Em pregão instável, Ibovespa luta para se manter no azul com alta das commodities, apesar de exterior negativo
A curva de juros permanece pressionada, com tendência de alta, e o cenário doméstico não ajuda, com risco fiscal no radar

O pregão continua instável na bolsa brasileira na tarde desta terça-feira (18). De um lado, a volta do feriado das bolsas americanas pintou Wall Street de vermelho; do outro, a alta das commodities puxa para cima ações de grande peso no Ibovespa.
Com isso, o principal índice da B3 vem alternando altas e baixas desde o início das negociações. O índice luta para se manter em alta, em um dia positivo para as ações ligadas há commodities, e chegou a ultrapassar os 107 mil pontos no início da tarde. Por volta das 17h, o Ibovespa avançava 0,50% aos 106.910 pontos.
O dia é bastante negativo nas bolsas americanas, e o clima piorou na parte da tarde, com o Dow Jones recuando 1,25%, o S&P 500 caindo 1,45%, e o Nasdaq com perda de 2,00%. Já o dólar à vista, que vinha operando perto da estabilidade, se firmou em alta, fechando em alta de 0,61%, a R$ 5,5603.
A alta global da moeda americana e a queda das bolsas de Nova York, que contamina as negociações por aqui, são influenciadas pela forte alta dos juros dos títulos do Tesouro americano na sessão de hoje.
Os investidores seguem se ajustando à expectativa de aperto monetário nos EUA e são também influenciados pelos conflitos no Oriente Médio, que estão impulsionando as cotações do petróleo para cima.
Somando-se às tensões no Cazaquistão, durante a madrugada, um ataque drone de rebeldes do Iêmen ao aeroporto internacional dos Emirados Árabes Unidos provocou incêndios e deixou três mortos. Com isso a cotação do petróleo tipo Brent chegou a bater os US$ 88 o barril, maior nível desde 2014.
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Durante boa parte do dia, a alta do petróleo contribuiu para dar alguma tração à bolsa brasileira, impulsionando as ações de petroleiras. Porém, na parte da tarde, as ações da Petrobras passaram a cair, o que tirou fôlego do Ibovespa.
As ações de mineradoras, metalúrgicas e siderúrgicas, porém, ainda são beneficiadas pela alta no minério de ferro, que fechou com valorização de 1,59%, a US$ 127,65 no porto do Qingdao, na China.
A alta nos juros futuros americanos também levou as bolsas europeias a fecharem em queda, além de pesar sobre as ações de tecnologia (inclusive por aqui) e os juros futuros locais. Estes também foram influenciados pelo risco fiscal, devido às pressões dos servidores públicos federais por reajustes de salário.
Veja o fechamento dos principais vencimentos:
- Janeiro/23: alta de 12,027% para 12,085%;
- Janeiro/25: alta de 11,413% para 11,47%;
- Janeiro/27: alta de 11,412% para 11,45%.
[captacao]
Paralisação dos servidores
Ao menos 40 categorias do funcionalismo público federal aderiram à suspensão das atividades por algumas horas nesta terça-feira, incluindo servidores do Banco Central, Receita Federal, Tesouro Nacional, professores, e entidades ligadas ao Legislativo e Judiciário.
A adesão já paralisou as operações do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e de fiscalização aduaneira, o que pode gerar problemas na cadeia de abastecimento.
Além de hoje, os servidores já marcaram atos para os dias 25 e 26, terça e quarta-feira da semana que vem, respectivamente.
O Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), que representa 37 categorias do funcionalismo público federal, protocolou hoje um pedido de reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para levar os pleitos das entidades ao Executivo.
E os auditores do Tesouro Nacional analisam fazer um movimento semelhante ao da Receita Federal e falam em entregar os cargos de gerência se o Executivo não conceder reajuste à categoria
Reajuste na ponta do lápis
O presidente da República, Jair Bolsonaro, pretende abrir um espaço de R$ 1,7 bilhão no Orçamento de 2022 destinado apenas ao aumento de salário dos policiais federais. Por outro lado, outros setores do funcionalismo estão sem reajuste desde 2017 e exigem compensação pelas perdas inflacionárias.
Os funcionários do Fisco pedem reajuste de 19,9% para repor a inflação dos últimos anos de governo. Contudo, de acordo com cálculos do diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado Federal, cada 1% de reajuste linear para servidores impacta os cofres públicos em R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões.
Orçamento em xeque
Ainda existe um rombo de cerca de R$ 9 bilhões no Orçamento de 2022, nas contas do ministério da Economia. Desse total, o governo deve conseguir recompor apenas R$ 3,8 bilhões.
Desse montante, devem ser cortadas as chamadas emendas parlamentares setoriais de comissão, conhecidas como RP8. Já as RP9, as emendas de relator, base do Orçamento secreto, devem permanecer intocadas.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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