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2020-06-04T10:45:15-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Aprecie com moderação

Ainda vale correr algum risco na renda fixa para ganhar um pouco mais que o CDI?

Títulos emitidos por empresas e papéis de bancos com cobertura do FGC prometem pagar mais que a renda fixa conservadora, mas com a Selic no chão e num cenário de crise, não ficaram arriscados demais?

3 de junho de 2020
5:30 - atualizado às 10:45
Touros e Ursos Capa Podcast – Selic Queda – Baixa
Imagem: Seu Dinheiro / Shutterstock

Com a taxa básica de juros, a Selic, a 3,00% ao ano, as aplicações conservadoras de renda fixa, as preferidas dos brasileiros, não estão rendendo praticamente nada. Pior: estão perdendo da inflação projetada para os próximos 12 meses.

Por muito tempo, os brasileiros estiveram acostumados a retornos gordos sem correr praticamente nenhum risco e também a uma rentabilidade real (acima da inflação) considerável.

Mas agora o cenário ficou bem mais difícil. A saída vinha sendo a bolsa de valores, que no entanto vem passando por um período de forte volatilidade desde que a pandemia de coronavírus paralisou boa parte da economia mundial.

O que resta? Bem, certamente se você tem conta em corretora ou algum dinheiro guardado em banco, já deve ter recebido alguma oferta de CDBs, LCIs, LCAs ou Letras de Câmbio que pagam mais de 100% do CDI. Algumas são inclusive tentadoras.

Também pode ser que seu assessor de investimentos já tenha recomendado uma debênture ou fundo de crédito privado com histórico de rentabilidade de superar o CDI.

Só que todos esses investimentos têm algum nível de risco. São ativos de crédito privado, isto é, títulos emitidos por empresas e bancos - muitas vezes bancos de pequeno e médio porte - ou então fundos que investem nesses ativos.

O investimento consiste basicamente em emprestar dinheiro para o emissor. Se este tiver problemas financeiros, pode acabar dando calote.

O crédito privado é uma classe de ativos que qualquer planejador financeiro considera importante para uma carteira diversificada, e esses títulos costumam ser bem vistos quando os juros básicos estão baixos demais.

Apesar do risco de crédito (que pode até ser baixo, mas não desprezível), eles costumam ser bem menos voláteis que a bolsa, tornando-se um meio-termo para quem não quer ou não pode correr risco no mercado de ações.

O problema é que não estamos vivendo dias normais. A crise econômica decorrente da pandemia de coronavírus piorou o ambiente de crédito como um todo, tornando-o mais arriscado.

Não se trata de uma crise de crédito, é verdade, e os governos estão dando suporte e liquidez às economias. Mas não podemos descartar a possibilidade de algumas empresas simplesmente ficarem pelo caminho, arrastando junto os bancos que emprestaram dinheiro a elas.

E são justamente os pequenos e médios negócios e instituições financeiras que mais correm esse risco - e, não por acaso, são esses os emissores que pagam mais pelos títulos de renda fixa que emitem.

O dilema que fica é: ainda vale a pena investir em crédito privado para ganhar mais que a renda fixa conservadora num cenário como esse? Se sim, em que tipo de crédito privado?

Títulos bancários: aquele CDB que paga mais de 100% do CDI

Vamos começar falando dos títulos emitidos por bancos, os CDBs, LCIs e LCAs, bem como os RDBs e LCs emitidos por financeiras. Todos esses títulos têm uma natureza parecida, com a exceção de que as LCIs e LCAs são isentas de IR.

Com a Selic em 3,00% ao ano e o CDI a 2,90%, não faltam por aí ofertas de CDBs de bancos médios que pagam mais de 100% do CDI, dos mais diversos prazos e até com liquidez diária.

Não é difícil encontrar, por exemplo, títulos que paguem de 130% a 140% do CDI para prazos de até um ano. No caso de LCIs e LCAs, tem título pagando 115% do CDI limpo de imposto.

Mesmo os bancos grandes já estão aderindo à onda do CDB que paga 100% do CDI com liquidez diária, a menos para os clientes de alta renda.

Mas essas ofertas são boas mesmo? Depende. Do ponto de vista da rentabilidade, lembre-se de que 115% do CDI representa, atualmente, 3,34% ano ano; 130% equivale a 3,77%; e 140% é pouco mais de 4%.

Também tem os títulos prefixados, que costumam pagar um pouco mais nos mesmos prazos, mas cujos rendimentos também têm ficado ali na faixa de 4% ou 5% ao ano, no caso dos CDBs.

Ou seja, não é exatamente uma rentabilidade matadora. É mais alta, claro, já que títulos de bancos médios têm mais risco que os títulos públicos e os papéis dos bancões; mas não vai te deixar rico.

Aí a questão que surge é: vale a pena correr o risco do banco médio, no cenário atual, para ganhar um pouquinho mais do que, digamos, num Tesouro Selic?

Aumento do risco do sistema financeiro

Do fim de maio até meados de abril, as principais agências de classificação de risco andaram rebaixando as perspectivas para os bancos brasileiros. A Fitch e a Moody’s, por exemplo, alteraram de estável para negativa a perspectiva do sistema bancário do país.

Já a Standard & Poor’s rebaixou as perspectivas de 15 bancos brasileiros de positiva para estável. Estavam na lista desde bancos médios, como ABC Brasil, BV e CCB, a bancos grandes como Bradesco, BB, Santander, Caixa e Itaú Unibanco.

A Fitch também rebaixou para negativa as perspectivas dos ratings nacionais de longo prazo e/ou dos ratings de inadimplência do emissor de uma série de bancos médios, como Agibank, BMG, BS2, Inter, Paraná Banco, Banrisul, Alfa, Daycoval e Sofisa. Dois deles tiveram ratings efetivamente rebaixados - Original e Pine.

O motivo alegado por todas as agências foi a crise desencadeada pela pandemia de coronavírus. As alterações não são alarmantes, mas já são um indicativo de que sim, houve uma deterioração no cenário de risco de crédito.

Outro fator que acendeu a luz amarela foi o fato de que os grandes bancos aumentaram muito as suas provisões, já se preparando para enfrentar um aumento da inadimplência, o que impactou fortemente os seus resultados do primeiro trimestre deste ano.

Num cenário como esse, bancos de menor porte são, pelo seu porte e natureza dos clientes, mais frágeis que os bancões. Fora que estes podem ser considerados “grandes demais para quebrar” e acabar sendo resgatados de alguma forma em uma situação-limite - privilégio do qual instituições médias provavelmente não gozariam.

Por outro lado, o sistema brasileiro financeiro tem vários pontos positivos. Para começar, os bancos são, em geral, bem capitalizados, e as exigências do Banco Central por aqui são bastante rígidas, o que deixou as instituições bem preparadas para enfrentar um eventual aumento da inadimplência decorrente da crise.

“Percebo que, mesmo no cenário atual, os bancos médios têm sido resilientes. Dá para perceber pelas taxas que estão oferecendo nos seus títulos. Não estão exorbitantes, o que sinalizaria uma necessidade grande de capital”, diz Rodrigo Sivieri, professor da Trevisan Escola de Negócios.

Além disso, recentemente o BC tomou uma série de medidas para não só permitir que os bancos emprestem mais, como também assumindo uma parte do ônus, a fim de garantir a oferta de crédito para as empresas que estão passando por dificuldades por conta da crise, sobretudo as pequenas e médias. Ou seja, a liquidez do sistema está elevada.

Temos, ainda, como pano de fundo, a menor Selic da história, o que barateia o custo de captação dos bancos e também o custo da dívida das empresas.

Tudo isso contribui para atenuar os efeitos da crise no sentido de evitar a quebradeira de empresas e, em última instância, de bancos. Ou seja, o risco aumentou, mas pelo menos por enquanto, não parece ter sido tanto assim. O pior é a incerteza sobre quanto tempo essa crise pode durar.

E o FGC?

Mas você pode estar se perguntando: no caso dos títulos emitidos por bancos e financeiras, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) não segura a onda?

De fato, o FGC ressarce investidores de CDB, LCI, LCA, RDB e LC em caso de quebra do emissor, em até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, totalizando um limite global de R$ 1 milhão por CPF. Mais que o suficiente para a maioria das pessoas físicas.

Além disso, a história recente vem mostrando que o FGC funciona, e bem! Neste link você encontra o histórico de instituições financeiras que foram à lona e os pagamentos efetuados pelo fundo.

Acontece que o pagamento não é imediato. Quando um banco ou financeira quebra, o FGC pode levar de alguns dias a alguns meses para ressarcir os investidores. E, nesse período, o dinheiro investido fica inacessível e não rende nada.

No próprio site do fundo, aliás, você encontra uma lista dos prazos de pagamento de cada evento que acionou a garantia do FGC até hoje.

Em segundo lugar, com esse aumento de risco generalizado e incerteza em relação ao futuro, a gente deve lembrar que o FGC não é infinito.

Para começar, ele não é nem do governo, ao contrário do que muita gente pensa. O fundo é uma entidade privada sem fins lucrativos mantida com contribuições das próprias instituições financeiras, como uma forma de seguro.

Segundo que ele tem um patrimônio limitado, atualmente da ordem dos R$ 80 bilhões, dos quais uns R$ 55 bilhões estão imediatamente disponíveis para resgates. Isso corresponde a algo como 2,3% do total de depósitos elegíveis à cobertura.

Este percentual se encontra dentro das exigências do Conselho Monetário Nacional (CMN) e é suficiente para cobrir quebras esporádicas de instituições financeiras, como ocorre em condições normais.

Mas se houvesse uma quebradeira generalizada de bancos médios cujos depósitos superassem esses 2,3% - o que é improvável, mas não impossível - o FGC não teria como ressarcir todos os investidores.

Pode ser que numa situação desse tipo o governo desse uma mãozinha? Até pode, mas não é certo. Meu ponto aqui é que não podemos perder de vista a natureza do FGC, por mais que ele seja sólido.

“É verdade que o FGC tem lá suas limitações. Mas o Banco Central também já tomou algumas medidas para aumentar a liquidez do sistema, e os bancos grandes agora passaram a poder comprar as carteiras de crédito dos bancos menores. A maioria dos bancos está bem capitalizada, consegue ultrapassar esta crise”, diz Sivieri, da Trevisan.

Seja como for, recentemente o Banco Central trouxe de volta o DPGE - Depósito a Prazo com Garantia Especial - para facilitar a captação sobretudo dos bancos médios e aumentar a liquidez do sistema financeiro.

Os DPGEs são garantidos pelo FGC em até R$ 40 milhões, o que mostra uma confiança do Banco Central na capacidade de o fundo segurar o rojão, ao menos por ora.

No seu balanço de 2019, publicado já em 2020, o FGC se mostrou atento em relação aos riscos trazidos pela pandemia, e disse que “no atual cenário, não há expectativa de ocorrência de impactos significativos nos ativos do FGC”.

Eu procurei o FGC para perguntar como o fundo está se preparando para o cenário à frente e eles ainda não me responderam, mas assim que o fizerem, publicarei a entrevista no Seu Dinheiro e a lincarei aqui.

OK, mais vale a pena investir nesses títulos de bancos médios, ou ficou arriscado demais?

Dito tudo isto, vamos à resposta. Se o seu objetivo é investir a sua reserva de emergência em algo que renda mais que a poupança, de cara eu já adianto para passar longe do crédito privado em geral.

Reserva de emergência não é para “ganhar dinheiro”, é para preservar seus recursos para emergências. Ela deve ser aplicada em investimentos de renda fixa conservadora: títulos públicos Tesouro Selic (via Tesouro Direto ou contas de pagamento remuneradas) ou fundos Tesouro Selic que não cobrem taxa de administração. No máximo um CDB de grande banco com liquidez diária que renda 100% do CDI, se você tiver acesso a esse produto.

Agora, se é para multiplicar e preservar seu patrimônio, ganhando acima da inflação, de fato o crédito privado é uma classe de ativos importante de se ter na carteira. Se você já tem ativos desse tipo e dispõe de uma reserva de emergência em aplicação conservadora, o ideal é deixar como está.

Se você já tem uma reserva de emergência em aplicação conservadora, mas não dispõe de aplicações de crédito privado (ou elas ainda compõem uma parte muito pequena da sua carteira), você pode considerar os títulos de bancos médios que remunerem acima do CDI. Mas quais valem a pena agora?

Para o planejador financeiro certificado (CFP®) Carlos Castro, da Planejar, de fato houve uma deterioração do ambiente de crédito, mas ainda não a ponto de impactar radicalmente as perspectivas para os bancos médios. “Não vejo, neste momento, um risco de deterioração maior”, diz.

Mas dadas as incertezas quanto à duração da pandemia e suas reais consequências na economia real e no sistema financeiro, o ideal é investir apenas em títulos bancários de prazos inferiores a um ano - e, de preferência, que tenham liquidez diária.

Assim você não só não se compromete com um futuro que ainda não consegue projetar, como também, no caso dos papéis com liquidez diária, pode tirar o dinheiro caso acredite que o emissor possa estar em apuros. Passado o prazo da aplicação, você volta a avaliar o cenário e as rentabilidades oferecidas.

“Para títulos com prazos entre seis e 12 meses, a relação risco-retorno fica interessante”, diz Castro.

Avalie a saúde financeira do banco

Uma coisa que o investidor de renda fixa deveria fazer sempre é avaliar brevemente a saúde financeira do emissor, mesmo que haja cobertura do FGC. Saiba o que levar em conta:

  • Qual o setor de atuação do banco ou financeira em questão? Para que tipo de cliente ele costuma emprestar? Pequenas e médias empresas ou pessoas físicas?
  • Quais as principais linhas de crédito ofertadas? Crédito consignado? Financiamento de veículos? Capital de giro para empresas?
  • O tipo de cliente, setor ou linha de crédito deve sofrer muito com a crise?
  • A carteira de crédito é concentrada em poucos clientes ou é mais pulverizada?
  • Qual a classificação de risco da instituição financeira (se houver)? Pode ser que ela tenha um rating conferido por uma agência de classificação de risco, uma nota que atesta quão bom pagador é esse emissor. Nesta matéria, falamos mais sobre rating e o que significam as diferentes notas de crédito concedidas pelas principais agências.
  • Qual o Índice de Basileia da instituição financeira? Este indicador representa o percentual de capital próprio da instituição a cada operação de crédito que ela faz. O mínimo hoje no Brasil é 8%, mas há até pouco tempo era de 11%. O ideal é que o percentual não esteja muito próximo do mínimo.

É comum que os bancos e as corretoras que oferecem títulos de renda fixa bancária informem o rating da instituição emissora de cada papel. Se isso não ocorrer, você pode verificá-las nos sites das próprias agências de rating.

Nos sites da Standard & Poor’s e da Moody’s, por exemplo, que são os mais amigáveis, basta criar um cadastro gratuito para acessar os ratings das instituições financeiras desejadas e os relatórios emitidos sobre elas.

Já o Índice de Basileia pode ser verificado no site IF.Data, do Banco Central. Basta escolher o último período disponível e as opções “Conglomerados Prudenciais e Instituições Independentes” e “Informações de Capital”. A interface não é das mais amigáveis, mas o Índice de Basileia é um dos itens mais à direita.

Finalmente, em relação aos setores e tipos de linhas de crédito aos quais os bancos médios estão expostos, a corretora XP Investimentos publicou recentemente um relatório em que classifica os segmentos de Empréstimo Pessoal/CDC/Cartão de crédito, Financiamentos de veículos e Empréstimos a pequenas e médias empresas como sendo de risco alto.

Os principais motivos são a queda no consumo e a possibilidade de aumento da inadimplência devido à queda na renda das famílias, em razão das medidas de isolamento social para o combate ao coronavírus. Nesse sentido, as pequenas e médias empresas devem ser justamente as mais afetadas.

Já os segmentos de crédito consignado - que tem desconto em folha de pagamento e é feito sobretudo por aposentados, pensionistas e servidores públicos, que têm renda estável - e os empréstimos para empresas grandes devem ser menos afetados, sendo classificados como de risco médio.

Títulos corporativos: debêntures e fundos de crédito privado

Outra vertente do investimento em renda fixa privada são os títulos emitidos por empresas (debêntures) ou companhias securitizadoras (CRI e CRA), bem como os fundos que investem nesses tipos de papéis de modo a tentar superar o retorno da renda fixa conservadora.

Dentro da mesma lógica que vimos para os bancos, o futuro é igualmente incerto para a economia real. O risco de quebra de empresas e aumento da inadimplência por parte dos mutuários, tanto pessoas físicas quanto jurídicas, de fato aumentou com a crise.

Sendo assim, ainda vale a pena ter crédito corporativo na carteira? E, se sim, qual deve ser a participação dessa classe no portfólio do investidor?

Para os especialistas com quem eu conversei para esta matéria, a resposta curta é sim, vale a pena ter crédito privado corporativo na carteira. Apesar do risco mais alto, os retornos estão atrativos, mas é muito importante diversificar.

Na opinião de Ronaldo Patah, estrategista de investimentos do UBS Wealth Management, o crédito corporativo, neste momento, é uma opção até melhor do que os títulos de bancos médios cobertos pelo FGC, em razão da Selic muito baixa.

Aliás, a não ser para a reserva de emergência, a área de gestão de fortunas do UBS sequer está recomendando títulos pós-fixados (atrelados à Selic ou ao CDI) para as suas carteiras de renda fixa. A preferência é por títulos prefixados e atrelados à inflação de prazos mais longos.

Nesse sentido, no crédito privado se destacam sobretudo as debêntures, que são, em sua maioria, indexadas à inflação. Esses títulos costumam ter prazos longos, mas podem ter uma liquidez razoável para venda antes do vencimento.

Outra opção são os fundos de debêntures incentivadas - que investem em debêntures de infraestrutura isentas de IR - e os fundos de renda fixa crédito privado, que investem em diversos tipos de ativos de renda fixa privada, incluindo debêntures.

Oportunidade no crédito corporativo

Apesar dos juros baixos no mundo inteiro, recentemente abriram-se oportunidades no crédito corporativo. Primeiro que de fato o risco aumentou com a crise, o que levou à elevação da remuneração dos títulos.

Segundo que, recentemente, as debêntures andaram sofrendo com a corrida por liquidez e uma abertura pontual da curva de juros.

Em março, quando os preços dos ativos em todos os mercados despencaram por conta da crise, com a corrida generalizada dos investidores para liquidez, os preços das debêntures, assim como as cotas dos fundos de crédito viram uma desvalorização. Até mesmo fundos que costumam ser vendidos como conservadores tiveram desempenho negativo.

Ao mesmo tempo, a rentabilidade dos papéis subiu, tornando-os mais atrativos, e possibilitando aos gestores de fundos adquirir títulos de boas empresas a preços e remunerações melhores.

“A maioria das debêntures dos fundos de crédito foram emitidas por empresas grandes e sólidas, com caixa suficiente para sobreviver à crise, mas tiveram suas cotas castigadas pela marcação a mercado devido à grande quantidade de resgates”, explica o professor Rodrigo Sivieri, da Trevisan.

“O momento é oportuno para investir em crédito privado. Essa reprecificação dos títulos não condiz com o cenário atual. Vemos debêntures de empresas de energia pagando CDI mais 4% [algo como 7% ao ano]. Se empresas grandes de capital aberto estão pagando isso, quanto uma empresa menor vai ter que pagar?”, questiona.

Para ele, logo essas taxas voltarão a cair para se tornarem mais “condizentes com a realidade”.

Segundo Ronaldo Patah, do UBS, a recuperação dos preços no mercado de crédito é mais lenta do que na bolsa. Esta já reagiu muito rapidamente às perspectivas de retomada da economia - ontem, por exemplo, o Ibovespa recuperou o patamar dos 90 mil pontos.

Diversificação

Agora, a diversificação é fundamental, justamente por causa desse incremento no risco de crédito. “O ideal é montar uma carteira diversificada em termos de empresas e setores - energia elétrica, petróleo, mineração, siderurgia, varejo, bancos, quanto mais, melhor”, diz o estrategista do UBS.

A casa recomenda uma concentração máxima de 5% do patrimônio em cada título. “Mas o ideal mesmo seria 2%”, diz Patah.

Para os investidores que não têm recursos suficientes para montar uma carteira tão diversificada de debêntures, os fundos são a alternativa viável. Mas Patah recomenda aqueles de pouca liquidez, em que o investidor só recebe o dinheiro pelo menos 30 dias após o pedido de resgate (D+30 ou acima).

Isso porque os títulos de renda fixa também têm volatilidade. Se muitos investidores pedem resgate ao mesmo tempo, o gestor precisa vender os papéis às pressas e a qualquer preço, o que pode derrubar o valor da cota e prejudicar o retorno do fundo.

Se ele tem tempo para planejar a venda de um papel, tem mais condições de fazer um bom negócio. “Isso ajuda a proteger o patrimônio do cotista”, diz Patah.

*Matéria alterada com a correção do valor de cobertura do FGC para DPGEs, elevado de R$ 20 milhões para R$ 40 milhões.

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