, 22 usinas serão devidamente enquadradas: oito de Furnas, três da Eletronorte e 11 da Chesf.
Vale lembrar, no entanto, que o preço da oferta ainda não foi fechado — ele será definido após um processo de coleta de intenções junto aos interessados. Sendo assim, a depender da demanda, o valor final pode ser maior ou menor que o da cotação de referência; um aumento ou redução de R$ 1,00 no preço por ação implica num impacto de cerca de R$ 626 milhões no montante final.
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