Poupança completa 160 anos – confira três investimentos na renda fixa para ‘aposentar’ a caderneta
Aplicação continua sendo a preferida dos brasileiros, mas já existem opções mais rentáveis e de baixo risco

A caderneta de poupança completou, nesta semana, 160 anos de existência. Ela não só é a aplicação financeira mais popular do País como também é o primeiro investimento da maioria dos brasileiros.
Eu ainda guardo a cadernetinha de papel da poupança da Caixa que meu avô abriu para mim quando eu nasci.
Naquela época não havia tantas opções de investimento e instituições financeiras quanto agora. Hoje, muitos pais preferem investir em previdência privada ou mesmo em ações em nome dos filhos.
Mesmo assim, a tradição de abrir poupanças para os pequenos não morreu. Já as famílias que não têm essa possibilidade e que só conseguem começar a poupar mais tarde, também costumam iniciar pela poupança.
E muito embora as pessoas físicas estejam diversificando seus investimentos como nunca antes e tenham acesso a uma ampla gama de produtos financeiros com maior potencial de retorno, a caderneta de poupança ainda se mantém firme e forte.
Com a crise do coronavírus e o pagamento do auxílio emergencial no ano passado, muitas famílias decidiram poupar os recursos para conseguir atravessar os tempos difíceis.
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Assim, a caderneta de poupança teve uma captação líquida de mais de R$ 166 bilhões em 2020, o maior valor já registrado na série histórica do Banco Central, iniciada em 1995. No fim do ano passado, o saldo da caderneta totalizava pouco mais de R$ 1 trilhão.
Rentabilidade minguada
Mas apesar de sua segurança, praticidade e da isenção de imposto de renda, a poupança rende muito pouco. Também não tem rentabilidade diária. Só há rendimento no aniversário mensal. Caso o poupador resgate antes da data de aniversário, os dias "quebrados" não rendem nada.
Com a Selic nos seus menores patamares históricos, o retorno da poupança fica ainda mais comprometido. Desde maio de 2012, sempre que a taxa básica de juros é igual ou menor que 8,5% ao ano, a caderneta paga apenas 70% da Selic mais Taxa Referencial (TR), que costuma ficar zerada quando os juros estão muito baixos.
Somente em cenários de juros superiores a 8,5% é que a poupança ainda rende o velho 0,5% ao mês mais TR, o que totaliza uma rentabilidade anual de 6,17%.
Com o juro atual de 2,0% ao ano, a poupança está pagando só 1,4% ao ano. No ano passado, como a Selic esteve mais alta que isso durante parte do ano, o retorno da caderneta totalizou 2,11%.
Apenas a chamada "poupança antiga" - depósitos feitos antes de 4 de maio de 2012, quando houve mudança nas regras de remuneração - ainda rendem 0,5% ao mês em qualquer cenário de juros. Mas para continuarem com essa rentabilidade, os recursos depositados não podem ser movimentados.
Devido ao cenário mundial em que vivemos, a expectativa é que os juros no Brasil permaneçam baixos por um bom tempo. Ainda que subam um pouco neste e nos próximos anos, não devemos ver Selic acima de 8,5% tão cedo, se é que veremos isso novamente.
Assim, o retorno da caderneta continuará minguado. Tudo bem, muita gente que aplica na poupança não está em busca de grandes retornos, mas sim de segurança e praticidade.
Além disso, para quem tem pouco dinheiro e está apenas começando a poupar, ou quer manter guardados os recursos que serão usados no dia a dia, a caderneta de poupança ainda se mostra útil. Uma rentabilidade maior também não faria lá muita diferença.
Mas há quem tenha uma boa grana parada na poupança. Dinheiro da reserva de emergência, dinheiro de curto, médio e longo prazo, ou dinheiro que não pode ser mexido porque já tem um destino certo.
Para todos esses objetivos, porém, já existem opções melhores, de baixo risco e dentro da própria renda fixa, com maior potencial de retorno. Até mesmo nos bancões! Algumas dessas alternativas podem até mesmo superar a inflação, coisa que não tem sido fácil em um Brasil de juro real negativo.
A seguir, eu trago três opções de investimento de baixo risco que podem substituir a poupança para diferentes perfis de investidor e objetivos:
Para os ultraconservadores e aqueles que precisam de liquidez diária: Tesouro Selic e CDB de bancão
Para os investidores ultraconservadores e aqueles que precisam de liquidez diária - como, por exemplo, para investir a reserva de emergência - a alternativa mais óbvia é o título público Tesouro Selic (LFT), que paga a variação da Selic mais uma pequena taxa.
Apesar de sofrer a cobrança de imposto de renda na fonte (com alíquotas que variam de 22,5% a 15%, dependendo do prazo), o título tem retorno igual ou maior que a caderneta, além de rentabilidade diária e a possibilidade de ser resgatado a qualquer momento. O dinheiro cai na conta do investidor um dia útil após o pedido de resgate.
O Tesouro Selic também é bastante acessível, aceitando valores baixos de aplicação, e mais seguro que a poupança, pois tem garantia do governo federal. A poupança, por sua vez, tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada sem fins lucrativos que garante até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, em caso de quebra da instituição.
Há duas maneiras de investir no Tesouro Selic: pelo Tesouro Direto e pelos fundos Tesouro Selic que não cobram taxa de administração.
No primeiro caso, é preciso abrir conta numa corretora, que pode ser a do seu banco, mas prefira aquelas que não cobrem taxa de administração. Assim, você só pagará a taxa de custódia de 0,25% ao ano, para aplicações superiores a R$ 10 mil. O valor de aporte inicial para o Tesouro Direto é R$ 30.
No caso dos fundos, não há cobrança de qualquer taxa, só imposto de renda. O valor do aporte inicial pode variar de R$ 30 a R$ 100, dependendo da instituição financeira. Há fundos Tesouro Selic disponíveis nas seguintes plataformas de investimento: BTG Pactual Digital, Vitreo, Rico, Pi e Órama.
Outra opção são os CDBs de grandes bancos que pagam 100% do CDI com liquidez diária. Os CDBs são títulos de renda fixa emitidos pelos bancos, que também contam com a cobertura do FGC em caso de quebra da instituição.
Não há cobrança de taxa de administração, apenas de imposto de renda na fonte, segundo a tabela regressiva. Mas para se manter conservador no nível da poupança de um grande banco ou um Tesouro Selic da vida, o ideal é optar pelos títulos dos bancos maiores e mais sólidos.
Porém, nem todo mundo consegue um CDB que renda 100% do CDI com liquidez diária, condições essenciais para que o título pague mais que a poupança e ainda sirva para objetivos como a reserva de emergência.
Em geral, é preciso ser bastante endinheirado para conseguir um título desses num bancão, mas isso já começou a mudar. O Itaú, por exemplo, já oferece CDB com essas características para seus clientes Personnalité.
Para os que têm prazo certo: CDB de banco médio, LCI e LCA
Para quem tem objetivos com data certa para acontecer, os títulos de renda fixa emitidos por bancos podem render bem mais que a poupança, desde que o investidor esteja disposto a abrir mão da liquidez diária e até aceitar prazos mais longos. Sobretudo para quem estiver disposto a se expor a um pouco mais de risco e comprar um título de banco médio.
Vou começar pelas Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Esses papéis são parecidos com os CDB e também contam com proteção do FGC, mas em geral têm carência mínima de três meses, ao término dos quais podem ou não ter liquidez diária. Muitos só têm liquidez no vencimento.
O mais interessante desses papéis é que eles têm isenção de imposto de renda, sendo nesse sentido bastante similares à poupança.
Os bancos grandes costumam oferecer LCI e LCA com retornos mais atrativos que a caderneta, sendo uma opção para os ultraconservadores que não tenham necessidade de liquidez diária.
Porém, em bancos médios é possível encontrar retornos bem mais atrativos. Estas instituições menores, aliás, também oferecem CDBs mais rentáveis e com indexadores diferentes. Há títulos prefixados e também atrelados à inflação, para aqueles investidores que querem garantir proteção do poder de compra do seu investimento.
Nesses casos, porém, também só costuma haver liquidez no vencimento. O ideal, ao comprar um papel desse tipo, é casar o prazo do seu objetivo com o do papel. Esse tipo de investimento também é interessante para quem quer separar os recursos para objetivos específicos e também se prevenir da tentação de mexer no dinheiro antes da hora.
Apesar de CDB, LCI e LCA terem proteção do FGC, eu sempre recomendo que o investidor tenha alguma tolerância ao risco ao investir em bancos médios, pelo seguinte motivo: caso o FGC precise ser acionado, pode levar de alguns dias a alguns meses para você reaver o dinheiro.
Sendo assim, esse tipo de investimento não é indicado para reserva de emergência ou para investidores ultraconservadores. Lembrando que, de qualquer maneira, o ideal é sempre diversificar entre papéis e instituições financeiras, optar por aquelas que tenham uma classificação de risco (rating) mais alta e respeitar o limite do FGC.
Há duas formas de investir em títulos bancários: abrindo conta diretamente no banco emissor dos papéis ou então em uma plataforma de investimento que ofereça títulos de vários bancos. O valor de aporte mínimo pode variar bastante, e há títulos acessíveis para todos os bolsos.
Para os investidores de longo prazo e aqueles que querem gerar renda: Tesouro IPCA+
Finalmente, para quem tem visão de longo prazo e/ou já tem um bom patrimônio na poupança e deseja gerar uma renda periódica a partir dele, o Tesouro Direto oferece títulos atrelados à inflação, os chamados Tesouro IPCA+ ou NTN-B.
Esses títulos são similares ao Tesouro Selic, porém em vez de serem indexados à taxa básica de juros, eles pagam uma taxa prefixada, já definida no ato do investimento, mais a variação da inflação medida pelo IPCA.
Para investir em Tesouro IPCA+, o investidor deve ter alguma tolerância a risco. Embora sejam garantidos pelo governo e tenham liquidez diária como o Tesouro Selic, esses títulos são bem mais voláteis. E quanto maior o prazo do papel, maior costuma ser o sobe e desce dos preços.
Isso é importante porque a rentabilidade contratada é garantida somente se o investidor levar o título até o vencimento. Caso decida vendê-lo antes, a venda será feita a preço de mercado. E aí, o seu retorno acumulado desde a compra pode ser maior ou menor que a rentabilidade contratada, podendo até ser negativo, dependendo do que tenha acontecido com as taxas de juros no meio do caminho.
Então, para quem apenas busca um investimento de longo prazo mais rentável que a poupança, sem a intenção de especular ou se debruçar sobre a dinâmica de preços desses papéis, o Tesouro IPCA+ é uma opção interessante, desde que seja levado até o vencimento.
Esses títulos costumam ser muito indicados, por exemplo, para se poupar para a aposentadoria, principalmente aqueles que não pagam juros semestrais, também chamados de NTN-B Principal.
Outra utilidade bacana do Tesouro IPCA+ é a possibilidade de gerar uma renda acima da inflação. Para esse objetivo, é preciso investir no Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, também chamado de NTN-B. Esses títulos pagam o chamado cupom de juros uma vez por semestre. Isso significa que, a cada seis meses, o investidor recebe na conta uma renda gerada pelos seus recursos alocados no título.
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