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Quem tiver saldo no FGTS poderá destinar até metade dos recursos à oferta pública de ações que privatizará a estatal. Conheça as regras e veja como fazer
A privatização da Eletrobras (ELET3; ELET6) finalmente vai sair do papel com uma megaoferta de ações estimada em até R$ 35 bilhões, a ser realizada até o final da próxima semana. E as pessoas físicas poderão participar de três formas: por meio da compra direta de ações, do investimento via fundos de ações comuns, ou utilizando parte do seu fundo de garantia (FGTS).
A utilização do FGTS para investir na oferta da Eletrobras está prevista na Resolução nº 203/2021 do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que estabeleceu as condições da desestatização da companhia.
A ideia é que a União, hoje sócia majoritária da Eletrobras, oferte ações ao mercado de modo a diluir a sua participação no capital da empresa de 55% a 45%, tornando-a privada. O potencial para a compra de ações da elétrica com recursos do fundo de garantia durante a oferta chega a R$ 6 bilhões.
Como já ocorreu no início dos anos 2000 com uma oferta de ações da Petrobras e a privatização da Vale, quem trabalha ou já trabalhou com carteira assinada e tem saldo no FGTS poderá usar parte dos recursos do seu fundo de garantia para investir em fundos especialmente constituídos para a ocasião, destinados exclusivamente a comprar ações da Eletrobras.
São os chamados Fundos Mútuos de Privatização - FGTS (FMP-FGTS), constituídos livremente pelas instituições financeiras, que os oferecem como investimento aos seus clientes celetistas. Você talvez já tenha recebido alguma oferta desse tipo do seu banco.
Por meio dos FMP-FGTS, você consegue participar da oferta da Eletrobras e dar um destino potencialmente mais rentável aos seus recursos do FGTS. Mas será que vale a pena investir seu FGTS na oferta da Eletrobras? E, se sim, como fazer? É isso que vamos ver a seguir.
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A resposta curta e grossa é sim. Primeiro porque você não pode dispor livremente dos recursos do seu FGTS, que só podem ser acessados em situações específicas, ficando “presos” na maior parte do tempo; segundo porque a rentabilidade do FGTS ainda é baixa, mesmo com o incremento que recebeu nos últimos anos.
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço foi criado para dar algum amparo ao trabalhador em momentos difíceis e só pode ser resgatado em situações específicas, como demissão sem justa causa, compra da casa própria, aposentadoria ou em caso de doença grave ou calamidade pública (veja todas as situações que permitem resgate do FGTS).
Em 2019, o governo passou a oferecer a possibilidade também de um saque-aniversário, de valor bastante restrito, e eventualmente também permite o saque extraordinário de valores relativamente baixos, para estimular a economia, o que está ocorrendo atualmente.
Entretanto, caso você nunca tenha se enquadrado em nenhum dos casos de resgate, provavelmente ainda tem uma boa grana no seu fundo de garantia, ainda que você tenha efetuado todos os saques-aniversários e extraordinários a que teve direito.
Esses recursos que permanecem aplicados no fundo têm apresentado até uma rentabilidade razoável desde que o FGTS passou a distribuir uma parcela dos seus lucros aos trabalhadores, em 2017.
Mesmo assim, o retorno ainda tem ficado no limite da reposição da inflação nos últimos anos, e corre o risco de voltar a ficar abaixo dos principais índices de preços depois que eles voltaram a explodir.
Veja, o FGTS tem um retorno básico de 3% ao ano mais Taxa Referencial (TR), um componente que passou anos zerado e só agora, com a Selic mais alta, voltou a render alguma coisa - mas ainda está bem próximo de zero.
Repare que é um retorno-base bem inferior ao da poupança na maior parte do tempo, só tendo sido capaz de superar a caderneta quando a Selic esteve perto das mínimas históricas - até 4,25% ao ano, para ser mais exata, o que até hoje ocorreu apenas entre fevereiro de 2020 e agosto de 2021, para o combate aos efeitos econômicos da pandemia de covid-19.
Em tempo: a poupança rende 70% da Selic mais TR quando a taxa básica é igual ou menor do que 8,5% e 6,17% ao ano mais TR quando a Selic supera essa marca, o que é o caso, atualmente.
Em adição a esse retorno pífio, desde 2017, porém, o fundo de garantia tem distribuído parte do seu lucro - advindo de investimentos variados - aos trabalhadores, como forma de melhorar essa rentabilidade.
De fato, a medida ajudou muito, e o FGTS conseguiu, por cinco anos consecutivos, superar a inflação oficial, medida pelo IPCA. Em três deles, bateu até a caderneta de poupança. Para um “investimento” de baixo risco, até que não está mau.

Ainda assim não é um rendimento exatamente alto. Também não é garantido - o lucro do FGTS pode variar e, como vimos, recentemente a inflação explodiu. Até o fim deste ano conheceremos o rendimento referente a 2021, e pode ser que ele decepcione muita gente.
Se você pudesse sacar todo o dinheiro do seu FGTS livremente, poderia constituir uma reserva de emergência com liquidez diária em uma aplicação financeira de baixo risco com um rendimento líquido semelhante ou superior ao que o fundo de garantia vem pagando.
Ou seja, levando em conta que o dinheiro do FGTS está “preso”, o retorno pago, mesmo com os incrementos dos últimos anos, não tem sido lá grandes coisas.
Sendo assim, ter a oportunidade de usar parte dos recursos do FGTS para investir em ações de uma boa empresa, com potencial de ter ganhos de eficiência elevados com a privatização, pode ser uma boa pedida, do ponto de vista da relação risco-retorno.
É claro que o investimento em ações tem risco alto - lembre-se, o investimento pode tanto dar lucro quanto prejuízo. Mas levando-se em conta o potencial de retorno no longo prazo e o fato de que é só uma parte do seu fundo de garantia, a diversificação é sim interessante.
E o histórico dos Fundos Mútuos de Privatização da Vale e da Petrobras está aí para provar que pode valer a pena. Os fundos de Petrobras, lançados no ano 2000, renderam, até hoje, até dez vezes mais que o FGTS e quatro vezes mais que a poupança antiga (que paga sempre 6,17% ao ano mais TR). Já os de Vale, lançados em 2002, renderam até 24 vezes mais que o FGTS e 10 vezes mais do que a poupança.
Em ambos os casos, os investimentos também superaram com folga o CDI, principalmente no caso da Vale, que foi a companhia realmente privatizada. A comparação dos desempenhos desses fundos com a poupança, a inflação e o CDI está disponível nesta ótima matéria da minha colega Flávia Alemi, que levanta o histórico dos FMP-FGTS.
Ou seja, mesmo se a remuneração do FGTS nesses últimos 20 anos fosse similar à atual, é bem possível que os fundos de Petrobras e Vale também a tivessem superado. É claro que retornos passados não são garantia de retornos futuros, e que estamos falando de empresas diferentes. Mas parece ser um caso de “vale a pena tentar”.
Vamos então às regras e ao passo a passo para destinar uma parte do seu FGTS à oferta de ações da privatização da Eletrobras.
O trabalhador residente e domiciliado no Brasil que tenha saldo no seu fundo de garantia - em conta ativa ou inativa - poderá destinar até metade dos seus recursos do FGTS a fundos mútuos de privatização que entrem na oferta. Isso inclui os valores eventualmente já investidos em FMP-FGTS de Vale ou Petrobras que não tenham retornado ao FGTS.
Caso você já tenha recursos investidos em FMP-FGTS de Vale ou Petrobras, você terá a opção de migrá-los para um FMP-FGTS de Eletrobras. Isso pode ser uma opção caso o saldo disponível para a oferta da Eletrobras na sua conta do FGTS seja insuficiente para o investimento ou inferior ao valor que você deseja investir.
A aplicação mínima na oferta com recursos do FGTS é de R$ 200 e está sujeita a uma carência de 12 meses. Isto é, o trabalhador não poderá retirar os recursos investidos no FMP-FGTS Eletrobras por um ano após a oferta.
Lembre-se de que, ao resgatar um FMP-FGTS, o dinheiro retorna ao fundo de garantia, e só poderá ser sacado caso o trabalhador se enquadre em uma das regras habituais já mencionadas de saque do FGTS.
Segundo a Eletrobras, está garantida uma alocação mínima de R$ 5 mil e máxima de R$ 50 mil para os investidores de varejo, o que inclui os trabalhadores que investirem o seu FGTS.
Os trabalhadores que tiverem saldo em conta ativa ou inativa no FGTS têm de 3 a 8 de junho - da próxima sexta até a quarta-feira da semana que vem - para fazer suas reservas nos Fundos Mútuos de Privatização da Eletrobras. A oferta será concluída no dia 9, quando será definido o preço por ação, e os papéis começam a ser negociados na bolsa no dia 13.
Mas mesmo antes do início do período de reservas já é possível ir se preparando. A primeira coisa que você deve fazer depois de decidir investir seu FGTS na oferta da Eletrobras é escolher uma administradora de FMP-FGTS Eletrobras - em outras palavras, uma instituição financeira por meio da qual investir seus recursos.
Até agora, pelo menos 15 instituições financeiras já têm fundos do tipo cadastrados junto à CVM, totalizando 24 fundos, incluindo as modalidades específicas para quem vai fazer a migração de recursos de FMP-FGTS Petrobras ou Vale.
Em seguida, você deverá checar o seu saldo disponível para aplicação junto ao FGTS, o que já pode ser feito desde o dia 27 de maio, e autorizar a instituição escolhida a consultá-lo também.
Finalmente, você deve manifestar à instituição financeira o seu interesse pelo investimento e o valor, para que ela possa fazer a reserva dos seus recursos disponíveis no FGTS.
Eis o passo a passo detalhado:
Todos os FMP-FGTS Eletrobras são similares. As diferenças são a taxa de administração, que varia de zero a 0,55% ao ano, a instituição financeira e se o fundo é ou não destinado aos recursos migrados de outros FMP-FGTS. Quem quiser fazer essa migração deverá investir na oferta da Eletrobras por meio de um FMP-FGTS do tipo “Migração”. Nesta matéria, eu dou dicas de como escolher o melhor fundo para você.
Eis a lista das instituições financeiras que já estão oferecendo FMP-FGTS Eletrobras, os fundos oferecidos e as taxas cobradas em cada um deles:
| Fundo | Taxa de administração | Tipo |
| Alfa I Eletrobras FMP-FGTS | 0,45% | FMP-FGTS |
| Alfa II Migração Eletrobras FMP-FGTS | 0,45% | FMP-FGTS Migração |
| BB Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS |
| BB Migração Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS Migração |
| BNB Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS |
| Bradesco Eletrobras FMP-FGTS | 0,40% | FMP-FGTS |
| Bradesco Migração Eletrobras FMP-FGTS | 0,40% | FMP-FGTS Migração |
| BTG Pactual Reference Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS |
| Caixa Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS |
| Caixa Migração Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS Migração |
| Daycoval Eletrobras FMP-FGTS | 0,00% | FMP-FGTS |
| Genial Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS |
| Genial Migração Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS Migração |
| Guide Eletrobras FMP-FGTS | 0,15% | FMP-FGTS |
| Itaú Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS |
| Itaú Migração Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS Migração |
| MAM Eletrobras FMP-FGTS | 0,80% | FMP-FGTS |
| Safra Eletrobras FMP-FGTS | 0,15% | FMP-FGTS |
| Safra Migração Eletrobras FMP-FGTS | 0,15% | FMP-FGTS Migração |
| Santander Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS |
| Santander Migração Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS Migração |
| Warren Eletrobras FMP-FGTS | 0,50% | FMP-FGTS |
| XP Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS |
| XP Migração Eletrobras FMP-FGTS | 0,20% | FMP-FGTS Migração |
*Tabela atualizada em 06 de junho com a redução de algumas taxas de administração.
Baixe o aplicativo do FGTS no seu celular ou compareça a uma das agências da Caixa Econômica Federal para checar seu saldo no fundo de garantia, simular a aplicação e autorizar a administradora escolhida a consultar e realizar a reserva dos valores.
Passo a passo para simular o valor disponível para aplicação no App FGTS:
Tela inicial
Clique na opção “Mais” e “Simulador de aplicação no FMP-FGTS”.


Confira o valor disponível
Veja o resultado da simulação por conta do FGTS.
Fonte: FGTS
Passo a passo para autorizar a administradora a consultar seu saldo no App FGTS:

Acesse o APP FGTS
No menu principal, clique na opção “Autorizar bancos a consultarem seu FGTS”.

Autorize a consulta
Autorize a consulta das suas informações do FGTS pela Administradora FMP escolhida.

Selecione o Fundo de Privatização para autorização
Selecione o FMP disponível para aplicar.

Confirme clicando em "Visualizar termo"

Confira o termo de autorização
Aceite os termos para autorizar a Administradora FMP.

Selecione a Administradora FMP
Digite o nome da Administradora FMP-FGTS.

Selecione a Administradora FMP
Após selecionar a Administradora, autorize clicando na opção "Sim" e confira a Administradora selecionada.

Pronto!
Foi realizada a autorização à Administradora FMP escolhida para consultar as informações do FGTS.
Fonte: FGTS
Caso não consiga realizar esse procedimento conforme o descrito no passo a passo, veja aqui um caminho alternativo.
Após efetuar a autorização, o trabalhador deve entrar em contato com a instituição financeira administradora de FMP-FGTS escolhida para informar os valores que deseja aplicar.
Daqui em diante, todo relacionamento do trabalhador para aplicação em FMP-FGTS Eletrobras se dará com a administradora escolhida, que passa a ser a responsável pela aplicação dos valores das suas contas FGTS.
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